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12 de abril de 2025

O Príncipe Deste Mundo


Imagem estilizada do príncipe deste mundo representando o diabo



Consideremos, então, as poucas referências que a Bíblia parece oferecer relacionadas a este grande mistério. Entretanto, a revelação a qual iremos referir-nos foi dada para nossa instrução e, como todas as demais passagens das Escrituras, é útil, mesmo que não consigamos captar o segredo nela contido, mas lidemos com ela com reverência e temor.


¹⁶ Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; (2 Timóteo 3:16).


A contemplação de tal tema nos dá alguma ideia da inefável magnitude dos acontecimentos passados e futuros, pelos quais o tempo está limitado, e dos incontáveis milhões de atores neles interessados.

Existem, talvez, duas fontes das quais podemos extrair alguma informação com respeito à condição anterior da terra:

(l) de qualquer passagem que pareça referir-se diretamente a ela;

(2) do relato que nos foi dado dos "tempos da restauração de todas as coisas".


²¹ O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio. (Atos 3:21).


Se olharmos de relance os poucos particulares da história de Satanás que nos foram revelados, não deixaremos de observar que, além do atual poder a ele atribuído, o título "Príncipe deste Mundo" é claro e legitimamente mantido por ele; ou, em outras palavras, essa dignidade, com outras prerrogativas reais que lhe pertencem por direito, foi-lhe conferida pelo próprio Deus. Porquanto não existe outra explicação para o fato de o próprio Senhor Jesus ter falado do adversário não apenas por aquele título (João 14:30), mas por ter reconhecido também sua autoridade delegada, não refutando sua reivindicação do controle atual dos reinos e da glória desse mundo (Lucas 4:6-8).


³⁰ Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim; (João 14:30).

⁶ E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. ⁷ Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. ⁸ E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. (Lucas 4:6-8).


Só reconhecendo a legitimidade desta reivindicação é que podemos entender a passagem de Judas, na qual a atitude do arcanjo Miguel para com Satanás é citada como um exemplo do devido respeito à autoridade, mesmo estando ela nas mãos do ímpio.


⁹ Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. (Judas 1:9).


O significado da palavra "mundo" é de alguma forma ambíguo, porque, no grego, pode limitar-se à nossa terra, e a seus habitantes, como também pode estender-se à totalidade do universo. No caso que se nos apresenta, inclui todas as esferas do nosso sistema solar.

Em um texto de Coríntios, Paulo o nomeia como "deus deste século" (2 Coríntios 4:4). Entretanto, a palavra "século" aqui é outra e deveria ser traduzida por "era". Satanás é realmente o legítimo Príncipe do Mundo, mas somente no abuso do seu poder, cegando os olhos dos homens, ele os induz a adorarem-no como seu deus. No fim da presente era, ele será destituído do seu principado, e a remoção da base do verdadeiro poder fará com que a superestrutura caia imediatamente no chão.


⁴ Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. (2 Coríntios 4:4).


O Deus Deste Século

Contudo, mesmo correndo o risco de interromper o argumento, não podemos deixar de parar por um momento e verificar a solene advertência contida no título "deus deste século". Existe realmente razão para se crer que o Diabo tem recebido muito mais adoração direta e pessoal do que aqueles que não estão acostumados a investigar tais questões possam imaginar. Porém, Paulo faz referência a algo bem mais geral. Suas próprias palavras, em outro lugar, explicarão melhor seu significado:


Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? (Romanos 6:16).


Existem duas leis colocadas diante de nós: a de Deus e a de Satanás. Aquela que guardarmos nos fará escravos ou adoradores de um ou de outro. A profissão de fé, por mais veemente que seja, nada significa no outro mundo. Podemos professar o culto ao Deus Supremo e fazê-lo com diligência no aspecto exterior. Mas, se ao mesmo tempo, obedecemos à lei de Satanás, somos reconhecidos como seus súditos, e a ele sobem nossas orações e louvores.

