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17 de agosto de 2026

Alta Traição: O Custo de Seguir a Jesus

Pessoas seguindo Jesus Cristo subindo ao céu em uma escadaria



A Geopolítica do Invisível: Por Que Decidir-se por Jesus é a Maior Escolha Cósmica da Sua Vida


A maioria das pessoas enxerga o Cristianismo sob uma lente puramente moralista ou individualista: "seja bom, evite o pecado e ganhe o céu". No entanto, as Escrituras revelam que a realidade humana está mergulhada em uma guerra geopolítica cósmica.

A decisão de seguir a Jesus Cristo não é meramente um assentimento intelectual ou uma mudança de hábitos dominicais ou sabatistas. É uma declaração de deserção do império das trevas e um ato de lealdade ao legítimo Rei do Universo.

Para entender a urgência e o peso dessa decisão, precisamos rasgar o véu do materialismo e olhar para a estrutura oculta da realidade através das lentes da alta teologia bíblica.


A Anatomia da Rebelião Cósmica (De Onde Você Está Sendo Resgatado)


A humanidade não está apenas com "problemas de comportamento"; ela nasceu em um território sob ocupação inimiga. A Bíblia detalha uma rebelião em três estágios que fraturou a nossa realidade, e entender isso é o primeiro passo para compreender por que você precisa de Jesus.

  • A Primeira Rebelião (O Éden e a perda do governo): O ser humano foi criado para ser o vice-regente de Deus na Terra, governando ao lado da família celestial de Deus. A serpente (um ser luminoso do conselho divino original) seduziu o homem para que este reivindicasse sua própria autonomia, resultando na perda do acesso à imortalidade e na introdução da morte biológica e espiritual no mundo.

Gênesis 1:26: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus..."

Gênesis 3:4-5: "Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus..."

Romanos 5:12: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram."

  • A Segunda Rebelião (Os Vigilantes e a corrupção da carne): Seres da esfera celestial romperam as barreiras dimensionais para se misturarem com a humanidade, tentando corromper a linhagem humana e a ordem criada. O livro extra-bíblico de 1 Enoque (Capítulos 6 a 8) — amplamente conhecido pelos autores do Novo Testamento e citado explicitamente em Judas 1:6 e 2 Pedro 2:4 — detalha que esses seres ensinaram à humanidade artes de guerra, feitiçaria, sedução e astrologia, acelerando a depravação humana e gerando os Nefilim. O homem tornou-se escravo de inclinações violentas e sobrenaturais.

Gênesis 6:2 e 4: "Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram (...) Havia naqueles dias gigantes na terra..."

2 Pedro 2:4: "Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno [Tártaro], os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo..."

Judas 1:6: "E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os reserva em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia."

1 Enoque 7:1-2: "Eles tomaram para si esposas, cada um escolhendo por si mesmo (...) e elas conceberam e geraram grandes gigantes..."

1 Enoque 8:1: "Azazel ensinou aos homens a confecção de espadas, facas, escudos e armaduras, abrindo os seus olhos para os metais e para a maneira de trabalhá-los. Vieram depois os braceletes, os adornos diversos, o uso dos cosméticos, o embelezamento das pálpebras, toda sorte de pedras preciosas e a arte das tintas."

  • A Terceira Rebelião (Babel e o abandono das nações): Na Torre de Babel, a humanidade uniu-se para rejeitar o mandamento de Deus de se espalhar pela Terra. Como julgamento, Deus confundiu as línguas e deserdou as nações, entregando a governança de cada povo a membros menores do Seu conselho celestial (conforme os manuscritos do Mar Morto e a Septuaginta: "segundo o número dos filhos de Deus"). Essas entidades, porém, corromperam-se e exigiram adoração humana, tornando-se os "deuses" das nações antigas. Deus reteve para Si apenas a linhagem de Abraão.

Gênesis 11:4: "E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo topo toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra."

Deuteronômio 32:8-9: "Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Deus [filhos de Israel no texto massorético posterior]. Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança."

Deuteronômio 4:19: "E não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, a lua e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o Senhor teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus."

Salmo 82:1-2: "Deus assiste na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios?"


A Ilusão da Autonomia Humana no Sistema Atual


Se você acha que ao não escolher Jesus você é "dono do seu próprio nariz", você está profundamente enganado. Na economia espiritual do universo, não existe o conceito de um ser humano que governa a si mesmo de forma independente.

  • Sob o domínio dos Principados: A Bíblia chama o adversário de "o deus deste século" e "o príncipe das potestades do ar". Sem Cristo, as suas inclinações, filosofias de vida e decisões políticas ou morais são, em última análise, moldadas pela matriz cultural criada por essas inteligências rebeldes.

Efésios 2:2: "Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência."

Efésios 6:12: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais."

1 João 5:19: "Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno."

  • A Cegueira Auto-Infligida: Aqueles que rejeitam a verdade não operam em livre-arbítrio pleno; eles estão com o entendimento cegado pelas entidades que governam este sistema decaído, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo.

2 Coríntios 4:4: "Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

João 8:44: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade..."

