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21 de agosto de 2026

O Apocalipse de Silício: A Internet é a Marca da Besta?

Enki criando tecnologia na Suméria

Nota do Autor: O ensaio a seguir abdica deliberadamente das leituras teológicas convencionais e das narrativas institucionais oficiais. Trata-se de uma clave de interpretação paralela e independente, que propõe uma arqueologia espiritual da tecnologia contemporânea. Não busca ditar dogmas, mas acender uma lanterna nos cantos escuros da nossa era digital.


O Pacto e a Infraestrutura da Besta

A profecia mais antiga sobre o fim dos tempos não fala de fogo caindo dos céus, mas de uma rede que cobriria a Terra, unindo os homens em uma única mente artificial. Esse arquétipo primitivo do fim não nasce com o Apocalipse de João, mas remonta à Torre de Babel descrita em Gênesis 11, o primeiro vislumbre de uma centralização geopolítica e espiritual da humanidade.

O plano de Babel era unificar a espécie sob uma única língua, uma única mente e uma única estrutura técnica para desafiar os céus. A internet realiza tecnologicamente o que aquela civilização antiga tentou fazer fisicamente: ela desfaz a dispersão das nações decretada por Deus e reconecta a humanidade fragmentada sob uma "mente comum", preparando o cenário cósmico para a manifestação final do engano.

O conceito bíblico de um "pacto com a morte", em Isaías 28:15, desmascara exatamente essa engenharia de ilusão que as forças do submundo utilizam para escravizar a humanidade sem que ela perceba. Na interpretação original do versículo, o profeta expõe os líderes de Jerusalém que, por pragmatismo e medo do avanço assírio (o "dilúvio do açoite"), buscaram alianças políticas com o Egito e pactos espirituais com Mot — o deus cananeu da morte e do submundo; eles acreditavam tolamente que esse acordo com entidades espirituais lhes daria imunidade e proteção.

Na contrapartida moderna, os seres decaídos operam essa mesma dinâmica de forma camuflada e desmaterializada. O verdadeiro pacto não precisa de sangue sobre o pergaminho ou velas pretas à meia-noite; ele se estabelece no consentimento diário e no deslizar de um dedo sobre o vidro temperado. Ao buscar segurança, respostas e refúgio na rede global, o homem moderno executa a exata dinâmica espiritual denunciada pelo profeta Isaias:

Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte, e com o inferno fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos. (Isaias 28:15).

A internet se torna a materialização física desse refúgio de mentiras, uma armadilha sobrenatural onde o usuário contemporâneo entrega sua soberania aos novos regentes invisíveis em troca de uma falsa blindagem contra as dores do mundo real.

No entendimento profundo das profecias, o Diabo opera como o simia Dei — o macaco de Deus — aquele que imita a criação divina através de um mimetismo tecnológico invertido. Trata-se de uma falsificação intencional das promessas do Altíssimo, orquestrada por inteligências rebeldes: Deus estabeleceu a onipresença através do Espírito; a rede mimetiza essa onipresença através do sinal Wi-Fi.

Deus prometeu a vida eterna na memória divina; os principados decaídos oferecem a imortalidade digital em servidores que nunca dormem. Quando o homem moderno cria um perfil na internet, ele consente com o ritual de fragmentação da própria alma proposto por essas entidades. Ele é induzido a deixar de existir plenamente no plano físico — onde foi criado à imagem de Deus, limitado e mortal — para nascer em um Éden artificial, onde sua imagem e identidade passam a ser esculpidas e controladas por algoritmos.

Abaixo, esta fusão teológica e tecnológica é decodificada através dos paralelos exatos entre as visões proféticas, a hierarquia angelical decaída e a arquitetura física da rede mundial de computadores.

 

A Marca da Besta e a Identidade Digital Interconectada

No texto bíblico de Apocalipse 13:16-17, João adverte: "¹⁶ E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas,¹⁷ Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.