A lei de Satanás é esta: que busquemos todos os nossos prazeres, coloquemos nossa sincera esperança neste mundo atual, que ele preside, e que usemos nossos melhores esforços em várias ocupações, deleites sensuais e intelectuais e inúmeras formas de matar o tempo por ele providenciadas, cuja finalidade é evitar a fixação dos nossos pensamentos naquela era vindoura, que há de revelá-lo como um cativo algemado em vez de príncipe e deus.

Entretanto, ele é chamado também de "príncipe da potestade do ar" (Efésios 2:2). Este principado parece ser o mesmo dos lugares celestiais, os quais, conforme Paulo nos diz, estão cheios de hostes da impiedade. Não é necessário limitá-los aos 10 mil  quilômetros de atmosfera que se supõe cercar a terra; o reino do ar inclui o imenso espaço no qual os planetas do nosso sistema solar se revolvem.

Qual é, então, a natureza do poder indicado pelos títulos de Satanás? Para entendê-la, precisamos dar uma olhada nas alusões gerais da Escritura com respeito às influências espirituais, pois, embora invisíveis e pouco imaginadas pelos governantes da terra, os poderes espirituais também existem:


Se vires em alguma província opressão do pobre, e violência do direito e da justiça, não te admires de tal procedimento; pois quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e há mais altos do que eles. (Eclesiastes 5:8).


Todos foram designados originalmente por Deus a despeito de serem hoje leais a Ele ou não. Posto acima de posto, estes vigilantes permanecem passando, cada um, sua informação a outro superior, até que ela alcance o Altíssimo no cume da pirâmide. Por isso, na primeira visão de Zacarias, os que haviam sido mandados pelo Senhor a rodearem a terra, são vistos entregando seus relatórios ao Anjo do Senhor, o qual apela ao próprio Todo Poderoso.


¹⁰ Então respondeu o homem que estava entre as murtas, e disse: Estes são os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra.

¹¹ E eles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murtas, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está tranquila e quieta.

¹² Então o anjo do Senhor respondeu, e disse: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos? (Zacarias 1:10-12).


Por essa razão, lemos sobre tronos, domínios, principados, poderes, anjos e arcanjos. Não precisamos conhecer muito da Escritura para descobrir que grande número desses seres invisíveis que supervisionam os negócios dos homens e seu mundo está em rebelião aberta contra o Todo Poderoso; eles são principados, poderes, governadores do mundo, das trevas, com os quais, segundo Paulo, temos de travar feroz batalha:


¹² Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. (Efésios 6:12)


Todos prestam contas a Satanás, seu príncipe, e este, em seus relatórios ao Altíssimo, faz uso da sua inteligência para acusar a nós e aos nossos irmãos diante de Deus, dia e noite:


¹⁰ E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. (Apocalipse 12:10).


Se quisermos saber algo sobre a maneira como eles governam, podemos ler a própria estimativa de Deus no Salmo 82. Este curto poema, uma das maiores revelações que temos, levanta a cortina, permitindo um vislumbre momentâneo dos mistérios além da nossa esfera:


¹ Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.

² Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? (Selá.)

³ Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado.

⁴ Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.

⁵ Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam.

⁶ Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.

⁷ Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes.

⁸ Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações. (Salmos 82:1-8).



Aparentemente, temos dois exemplos de tal Assembleia. No início do Livro de Jó, em que os filhos de Deus, com Satanás entre eles, são vistos apresentando-se diante do Senhor. Em cada um dos casos, o concílio, tanto quanto nos é revelado do seu propósito, relaciona-se com um habitante da terra, e suas decisões foram da maior importância para ele.

O Primeiro Livro dos Reis nos fornece um exemplo de julgamento celestial realizado para determinar o destino de Acabe. Assim como Satanás toma parte na deliberação com respeito a Jó, lemos a respeito da presença de um espírito de mentira que recebe permissão a fim de possuir e inspirar os falsos profetas para a destruição daqueles que neles confiavam.

¹⁹ Então ele disse: Ouve, pois, a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda.
²⁰ E disse o Senhor: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra.
²¹ Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe disse: Com quê?
²² E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim.
²³ Agora, pois, eis que o Senhor pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o Senhor falou o mal contra ti. (1 Reis 22:19-23).