  • A Escravidão pelo Medo da Morte: A humanidade viveu séculos subjugada por essas forças espirituais porque o pecado concedeu a Satanás o "império da morte". Toda a busca humana por poder, fama e dinheiro é uma tentativa desesperada e inconsciente de escapar da insignificância da morte.

Hebreus 2:14-15: "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.

Colossenses 1:13: "O qual nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor."


A Invasão Territorial de Jesus: O Contra-Ataque Cósmico


Jesus não veio ao mundo apenas para morrer na cruz por crimes individuais; Ele veio para desmantelar o império legal dos deuses caídos e resgatar as nações deserdadas em Babel.

  • A Reconquista Territorial em Cesareia de Filipe: Quando Jesus leva Seus discípulos a Cesareia de Filipe — uma região geograficamente situada na base do Monte Hermon, o local exato onde a tradição antiga de 1 Enoque 6:3 afirma que os Vigilantes caídos desceram — Ele faz uma declaração de guerra. Ele diz que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua igreja. Jesus estava no quartel-general espiritual do inimigo dizendo que a Sua Igreja iria invadir e saquear o território das trevas.

Mateus 16:13 e 18: "E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela."

1 Enoque 6:3: "Então eles juraram conjuntamente, obrigando-se a maldições que a todos atingiriam. Eram ao todo duzentos os que, nos dias de Jared, haviam descido sobre o cume do monte Hermon. Chamaram-no Hermon porque sobre ele juraram e se comprometeram a maldições comuns."

  • O Desarmamento dos Poderes Invisíveis: Na cruz, Jesus não apenas perdoou seus pecados; Ele realizou um ato de triunfo jurídico cósmico. O texto afirma que Ele despojou os principados e potestades e os expôs publicamente ao desprezo. Ele tirou das mãos dos deuses caídos a única arma legal que eles tinham contra você: a acusação dos seus pecados.

Colossenses 2:14-15: "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo."

1 Coríntios 2:8: "A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória."

Apocalipse 12:10: "E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite."

  • A Herança das Nações Recuperada: Ao ressuscitar, Jesus proclama que toda a autoridade Lhe foi dada. As nações que Deus havia deserdado e entregue aos falsos deuses em Babel agora pertencem por direito a Jesus. É por isso que a ordem seguinte é fazer discípulos de todas as nações. O Evangelho é um recrutamento internacional de resgate.

Mateus 28:18-19: "E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;"

Salmo 2:8: "Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão."

Apocalipse 11:15: "O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre."


O Custo Teocêntrico da Sua Decisão: Aliança ou Alta Traição


Diante deste panorama cósmico, a sua neutralidade implode. Não existe um espaço neutro entre as linhas de frente dessa batalha. Decidir-se por Jesus é tomar uma posição oficial no tribunal do universo.

  • Transferência Imediata de Jurisdição: Quando você se decide por Cristo, ocorre uma mudança de cidadania e de reino cósmico. Deus nos transporta para o reino do Filho do Seu amor. Você deixa de responder legalmente aos governantes espirituais deste mundo decaído.

Filipenses 3:20: "Mas a nossa nossa cidadania está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo."

Atos 26:18: "Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim."

  • Assumindo o Status de Co-herdeiro do Conselho: A salvação bíblica vai além de morar em uma nuvem. O plano original de Deus de ter humanos governando ao Seu lado é restaurado em Cristo. Aqueles que vencem e permanecem fiéis recebem autoridade sobre as nações e o Novo Testamento afirma categoricamente uma realidade espantosa: nós julgaremos os anjos. Nós substituiremos a administração dos seres rebeldes.

1 Coríntios 6:3: "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?"

Apocalipse 2:26: "E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações."

Apocalipse 3:21: "Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono."

Romanos 8:17: "E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, verdadeiramente herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados."

  • O Veredito da Indecisão: Continuar adiando a decisão por Jesus é o equivalente espiritual a assinar um termo de fidelidade aos deuses que já foram condenados por Deus à destruição eterna. Se você compartilha da rebelião deles, inevitavelmente compartilhará do destino deles.

Salmo 82:6-7: "Disse eu: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes."

Mateus 25:41: "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos."

João 3:36: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece."


Conclusão: De Que Lado da Linha Você Ficará?


O universo está observando a sua resposta. Este mundo não é uma simulação sem sentido; é o cenário de uma reconquista gloriosa. Jesus Cristo sangrou na cruz para pagar a sua fiança jurídica e quebrar o decreto de escravidão que o prendia às forças espirituais do mal.

A pergunta de Jesus a você hoje não é "você quer ser uma pessoa melhor?". A pergunta é: "A quem você servirá na nova ordem mundial eterna?".

Submeta-se ao Rei dos reis. Abandone os falsos deuses, os anjos caídos, as falsas autonomias e as filosofias ocas deste século. Faça hoje o seu voto de lealdade a Jesus Cristo, o governante legítimo da Terra, e assuma o seu lugar de direito no Conselho de Deus.


20 de maio de 2026

O Que é um Apóstolo?