Os "deuses" são os anjos - neste caso, naturalmente, anjos caídos - assim chamados como sendo agentes de Deus. Desta forma, nosso Senhor explica: "Se Ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus..." (João 10:35). Uso semelhante da palavra pode ser encontrado no Salmo 97:7, no qual Paulo traduz a expressão "prostrem-se diante Dele todos os deuses" por "todos os anjos de Deus O adorem" (compare também Hebreus 2:5 com Salmos 8:5).

Na acusação que se segue, o estado presente do mundo é descrito com precisão. Quão claramente somos levados a ver que se a mentira, a fraude, a opressão e a violência estão operando, se há multidões que podem dizer "ninguém se importa com minha alma", tudo isso acontece, porque um rebelde está agitando seu cetro de ferro sobre a terra, que geme.

Discernimos, então, uma tremenda revelação do amor de Deus. Ele não lamenta apenas pela raça caída de Adão, a qual oferece lugar de arrependimento, mas mostra graça também aos anjos que pecaram. Recordemos as palavras misteriosas pronunciadas pelo Senhor, logo depois que a voz do céu ressoou pelo templo: 


²⁸ Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

²⁹ Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.

³⁰ Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós.

³¹ Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. (João 12:28-31).


Parece que o decreto irrevogável, que fixa o destino dos "governadores deste mundo tenebroso" só então fora pronunciado, e os ouvidos do Senhor tiveram, por assim dizer, apanhado o ribombar do fechamento dos portões da misericórdia, que, até aquela ocasião, haviam estado abertos até mesmo para Satanás e as hostes espirituais da impiedade.

Foi, possivelmente, sua hostilidade para com o Filho encarnado de Deus que encheu a medida da iniquidade deles de modo que a parábola dos lavradores maus (Mateus 21:33-44) poderia aplicar-se tanto a eles quanto aos judeus. Ambos se recusaram a oferecer ao grande Criador os frutos da Sua terra que fora entregue aos seus cuidados. Recusaram os apelos cheios de misericórdia, tal como na conclusão do Salmo 82, e, finalmente, ao distinguirem claramente o Filho entrando nos seus domínios, destruíram qualquer esperança que poderia existir quando clamaram:


⁷ Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e a herança será nossa. (Marcos 12:7).


Deus já havia previsto o fim. Ele declara que Sua admoestação é vã; os rebeldes não ouviram. Apartando-se Dele, perderam a sabedoria e não podem mais entender; tornaram-se míopes segundo a maneira dos homens, se não for em sua própria medida. Só podem mover-se incansavelmente, de um lado para outro, sob as trevas dentro das quais têm vagueado, esforçando-se através de incansável atividade para esquecer a plenitude divina do seu estado anterior.

Terríveis são as consequências da condição dos governadores do mundo para a terra, que geme sob o seu domínio. Todos os seus fundamentos estão abalados, a terra está cheia de abusos e crimes escandalosos, seu clamor sobe ao céu, e uma anarquia de injustiça e opressão está presente. Eles devem, portanto, ser depostos; seu poder deve ser tirado, e uma retribuição terrível deve justificar a justiça Daquele que é Rei de tudo.

Por conseguinte, a sentença que recebem se segue, e seus termos deveriam ter evitado aquela vaga interpretação do Salmo 82, que se tem contentado em identificá-lo como se referindo apenas aos governadores humanos. Tais palavras não são dirigidas àqueles que foram chamados à existência sob condições mortais, mas a seres que, desde as primeiras horas da sua vida, regozijaram-se na imortalidade dos filhos de Deus. Não obstante, por terem pecado e caído do seu primeiro estado, colocam-se também sob a lei do pecado e da morte. À semelhança dos efêmeros filhos de Adão, eles perecerão e cairão como um dos fugazes príncipes da terra.