Imagem coma  representação dos 12 apóstolos

Hoje em dia, há muita discussão contemporânea sobre a existência de apóstolos modernos ou mesmo se é aconselhável usar o termo. Pessoalmente, não acho aconselhável devido à confusão que cria (ou poderia criar). O motivo da minha opinião ficará claro neste texto. Poderíamos, de fato, usá-lo hoje se, primeiro, tivéssemos nossas definições corretas - ou seja, alinhadas com as Escrituras - e, segundo, se um número suficiente de pessoas tivesse conhecimento bíblico para discernir com precisão o que está sendo afirmado e o que não está. Diante do desafio da primeira questão e da improbabilidade da segunda, acho melhor evitar o termo.

Da próxima vez que alguém se autodenominar apóstolo, pergunte o que essa pessoa quer dizer com isso. Em particular, pergunte que tipo de apóstolo ela afirma ser. Sim, há mais de um tipo de apóstolo no Novo Testamento. Uma simples busca pelo lema grego traduzido como “apóstolo” (πόστολος / apostolos) é um bom ponto de partida. Ao fazer isso, algumas coisas ficarão claras; e outras começarão a abalar sua visão de mundo. Você descobrirá que há variações no significado do termo em diferentes contextos. Vamos analisar os dados.


Os 12 Originais

Esta é a categoria fácil. Diversas passagens nos fornecem uma lista dos 12 discípulos de Jesus e atribuem a eles a palavra “apóstolo”: Mateus 10:2; Marcos 3:14; Lucas 6:13. Os 12 são mencionados como “apóstolos” também fora dos evangelhos em Apocalipse 21:14.

O grupo é único porque esses 12 foram chamados diretamente por Jesus, viajaram com ele e foram ensinados diretamente por ele. Eles se destacaram de outros que poderiam ter seguido Jesus, ouvindo-o, em virtude de seu chamado e pelo fato de serem explicitamente chamados de - os 12 - e não havia ambiguidade quanto a quem eram os 12 (por exemplo, Mateus 26:20; Marcos 3:16; 6:7; 11:11; 14:17; Lucas 22:3; João 6:67).

Quando o número caiu de 12 para 11 devido à traição e morte de Judas, os discípulos/apóstolos originais sentiram-se compelidos a restaurar o número para 12 conforme Atos 1:15-26. Isso provavelmente se deve ao paralelismo com as 12 tribos conforme Apocalipse 21:12,14. Os critérios para inclusão no grupo dos 12 merecem destaque. De acordo com Atos 1:21-22, os candidatos: (a) haviam acompanhado os outros 11 desde o batismo de Jesus e (b) haviam sido testemunhas do Cristo ressuscitado antes de sua ascensão.


²¹ É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,

²² Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição. (Atos 1:21,22).


*Claramente, ninguém que se autodenomine apóstolo ou que afirme exercer um ministério apostólico hoje em dia se encaixaria nessa descrição.

Pelo menos uma das funções dos 12 apóstolos originais também é de interesse devido à sua singularidade. Os 12 apóstolos originais ministraram na igreja original de Jerusalém, que era de origem judaica. O incidente envolvendo Paulo e Barnabé (o "Concílio de Jerusalém") demonstra que eles detinham autoridade sobre o ministério de Paulo e Barnabé fora de Jerusalém, conforme Atos 15:2,6,22-23.

​​Os 12 originais eram considerados os guardiões da doutrina correta. Questionamentos surgiram após a visão e o ministério de Pedro aos gentios, Cornélio (Atos 10) e o ministério de Paulo aos gentios posteriormente. Parte da justificativa para sua supervisão doutrinária derivava do fato de terem sido testemunhas oculares e ouvintes em primeira mão dos ensinamentos de Jesus. Novamente, sem essas credenciais, essa função não seria esperada não haveria razão para presumir tal autoridade.

Após o Concílio de Jerusalém, Paulo fundou muitas igrejas cujas congregações eram mistas (incluindo judeus e gentios). Não há indícios de que os 12 originais tivessem qualquer tipo de autoridade administrativa sobre essas igrejas. Nem mesmo Paulo poderia reivindicar tal autoridade, visto que ele próprio nomeava os líderes dessas igrejas. Certamente, se surgissem problemas doutrinários, Paulo tomaria medidas para corrigi-los (e a própria autoridade de Paulo para ter esse status havia sido validada pelos 12 originais no Concílio de Jerusalém).

Consequentemente, há pouco mérito na ideia de que alguém possa reivindicar o “status de apóstolo” hoje em dia e exercer autoridade sobre outras igrejas. A questão seria a seguinte: se você não estivesse no nível dos 12 originais, com que base assumiria o manto deles - a autoridade deles? Não vejo nenhum argumento bíblico coerente para isso. Essa ideia surge da confusão entre o termo “apóstolo” em outras passagens e o dos 12 originais, o que, como veremos, o Novo Testamento explicitamente se recusa a fazer, e até mesmo nega.


Os “Outros Apóstolos”, Além Dos 12 Originais, Que Viram o Cristo Ressuscitado


A passagem chave aqui é 1 Coríntios 15:1-9:


¹ Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis.

² Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.

³ Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,

⁴ E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

⁵ E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze.

⁶ Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também.

⁷ Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos.

⁸ E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo.