Esta sentença ainda não foi aplicada; mas acontecerá, aparentemente, quando Satanás for amarrado e lançado por mil anos no abismo, que, segundo a Escritura, é a cadeia dos que morreram perdidos. Assim, ele sofre a primeira morte durante o Milênio e, depois, a segunda, ao ser lançado no lago de fogo e enxofre.

O salmo 82 termina com uma oração. Enquanto contempla os males lançados sobre o mundo pelo seu atual Príncipe, o salmista é movido a ansiar pela vinda do Rei Justo, pela vinda de Cristo para depor os poderes rebeldes, herdar todas as nações e julgar a terra.

É revelado, então, que poderes espirituais e humanos estão interessados na administração da nossa terra, e essas atividades diversas são mencionadas como que resumindo a totalidade do seu governo em um versículo de Isaías, no qual se diz que o Senhor, na Sua vinda, vai destituir e punir dois corpos distintos de governo:

²¹ E será que naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. (Isaías 24:21).


Os "exércitos do alto" são claramente identificadas com Satanás e seus anjos, e os "reis da terra", com os poderes mundiais anticristãos; isto é, com os poderes gentílicos da cristandade, porque, depois da rejeição temporária de Israel, o domínio da terra foi formalmente transferido para as mãos dos gentios.

É um fato notável, entretanto, que a presente disposição dos poderes espirituais do mundo pareça estar inteiramente nas mãos de Satanás. Isso é evidente segundo o Salmo 82 e também o versículo 21 de Isaías 24 visto que, em cada passagem, os poderes espirituais são tachados sem qualquer reserva como rebeldes contra Deus.

O décimo capítulo de Daniel fala sobre o príncipe satânico da Pérsia e o príncipe da Grécia, mas o anjo do Senhor que se opõe a eles não usa um título semelhante. Por suas próprias palavras, vemos que seu posto não é permanente; ele é enviado apenas para um propósito especial e se retira quando o realiza, deixando o príncipe da Grécia sem ser atacado.

Quão profundamente significativa, quão digna da nossa mais solene consideração é sua queixa ao dizer que, depois de sua entrada no céu da nossa terra (a expansão), ele encontrou hostilidade ou indiferença de todos os seus principados, com apenas uma solitária exceção!:


²¹ Mas eu te declararei o que está registrado na escritura da verdade; e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe. (Daniel 10:21).


Da região inteira do amplo império rebelde, surgiu apenas um príncipe de Deus leal para ajudá-lo em seu conflito com as potestades das trevas. Este arcanjo fiel era Miguel; não é difícil também explicar sua presença nas regiões do ar, pois ele é descrito para Daniel como "vosso príncipe" e, logo depois, como "o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo":


¹ E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. (Daniel 12:1).


Parece, portanto, que ele é o governador de Israel, e, por isso, quando Deus escolheu um povo sobre a terra para Si mesmo, Ele os tirou da jurisdição de Satanás e designou um dos Seus próprios príncipes para governá-los e protegê-los. Por isso, com feroz inimizade, o Príncipe das Trevas parece ter competido contra Miguel e dirigido pessoalmente seus furiosos ataques sobre o malquisto principado. Uma de suas vitórias é registrada no Livro das Crônicas, no qual somos informados que ele, Satanás, "se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel":


¹ Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel. (1 Crônicas 21:1).



28 de março de 2025

Notícias: Arquivos Desclassificados da CIA Revelam Busca Psíquica Pela Arca da Aliança

 

Imagem da arca da aliança com dois anjos


A CIA alegou ter confirmado a existência da Arca da Aliança por meio de visualização remota — também conhecida como percepção extra sensorial — alegando que o objeto misterioso e sagrado é guardado por "entidades" com um poder "desconhecido", afirma um documento desclassificado recentemente reaparecido.

Em uma sessão de visualização remota em 5 de dezembro de 1988, o observador remoto nº 32 foi encarregado de identificar um alvo que, sem que eles soubessem, acabou sendo a famosa Arca da Aliança, de acordo com um documento que foi desclassificado em 8 de agosto de 2000 e está circulando nas redes sociais.

*Se o site do governo no link acima desaparecer, segue no SCRIBD.

Logisticamente, quando um observador remoto é encarregado de procurar um alvo, o objeto desejado é escrito em um pedaço de papel e colocado em um envelope. O observador remoto não sabe o que está escrito e é guiado pelo processo por outra pessoa, explicou o subtenente aposentado do Exército dos EUA Joe McMoneagle.

“As informações coletadas sob este protocolo são as únicas informações que podem ser identificadas como visualização remota”, disse McMoneagle.

McMoneagle, também conhecido como observador remoto nº 1 (em inglês), foi o primeiro a fazer experimentos com fenômenos psíquicos para a CIA — e ele não está convencido pelo exercício registrado no documento desclassificado.

A visão do observador remoto nº 32 descreveu uma localização secreta do objeto no Oriente Médio — que eles não sabem ser a Arca — mas dizem que é "protegida por entidades", revela o documento.

“O alvo é um recipiente. Este recipiente tem outro recipiente dentro dele. O alvo é feito de madeira, ouro e prata… similar em formato a um caixão e é decorado com serafins”, eles retransmitiram, conforme o arquivo.

“Imagens de edifícios ao redor indicaram a presença de cúpulas de mesquitas”, eles disseram, acrescentando que homens de língua árabe, vestidos todos de branco, povoavam a área.

“O alvo está escondido — subterrâneo, escuro e úmido eram todos aspectos da localização do alvo”, eles continuaram.

“O propósito do alvo é unir um povo. Tem algo a ver com cerimônia, memória, homenagem, ressurreição. Há um aspecto de espiritualidade, informação, lições e conhecimento histórico muito além do que sabemos agora.”

O observador remoto nº 32 então expôs os aspectos mais misteriosos do que viu.

“O alvo é protegido por entidades e só pode ser aberto por aqueles que estão autorizados a fazê-lo — este contêiner não será/não pode ser aberto até que o tempo seja considerado correto. Quando for a hora de abrir o contêiner — a mecânica do sistema de bloqueio será considerada bastante simples”, eles disseram antes de adicionar um aviso aos potenciais saqueadores.

“Indivíduos que abrem o recipiente forçando-o ou golpeando-o são destruídos pelos protetores do recipiente através do uso de um poder desconhecido para nós.”

O canalizador também descreveu o que eles consideraram ser um aspecto devocional do objeto.

“O propósito do alvo é unir as pessoas. Tem algo a ver com cerimônia, memória, homenagem, ressurreição. Há um aspecto de espiritualidade, informação, lições e conhecimento histórico muito além do que sabemos agora”, disseram.

O documento desclassificado também incluía várias páginas de desenhos que retratam um dos quatro serafins que se destacam nos cantos da Arca, bem como um desenho de múmias alinhadas em uma parede.

O lendário observador remoto nº 1 Joe McGoneagle não acredita que essa visualização remota valha o papel em que está escrita.

“Usar a visualização remota contra qualquer alvo para o qual a verdade terrestre não existe ou é impossível de obter, como OVNIs, UAPs, a superfície de Marte ou a localização de relíquias históricas, é um desperdício de tempo e recursos”, disse McGoneagle ao The Post.

“Se alguém alega que a visão remota prova a existência de algo, como a Arca da Aliança, deve apresentar a Arca para comprovar sua alegação.”

O maior especialista do mundo no assunto deu mais contexto para o exercício registrado pela CIA em 1988.

“Neste caso, é um alvo de treinamento feito por capricho”, ele disse, acrescentando, “Eu desafiaria toda a sessão de prática como falsa. Ninguém tentou verificar a verdade básica do material, e tudo o que foi dito foi aceito por seu mérito desconhecido e não verificado.”

McMoneagle recebeu a Legião do Mérito por usar a visão remota para identificar um navio de guerra russo secreto que estava sendo desenvolvido em um prédio isolado durante a Guerra Fria.

“Atualmente, a Arca da Aliança é um conto lendário. Se eles puderem produzir a Arca real com base nas informações, será uma surpresa para mim, assim como para muitos outros”, McMongeale declarou ao The Post.