⁹ Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. (1 Coríntios 15:1-9).


Há vários elementos muito interessantes nesta passagem. Alguns deles podem até surpreender os leitores. A redação é curiosa em alguns trechos. Vamos analisar a passagem, observando as frases interessantes:

Primeiro, o Cristo ressuscitado “apareceu a Cefas (Pedro), depois aos 12” - isso dá a entender que Pedro era distinto dos 12, ou que não fazia parte dos 12. Mas sabemos que essas noções estão incorretas, com base em inúmeras declarações do Novo Testamento. A declaração parece ser uma referência a Lucas 24:34, onde os dois homens a caminho de Emaús retornam a Jerusalém após seu próprio encontro com Jesus ressuscitado e proclamam aos 11 apóstolos [o que é curioso, visto que Pedro estaria entre os 11 com quem eles falavam com entusiasmo]: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão!”.


³⁴ Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. (Lucas 24:34).


Eles então prosseguem relatando seu encontro. Levando em consideração que Judas estava ausente, a expressão “apareceu a Cefas, e depois aos 12” parece incongruente. Não deveria a frase ser "apareceu a Cefas e depois aos 11" (incluindo Pedro)? Na minha opinião, a referência provável da frase em 1 Coríntios 15:5 é que Paulo se refere à ordem relativa dos acontecimentos: o Jesus ressuscitado apareceu a Pedro e, posteriormente, aos DEMAIS apóstolos. Creio que "os 12" aqui se refere aos "apóstolos originais". O número "12" indica isso.

Conforme discutido acima, temos um grupo distinto de apóstolos correspondente aos discípulos originais (os 11, incluindo Pedro). Mas observe agora o que se segue: Jesus apareceu a “mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham falecido. Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os apóstolos". Aqui temos um grupo de “apóstolos” que NÃO são os 12 originais - e Paulo também não está incluído nesse número, pois Paulo se distingue na linha seguinte: "E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus."

A formulação de Paulo levanta uma questão: ele se incluía entre “todos os apóstolos” ou se considerava um apóstolo menor - mas ainda assim um apóstolo - em relação aos outros apóstolos? Então, temos agora dois ou três grupos? Para analisar isso, precisamos considerar outras passagens, como 1 Coríntios 9:5:


⁵ Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? (1 Coríntios 9:5).

Paulo deixa claro aqui (mais uma vez) que havia os 12 apóstolos originais e apóstolos que não eram os 12 originais. A expressão “irmãos do Senhor” (plural) é interessante, devido ao que Paulo escreve em Gálatas 1:19: 

¹⁹ E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. (Gálatas 1:19).


Isso significa que Tiago, um dos irmãos biológicos de Jesus, era considerado um apóstolo - mas ele não era um dos 12 originais, nem atenderia aos critérios de Atos 1:21-22 para preencher a vaga de Judas, pois ele não havia “acompanhado os outros 11 desde o batismo de Jesus”. Levando isso em consideração em 1 Coríntios 15:5, parece que os outros irmãos de Jesus (ou talvez apenas Tiago e Judas) eram chamados de apóstolos. Portanto, há um segundo grupo claro em virtude dessa associação. Juntando-se aos irmãos do Senhor nesse segundo grupo estavam “todos os apóstolos” mencionados em 1 Coríntios 15:7. Parece-me também que essas passagens reforçam a ideia de que esse segundo grupo estava ligado à igreja de Jerusalém.

Mas será que Paulo se considerava (e a outros que ministravam com ele) um terceiro grupo de status inferior? Isso é possível. A inclusão de Tiago (que não era um dos 12 apóstolos originais) junto a esses outros apóstolos sugere (mas não prova) que esse segundo grupo havia convivido com Jesus antes da crucificação e ressurreição. A inclusão de Tiago, assim como a cronologia dos Atos dos Apóstolos, também sugere que esses outros apóstolos tinham sua base em Jerusalém.

Paulo não havia convivido com Jesus antes da cruz, nem seu ministério fazia parte da igreja de Jerusalém. Ele era um forasteiro, chamado para pregar aos gentios. Paulo também se coloca em uma posição inferior (seria apenas uma retórica autodepreciativa?) como o “menor dos apóstolos” em suas palavras. Por fim, como veremos em breve, Paulo se refere a outros parceiros de ministério - incluindo gentios - como apóstolos.

Considerando os dados, parece que temos aqui três grupos, mas os dois grupos que não faziam parte dos 12 tinham o mesmo propósito e status. O que quero dizer é que os dois grupos que não eram os 12 não tinham o mesmo status que os 12, mas contavam mutuamente com o apoio deles. Os 12 originais certamente apoiaram o ministério de Tiago e de outros apóstolos que atuaram na igreja em Jerusalém. E sabemos por Atos 15 que eles (juntamente com Tiago) apoiaram o trabalho de Paulo entre os gentios. Eles o consideravam um apóstolo.

A linguagem usada por Paulo em 1 Coríntios 9:5-6 também deixa claro que ele se considerava - e a Barnabé - um apóstolo. Ou seja, ele se incluía juntamente com seu companheiro na “equação apostólica” em relação ao casamento e à questão do apoio ao ministério. Barnabé é, inclusive, mencionado como apóstolo em Atos 14:4.