Diz-se que a Arca da Aliança continha os Dez Mandamentos trazidos por Moisés do Monte Sinai.


Para mais informações, veja o link original da matéria em inglês.


https://nypost.com/2025/03/26/world-news/cia-confirmed-ark-of-the-covenants-existence-using-remote-viewing-resurfaced-declassified-docs-claim/



4 de março de 2025

O Imago Mundi: Localização Babilônica Para a Arca de Noé

 

O Imago Mundi mostrando a localização babilônica da Arca de Noé
O Imago Mundi


O Mapa de 2.700 Anos que dá Instruções Para um Navio Bastante Familiar

A maioria das pessoas está familiarizada com o relato bíblico da arca de Noé - a embarcação que salvou Noé, sua família e pares de todos os animais terrestres do Grande Dilúvio. Menos estão familiarizados com os relatos paralelos da arca-dilúvio do mundo antigo. Relatos como o épico sumério de Gilgamesh, de mais de 4.000 anos, que conta a história de Utnapistim e sua arca, com paralelos ao relato bíblico até as espécies de pássaros liberados. Outro exemplo é o épico babilônico de Atrahasis, com paralelos incluindo a entrada de animais no barco dois a dois.

Menos ainda estão familiarizados com um mapa babilônico de 2.700 anos que, na verdade, pretende dar instruções para a localização da arca de Noé (ou melhor, a arca de Ziusudra - como ele é chamado no relato babilônico - um nome que significa "Aquele de Longa Vida"). Este mapa é conhecido como Imago Mundi (em inglês) também conhecido como Mapa Babilônico do Mundo.

Este antigo e rudimentar mapa de tablete de argila tem sido manchete no mundo todo, com sua conexão com a "arca de Noé" enquadrada como sendo o resultado de uma pesquisa totalmente nova. Na verdade, essa pesquisa não é "nova" - a reportagem sobre esta peça parece ter surgido simplesmente de um vídeo recente (em inglês) carregado no canal do YouTube do Museu Britânico, com o Dr. Irving Finkel resumindo o artefato na Série 9, Episódio 5 do Curator's Corner.

Com o interesse renovado por este item na esfera pública, esse é um momento oportuno para revisitar este artefato notável e sua referência mais intrigante à localização da arca.


Mapa do Mundo

O Museu Britânico contém cerca de 150.000 tábuas cuneiformes - comparativamente poucas das quais estão em exposição; a grande maioria é mantida em arquivo e aguarda pesquisa. Entre sua vasta coleção, o Imago Mundi (Mapa do Mundo) se destaca como uma das peças mais significativas e reconhecíveis. O item foi adquirido pelo Museu Britânico em 1882, após as escavações do assiriologista Hormuzd Rassam (em inglês) em Sippar (Iraque central). O anverso (frente) da tábua traz um "mapa" circular e rudimentar com várias linhas de texto acima, e um reverso com texto adicional explicando o mapa com mais detalhes. Datado no mínimo do século IX a.C. - ou mais provavelmente em algum lugar mais próximo do século VII a.C. - o item é famoso por ser o mapa mais antigo do mundo conhecido.

A borda circular externa do mapa é marcada com texto cuneiforme descrevendo-o como o “Rio Amargo” - essencialmente cercando, figurativamente, o mundo mesopotâmico conhecido. Dentro deste círculo há um rio retangular norte-sul, que representa o Eufrates. Este rio é interceptado perto do topo por um retângulo representando a Babilônia, uma cidade bissecionada na antiguidade pelo rio. Ao redor da periferia interna do mapa circular há vários pequenos círculos, cada um representando cidades e tribos. A cidade persa de Susa está localizada na parte inferior do mapa.

O mais interessante, para nossos propósitos, são as extensões triangulares que se projetam do mapa. Elas representam - novamente, muito rudimentarmente - misteriosos territórios montanhosos nos limites do mundo conhecido. Embora a maioria desses triângulos esteja faltando, originalmente haveria oito deles, e eles correspondem especificamente a divisões de textos no verso da tábua, que explicam esses locais com mais detalhes.

O problema era que, como descoberto originalmente, apenas três triângulos foram preservados no mapa, e era quase impossível tentar relacioná-los à lista de explicações no verso da tábua. Isto é, até meados da década de 1990, quando uma aluna do Dr. Irving Finkel - Edith Horsley - encontrou um fragmento em miniatura com um triângulo no arquivo do Museu Britânico. O fragmento se encaixou perfeitamente em uma lacuna dentro do Imago Mundi, e com as palavras-chave deste triângulo contidas nele, foi possível identificar o bloco de texto reverso relacionado especificamente a ele, e assim a ordem do resto do texto relacionado aos triângulos.


Desenho inicial do Imago Mundi
Desenho inicial do Imago Mundi. Observe o espaço para o triângulo então ausente (centro à direita) - a peça crítica que desvendou o quebra-cabeça


De particular destaque foi uma seção de texto relacionada ao triângulo (ou “montanha”).


"Parsiktu - Navio"


O texto reverso fragmentário relacionado a este triângulo diz:


[Para o lugar], para o qual você deve viajar sete léguas, …]

[Os …] … são tão grossos quanto um parsiktu - navio; 10 dedos [grossos seus …]

Para o observador casual, isso pode não parecer ter muita importância. Mas para um assiriologista experiente, é imediatamente chamativo. Como o Dr. Finkel explica no vídeo recente:

Diz que você vê algo... "tão espesso quanto um parsiktu - navio". Essa medida parsiktu é algo para um assiriologista, que faz seus cabelos ficarem em pé. E o fato é que só é conhecida uma vez em tábuas cuneiformes. E é uma tábua cuneiforme bem interessante também, porque é a descrição da arca, que foi construída, teoricamente, por volta de 1800 a.C. pela versão babilônica de Noé [conforme relatado na "Tábua da Arca" babilônica]. E nesse relato, os detalhes são dados: o deus diz, "você tem que fazer isso, isso e isso"; e então o Noé babilônico disse, "eu fiz isso, isso e isso, eu o fiz, e eu fiz essas estruturas tão grossas quanto um parsiktu - navio", ele diz de sua própria boca, na história original.

Então, essa palavra parsiktu é como um tipo de ruído alarmante; ela imediatamente se encaixa nessa coisa do mapa, de forma imediata e incontestável. Então, o que isso significa, falando claramente... é que se você subisse todo o caminho nessa montanha... eventualmente você veria contra o céu noturno, ou o céu escuro do universo exterior, silhuetadas das vigas feitas de madeira, tão grossas quanto um parsiktu - navio, do naufrágio da arca babilônica, que, como a da Bíblia, veio a pousar em uma montanha.

Isso não é tudo. Há outro título de interesse particular gravado no mapa ao lado desta montanha. O Dr. Finkel continua:

Se você descer a montanha e cruzar a água, de volta à terra natal, o primeiro lugar que você chegaria é chamado Urartu. Está desenhado no mapa. Agora, o interessante sobre isso é que, na Bíblia, Noé, em sua arca, pousou em uma montanha cujo nome é Ararate. E Ararate é o equivalente hebraico do assírio Urartu.


O Reino de Urartu
O Reino de Urartu, localizado principalmente no leste da Turquia, durante a primeira metade do primeiro milênio a.C.


Isso mostra que a história era a mesma e, claro, que uma levou à outra. Mas também, que do ponto de vista babilônico, isso era uma questão de fato: que se você fizesse essa jornada, veria os restos desse barco histórico, que salvou toda a vida do mundo... ainda ali nos penhascos contra o céu escuro.

 

As vigas da arca se erguem contra o céu noturno (“O Mapa Babilônico do Mundo, por Irving Finkel”)
As vigas da arca se erguem contra o céu noturno (“O Mapa Babilônico do Mundo, por Irving Finkel”)

Relatos de Visitação

É uma descoberta arqueológica notável. No entanto, embora o Imago Mundi seja único como artefato, ele não é único em descrever o lugar da arca como um local específico no qual seus restos ainda podem ser visitados.