⁵ Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?

⁶ Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? (1 Coríntios 9:5,6).


O texto descreve como as pessoas em Icônio, ao ouvirem o evangelho, se posicionaram ou do lado dos judeus ou do lado dos “apóstolos” - isto é, Paulo e Barnabé, que pregavam para eles e que eram alvo da oposição judaica. Atos 14:14 confirma essa identificação ao chamar explicitamente Barnabé (e Paulo) de apóstolo:


¹⁴ Ouvindo, porém, isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando, (Atos 14:14).


Este episódio nos ajuda a entender por que pessoas fora dos 12 originais e da igreja de Jerusalém podiam ser chamadas de apóstolos. Em Atos 13:2-3, Paulo e Barnabé foram comissionados e enviados pelo Espírito Santo para pregar aos gentios. Esse chamado deu início à jornada missionária de Paulo: a primeira de várias. Paulo e Barnabé eram apóstolos - essencialmente o que hoje chamaríamos de missionários.

A palavra “Apóstolo” é um substantivo (apostolos) cuja forma verbal relacionada (apostellō)  significa “enviar”. O substantivo apostolos  (“apóstolo”) “refere-se a pessoas que são enviadas para um propósito específico... mensageiros, enviados”. Paulo também foi acompanhado em seu trabalho missionário por Silas (também conhecido como Silvano). Vemos isso em 1 Tessalonicenses 2:6, onde Paulo, falando de si mesmo, Timóteo e Silvano (conforme 1 Tessalonicenses 1:1), diz:


¹ Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. (1 Tessalonicenses 1:1).


⁶ E não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados; (1 Tessalonicenses 2:6).


Segundo o livro de Atos, foi Silas quem trabalhou com Paulo e Timóteo em Tessalônica (Atos 15:40; Atos 17). É por isso que os estudiosos consideram Silas e Silvano como nomes da mesma pessoa.

Silas, Silvano (Si´luhs, sil-vay´nuhs - em inglês), geralmente considerados nomes alternativos para a mesma pessoa. "Um líder da igreja primitiva e um associado de Paulo. As Epístolas de Paulo (1 Tessalonicenses 1:1; 2 Tessalonicenses 1:1; 2 Coríntios 1:19 e 1 Pedro 5:12) referem-se a ele como Silvano (uma versão latina), mas Atos prefere Silas (uma forma semítica ou uma abreviação grega). De acordo com Atos 15:22-35, Silas e Judas Barsabás, profetas da igreja de Jerusalém, foram enviados juntamente com Paulo e Barnabé para levar os decretos apostólicos da conferência de Jerusalém à igreja em Antioquia. Quando Paulo e Barnabé, em Antioquia, discutiram sobre Marcos (Atos 15:36-41), Paulo escolheu Silas para acompanhá-lo em uma viagem missionária à Ásia Menor e, posteriormente, à Macedônia e Acaia (Atos 15:41-18:5)."


Falsos Apóstolos

Esta última categoria é tão simples quanto a primeira. Havia pessoas na igreja primitiva que se intitulavam “apóstolos”, mas que eram falsos  mestres, propagando um evangelho diferente e desviando os crentes, conforme 2 Coríntios 11:13-15. Eles eram impostores.


¹³ Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.

¹⁴ E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.

¹⁵ Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. (2 Coríntios 11:13-15).


Outras Noções

É importante notar aqui que, embora Paulo tenha tido um encontro com o Cristo ressuscitado, assim como outros apóstolos que não faziam parte dos 12 originais, não há dados bíblicos que sugiram que Timóteo, Barnabé ou Silas tenham tido um encontro com o Cristo ressuscitado. Portanto, isso é uma prova clara de que ter um encontro com Jesus não qualificava alguém para ser apóstolo.

Alguém poderia ser chamado de apóstolo sem esse evento. Por quê? Por causa do que esses apóstolos realmente eram: para usar o termo mais comum, eles eram missionáriosEles fundavam igrejas, ensinavam os crentes e exerciam liderança e supervisão nessas igrejas (não quaisquer igrejas). Depois, repetiam o processo após nomear líderes nessas igrejas (1 Timóteo 3, Tito 1). E observe que esses líderes nomeados tinham títulos diferentes de "apóstolos" - porque não eram enviados para lugar nenhum.

O significado de "apóstolo" como "missionário" seria válido para outros "apóstolos" mencionados no Novo Testamento, que, presumimos, considerando a familiaridade de Paulo com eles e seu trabalho, incluem: Adrônico e Júnias (Romanos 16:7), Epafrodito (Filipenses 2:25) e outros, possivelmente incluindo Tito (2 Coríntios 8:23?). Dada a terminologia, podemos presumir que esses indivíduos foram enviados para fundar ou auxiliar uma igreja. Como tal, desempenhavam funções de liderança: ensino, pregação, evangelismo, discipulado, etc. Isso é o que os líderes da igreja faziam e fazem.

Outra constatação é que, se um apóstolo tinha alguma autoridade, era sobre uma igreja sob seus cuidados diretos. Não há evidências de que apóstolos pudessem reivindicar autoridade sobre igrejas que não fundaram ou nas quais não exerceram ministério de liderança. A única autoridade concebível nesse nível era a dos 12 apóstolos originais, que estavam, obviamente, na igreja de Jerusalém; e que, também obviamente, tinham um status superior como discípulos originais de Jesus.

Não há evidências de que outros nomeados pelos 12 apóstolos originais em Jerusalém tivessem autoridade sobre as igrejas fundadas por Paulo. Não se pode recorrer ao concílio de Jerusalém para sustentar essa ideia, visto que os 12 apóstolos originais que ainda estavam vivos pertenciam àquela igreja.  Eles tinham essa autoridade. É possível que Tiago também a tivesse, já que era irmão consanguíneo de Jesus. O que eles consideravam como tal naturalmente teria uma enorme autoridade. Mas, depois desses indivíduos - cujo status era único por conhecerem o Jesus antes da crucificação - a autoridade de todos os outros era de natureza diferente.

Uma observação frequentemente negligenciada reforça essa ideia de "ausência de autoridade". As igrejas mencionadas no livro do Apocalipse não foram fundadas pelos 12 apóstolos originais. As Escrituras não nos dizem quem fundou essas igrejas. O apóstolo João foi escolhido por Jesus para escrever a essas igrejas, mas a base de autoridade para o que ele escreveu era o próprio Jesus ressuscitado. Diferentemente da linguagem de Paulo ao se dirigir às igrejas que fundou, João jamais reivindica qualquer autoridade sobre essas igrejas, nem apela aos apóstolos de Jerusalém ou a qualquer outra pessoa para governá-las. A autoridade pertence ao Senhor e a mais ninguém.

Por fim, não há qualquer indício, no uso do termo no Novo Testamento, de que um apóstolo seja alguém que  meramente  exerce supervisão com autoridade - e pouco faz em termos de evangelismo, discipulado, ensino, etc. Os apóstolos não eram vice-presidentes executivos. Não eram sábios distantes que observavam de longe o trabalho prático do ministério. Eles realizavam o trabalho do ministério, mostrando a outros como cumprir a Grande Comissão por meio do exemplo.

Essas poucas reflexões são importantes à luz das reivindicações apostólicas modernas de autoridade regional. Essa ideia está ausente no Novo Testamento. Não se pode recorrer a Efésios 4 a esse respeito e, à luz da discussão anterior, deve ficar claro o porquê:


¹¹ E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

¹² Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;

¹³ Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

¹⁴ Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

¹⁵ Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

¹⁶ Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor. (Efésios 4:11-16).


O texto diz que o plano de Deus era dar à igreja nascente “apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores”. E assim Ele fez. Deu apóstolos à igreja original de Jerusalém. Chamou Paulo como apóstolo dos gentios. Outros apóstolos (missionários - estamos falando de plantar igrejas em território gentio) foram comissionados (enviados) para ajudar Paulo (Barnabé, Silas, etc.).

O ponto é o seguinte: uma coisa é os crentes de hoje usarem o termo “apóstolo” dessa passagem para se referirem a missionários que plantam igrejas ou que plantaram a sua própria igreja. Eles têm autoridade legítima nesses lugares. Mas é bem diferente usar esse termo de Efésios 4:11 e reivindicar autoridade sobre igrejas em um município, cidade, estado ou região maior. Todos os ofícios mencionados em Efésios 4:11 e seguintes podem (e de fato o fizeram) funcionar no nível da igreja local. Não há justificativa para interpretar a passagem de outra forma.

Paulo começou o capítulo dirigindo-se aos crentes de Éfesos (Rogo-vos - Efésios 4:1). Não temos justificativa para dizer que Paulo começou a se referir à igreja universal a partir do versículo 11, como se Jesus estivesse nomeando apóstolos regionais ou mundiais sobre grupos coletivos de igrejas locais. Efésios 4 tem em vista cada igreja local e sua própria liderança. Não se concentra em nomear um pequeno grupo de elite para exercer autoridade sobre muitas igrejas.

E certamente não sugere sucessão apostólica (como se os “apóstolos” fora dos 12 herdassem o ofício dos 12). É incoerente supor que tudo o mais na epístola, que Paulo deseja que os leitores acreditem, tenha tido em mente, em primeiro lugar, uma oligarquia religiosa e, em segundo lugar, as igrejas locais individuais. Efésios 4:11-16 foi escrito para uma igreja local e destina-se às igrejas locais em todos os lugares, na qualidade de igrejas locais.

Portanto, ao encontrar alguém cujo título é "apóstolo", você pode perguntar o que isso significa. Se essa pessoa for líder em uma igreja local que fundou ou com a qual foi enviada para trabalhar, o título não é injustificado. Dito isso, nos dias de hoje, o título pode causar confusão devido a mal-entendidos ou uso indevido. Precisamos, portanto, ser cautelosos ao utilizá-lo.



18 de abril de 2025

Notícias: "Ouça-nos, Lúcifer": Torcedores de Futebol Alemão Revelam Oração Satânica em Latim

 

Estádio de futebol com pessoas mostrando imagem de Lúcifer
Captura de tela de um vídeo mostrando uma imagem de um demônio surgindo da multidão em uma partida de futebol no Estádio Fritz Walter, em Kaiserslautern, Alemanha, em 29 de março.