O historiador do primeiro século Josefo relata o seguinte, ao recontar a história de Noé em Antiguidades dos Judeus: “[O]s armênios chamam este lugar de O Lugar da Descida ou Saída; pois a arca tem sido mantida naquele lugar, e seus restos são mostrados lá pelos habitantes até hoje.” Flávio Josefo, então, cita o historiador babilônico do início do terceiro século a.C. Beroso (entre outros):


Busto romano do primeiro século que se acredita representar Josefo
Busto romano do primeiro século que se acredita representar Josefo


Agora, todos os escritores de histórias bárbaras fazem menção a esse dilúvio e a essa arca; entre os quais está Beroso, o caldeu. Pois quando ele descreve as circunstâncias do dilúvio, ele continua assim: "Dizem que ainda há alguma parte desse navio na Armênia, na montanha dos cordiens; e que algumas pessoas levam pedaços do betume, que eles levam embora com o qual ela estava recoberta, e dele se servem como impermeabilizante".

Jerônimo, o egípcio, também, que escreveu as Antiguidades Fenícias, e Mnazeas, e muitos outros, fazem menção ao mesmo. Nicolau de Damasco, em seu nonagésimo sexto livro, tem uma relação particular sobre eles; onde ele fala assim: "Há na Armênia, na província de Miniade, uma alta montanha chamada Baris, sobre a qual, diz-se, muitos se salvaram durante o dilúvio, e que uma arca cujos restos se conservaram por vários anos, e na qual um homem se havia encerrado, deteve-se no cume dessa montanha. Há probabilidade de que esse homem é aquele de que fala Moisés, o legislador dos judeus". (História dos Hebreus).


Avançando vários séculos depois, o Talmude relata outro relato peculiar, alegando que o próprio rei assírio Senaqueribe visitou o local da arca, recuperando uma tábua e transformando-a em um ídolo chamado Nisroque:


Senaqueribe foi e encontrou uma viga da arca de Noé, da qual ele moldou um deus. Ele disse: “Se aquele homem (referindo-se a si mesmo) for e tiver sucesso [na batalha], ele sacrificará seus dois filhos diante de vocês." Seus filhos ouviram seu compromisso e o mataram. Este é o significado do que está escrito: “E aconteceu que, enquanto ele estava adorando na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Serezer, seus filhos, o feriram com a espada, porém eles escaparam para a terra de Ararate...” (2 Reis 19:37), onde a arca de Noé havia parado (Sanhedrin 96a em inglês).


É uma história interessante à luz do relato bíblico familiar do assassinato de Senaqueribe - principalmente por causa da referência bíblica incomum de Ararate (algumas traduções dão “Armênia”; o hebraico lê, literalmente, “Ararate”, embora as regiões sejam amplamente vistas como sinônimos). Além disso, “Nisroque” (נסרך) é uma divindade totalmente desconhecida no panteão mesopotâmico. A palavra tem sido tradicionalmente relacionada à palavra aramaica neser (נסר), que significa “tábua” ou “prancha”.

Molde de um relevo rochoso de Senaqueribe no sopé do Monte Judi
Molde de um relevo rochoso de Senaqueribe no sopé do Monte Judi

Esta história incomum no Talmude pode não ser tão absurda quanto parece: a quinta campanha de Senaqueribe o levou a estas regiões de Urartu. Na verdade, uma das montanhas desta região - com inscrições esculpidas nas faces rochosas pelos trabalhadores braçais de Senaqueribe - por acaso é uma concorrente para a localização da arca de Noé (Monte Judi em inglês). O próprio palácio de Senaqueribe continha pedras extraídas desta montanha.

Mas talvez a visita de Senaqueribe, e a deferência a tal local, não devesse ser tão incomum. Afinal, ele pode muito bem ter seguido um mapa não muito diferente de um que data do mesmo período em circulação entre sua própria povoação — o Imago Mundi.



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