Fãs de um clube de futebol alemão conhecido pelo mascote "Diabos Vermelhos" chocaram os espectadores com uma apresentação coreografada invocando Satanás, com faixas em latim e uma figura gigante parecida com um demônio.

1. O FC Kaiserslautern, fundado em 1900, adotou há muito tempo o apelido "Diabos Vermelhos", uma homenagem ao estilo de jogo aguerrido do time e às cores vermelho e branco. O mascote, frequentemente retratado como uma figura diabólica brincalhona, é um símbolo adorado pelos torcedores, aparecendo em produtos e jogos. As origens do apelido remontam aos primeiros anos do clube, refletindo a garra industrial da região e o espírito competitivo da equipe no futebol alemão.

Durante uma partida de 29 de março contra o Fortuna Düsseldorf no Estádio Fritz Walter, na cidade alemã de Kaiserslautern, os torcedores revelaram um enorme pentagrama vermelho formado na multidão, acompanhado por uma faixa em latim com os dizeres: "Exaudi Nos, Lucifer, Et Surge Ex Abysso, Sume Animas Nostras", traduzido como "Ouça-nos, Lúcifer, levante-se do abismo e aceite nossas almas".


Momentos depois, uma imponente figura diabólica emergiu do pentagrama, simbolizando a invocação de Satanás, aparentemente uma extensão da identidade demoníaca do clube. Assim que a figura apareceu, uma segunda faixa em latim foi hasteada, com os dizeres: "Ad Lucem Nos Trahe, Orbem Mundi Regna, Surge ex Flammis et Appare", que significa "Atraia-nos para a luz, governe o mundo, ressuscite-se das chamas e apareça".

O time derrotou o Fortuna Düsseldorf por 3 a 1. O técnico do Kaiserslautern, Markus Anfang, foi citado pela Catholic News Agency como tendo descrito a exibição como um "momento arrepiante", acrescentando: "Foi simplesmente divertido estar aqui neste estádio hoje".

A exibição gerou ampla controvérsia e alimentou debates sobre se a exibição foi uma provocação ao mascote do clube ou uma invocação inapropriada de temas satânicos em um ambiente esportivo.

A performance atraiu duras críticas no podcast de Taylor Marshall , onde o ex-padre da Igreja Episcopal expressou exaustão ao cobrir incidentes satânicos, afirmando: "Não sei o que está acontecendo, parece que coisas satânicas luciferianas acontecem todos os dias e, honestamente, estou meio cansado de cobrir isso."

Marshall chamou a exibição de "liturgia satânica" e destacou suas inscrições em latim, observando: "Isso não é apenas algo como 'Ei, Satanás é meio legal'. É como chamar, invocar Lúcifer do abismo e dizer: 'Leve nossas almas'. Isso é realmente pecaminoso." Ele relacionou a exibição ao mascote do time, dizendo: "O mascote deles são os Diabos Vermelhos, então acho que eles estão dizendo: 'Ah, nós somos os Diabos Vermelhos, vamos realmente trazer o diabo vermelho Lúcifer'."

Marshall também comentou sobre o contexto cultural, sugerindo: "Os satanistas estão sempre usando latim, estão sempre zombando da missa. Satanás está zombando do catolicismo". Ele questionou o papel da Alemanha em tais demonstrações, afirmando: "O que há de errado com a Alemanha? Se você alguma vez pegasse o diabo pelo tornozelo e o virasse, na sola da bota, estaria escrito: 'Fabricado na Alemanha'".


Para mais informações, veja o link original da matéria em inglês.


https://www.christianpost.com/news/hear-us-lucifer-german-football-fans-unveil-satanic-prayer.html



28 de fevereiro de 2024

Notícias: A América Está se Tornando Menos Religiosa

 

Homem dentro de uma igreja vazia

A América Está se Tornando Menos Religiosa. A Culpa é da Política?

A América está secularizando. A evidência é clara. A questão de por que é um pouco mais obscura. E para os cristãos americanos, uma causa provável deveria ser preocupante – especialmente durante a época eleitoral.

Primeiro, os fatos. De acordo com dados do Gallup, Pew e PRRI, a porcentagem de americanos que se identificam com qualquer religião está em constante declínio, assim como aqueles que acreditam em Deus, no diabo, no Céu, no Inferno ou em anjos; que dizem que a religião é uma parte muito importante da sua vida; manter-se membro de uma igreja ou sinagoga; ou frequentar a igreja regularmente.

Na verdade, os americanos estão cada vez mais conscientes do declínio da autoridade cultural da religião. Desde 2010, o Gallup mostra que quase 74% dos americanos, em média, acreditam que a religião está perdendo a sua influência na vida americana. Nos dez anos anteriores, essa média esteve perto de 55%.


O Que Está Impulsionando o Declínio da Influência da Religião?

Na verdade, nenhuma entidade ou fator recebe toda a culpa (ou crédito, dependendo de como você se sente em relação à situação). Não diretamente, de qualquer maneira.

A prosperidade econômica e a governança funcional (ambas coisas maravilhosas) podem enfraquecer a nossa sentida necessidade de recursos religiosos. Por exemplo, muito do que as instituições religiosas historicamente proporcionaram aos cidadãos da América – educação; aconselhamento; apoio aos necessitados; opções de casamento; entretenimento; e explicações sobre como o mundo funciona – são cada vez mais fornecidas pelo Estado e pelo mercado. A participação na igreja tornou-se mais opcional, apenas mais uma atividade que as famílias da classe média realizam nos subúrbios – ou não.

Outro fator é simplesmente a consequência inevitável de viver numa democracia cada vez mais cosmopolita e multirracial, onde são celebrados os valores liberais da tolerância. A diversidade de bairros, escolas e instituições cívicas obrigam-nos a confrontar a realidade de que existem pessoas maravilhosas por aí que não partilham as nossas crenças religiosas. Nossos filhos serão amigos uns dos outros, talvez até cônjuges. As gerações emergentes consideram o dogma divisivo de muitos grupos religiosos cada vez mais estranho, se não ofensivo.

Mas há outro fator em ação. Nem todas as tendências secularizantes que vemos são inevitáveis. Para além da prosperidade, do pluralismo e da ocupação das nossas vidas modernas, outras dinâmicas estão afastando os americanos.

Nas últimas décadas, sociólogos e cientistas políticos demonstraram em vários estudos que, à medida que o cristianismo se tornou cada vez mais alinhado com o conservadorismo de direita e com o Partido Republicano, os americanos que de outra forma poderiam ter se identificado como cristãos nas pesquisas estão agora se identificando como “nada em particular” ou “nenhum”. A conclusão que muitos parecem chegar é: “Se é isso que significa ser religioso, não conte comigo”.

Este é particularmente o caso entre os jovens, que muitas vezes têm opiniões políticas de esquerda. Em seu premiado livro Secular Surge, o cientista político de Notre Dame David E. Campbell e seus coautores usaram experimentos para mostrar que quando jovens americanos que se inclinavam para o Partido Democrata viam exemplos de políticos fazendo declarações nacionalistas cristãs ou pastores endossando candidatos com políticas conservadoras, esses jovens eram mais propensos a se desfiliarem da religião. Eles literalmente mudaram sua identidade religiosa para nada. Isto parece estar acontecendo em maior escala em todo o país.

Mas a ligação entre religião e política funciona também no sentido oposto e, em última análise, não em benefício da própria religião.

Estudos mostram que os políticos conservadores gostam cada vez mais de se identificar com a religião, muitas vezes por causa do que ela implica politicamente. Por exemplo, o analista político Gregory Smith, do Pew Research Center, descobriu que entre 2016 e 2020, mais americanos brancos começaram a identificar-se com o rótulo “Evangélico Branco”. Mas quando ele explorou quem começou a se identificar dessa forma, foram quase exclusivamente apoiadores de Trump. Por outras palavras, mais americanos brancos foram levados a identificar-se como “evangélicos brancos”, não por causa de uma conversão religiosa onde nasceram de novo, mas porque o próprio rótulo evoluiu para significar algo como “pró-Trump, conservador de valores tradicionais”.

Esta é outra forma pela qual a política impulsionou a secularização. Por um lado, a associação entre a política de direita e a religião está claramente afastando os jovens progressistas da identificação com a religião. Mas também está secularizando as próprias identidades religiosas. Como mostrou o cientista político Ryan Burge, a categoria de evangélicos brancos contém cada vez mais americanos que raramente ou nunca frequentam a igreja. Ser um cristão conservador, por outras palavras, é rapidamente tornar-se menos uma questão de crenças teológicas ou práticas religiosas, mas sim um compromisso com o partidarismo e a ideologia política.

Em última análise, há pouco que os americanos devotamente religiosos possam fazer relativamente às forças secularizantes mais amplas. A este respeito, os Estados Unidos estão seguindo a trajetória religiosa da Europa Ocidental, apenas cerca de 50 anos atrás. Mas a reação reacionária à diminuição da influência da religião, combinada com a crescente identificação do conservadorismo religioso com a política de direita, poderia ressuscitar outra coisa: o nacionalismo étnico-religioso.

Isto é o que vemos na Rússia de Putin, por exemplo. Nas últimas décadas, a percentagem de russos que se identificam com a Ortodoxia Russa cresceu. Mas um exame mais minucioso do Pew Research Center mostra que o ressurgimento não reflete um aumento nas práticas religiosas, como a frequência à igreja e a oração, mas sim o fervor nacionalista, o etnocentrismo e um carinho pela antiga União Soviética e por Stalin.

Os cristãos americanos que estão preocupados com o futuro da sua fé deveriam tomar cuidado. Plantar sua amada fé no solo acolhedor da política partidária é como enterrar seu ente querido no cemitério de animais de estimação de Stephen King. O que retorna não é nem vivo nem morto, mas algo completamente diferente. Potencialmente coisa de filmes de terror.


Link original da matéria em inglês:

https://time.com/6693016/americas-less-religious-politics-to-blame/



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