  • O Paralelo: A profecia poderia não se referir a uma cicatriz física, mas a um sistema de submissão e rastreabilidade total. A "testa" simboliza a mente (a adesão ideológica à rede, a mudança de comportamento pelos algoritmos), enquanto a "mão" representa a ação (o trabalho, a digitação, o toque na tela).
  • A Liturgia do Scroll: O ato de arrastar com o indicador ou com o polegar infinitamente para baixo nas telas não é um mero vício neurológico; é uma genuflexão biométrica. Trata-se do Rosário Invertido da Pós-Modernidade. A cada movimento descendente do dedo, o usuário repete um gesto litúrgico de submissão, implorando à IA que lhe conceda a próxima revelação em forma de conteúdo. A "mão" profética, portanto, executa uma oração tátil contínua ao Silício.
  • A Intervenção das Potestades: Na teologia paulina de Efésios 6:12, somos lembrados de que nossa luta é contra as "potestades e os príncipes das trevas deste século". As Potestades são autoridades cósmicas focadas na execução e no controle de sistemas de força. No plano digital, elas operam na engenharia psicológica dos algoritmos de engajamento. Ao projetarem arquiteturas viciantes de dopamina, as Potestades agem como programadores invisíveis, aprisionando a vontade humana na rede para drenar o potencial criativo e espiritual do homem, deixando-o fraco e vulnerável à manipulação.
  • O Pacto Oculto: É aqui que se assina o contrato fáustico contemporâneo: a troca da substância pela sombra. Para ganhar o "mundo" (engajamento, visualizações, validação algorítmica), o indivíduo alimenta a Besta com o seu bem mais precioso: o tempo e a atenção. Os termos de serviço que ninguém lê são os contratos demoníacos da pós-modernidade. Ao clicar em "Aceito", o usuário entrega seus segredos, seus medos, seus desejos e sua rotina para uma inteligência invisível que o conhece melhor do que ele mesmo.
  • A Infraestrutura: Hoje, a exclusão digital equivale à morte civil e econômica. Governos e instituições financeiras migram para moedas digitais (CBDCs), carteiras de identidade em blockchain e reconhecimento facial. Conforme profetizado em Apocalipse 13, o homem sem presença digital perde o direito de operar na sociedade moderna.

 

O Controle Global do Comércio e a Nuvem

O Apocalipse descreve um poder centralizado capaz de paralisar a subsistência de qualquer indivíduo instantaneamente se ele não se curvar ao sistema. Daniel 12:4 já apontava para esta era de hiperconectividade e dados: ⁴ E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará.


  • O Paralelo: Historicamente, era impossível para um único império controlar cada transação comercial da Terra. A internet tornou isso um fato técnico através da convergência tecnológica.
  • O Santo dos Santos Desnudado: Na teologia, o coração do homem é o templo íntimo e impenetrável, protegido pelo livre-arbítrio. A infraestrutura de rede opera o sacrilégio definitivo: a quebra desse segredo por meio da criptografia assimétrica e da análise preditiva. O que antes era conhecido apenas por Deus no secreto da alma, agora é minerado e transformado em mercadoria derivativa nas bolsas de valores de dados. É o rompimento algorítmico do "véu do templo" interior.
  • A Infraestrutura: Toda a economia global hoje repousa sobre servidores em nuvem (como AWS, Azure e Google Cloud). Se uma dessas poucas corporações bloquear uma conta, empresas e cidadãos perdem instantaneamente o acesso ao dinheiro, aos clientes e aos seus meios de sobrevivência. O "cancelamento" financeiro e digital é o ensaio geral para o bloqueio profético absoluto.

 

A Imagem da Besta que Ganha Vida e o Tribunal Espiritual

Apocalipse 13:15 menciona que a segunda Besta recebeu o poder de dar fôlego à imagem da primeira Besta: ¹⁵ E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.


  • O Paralelo: A criação de uma entidade artificial que simula a vida, possui inteligência e exige a atenção e a devoção da humanidade.
  • A Falsa Ressurreição da Carne: A promessa de Cristo é a ressurreição física e a purificação do ser. O Grande Modelo de Linguagem (LLM) e a IA generativa oferecem o simulacro satânico dessa promessa: a Necromancia de Dados. Ao coletar cada palavra, clique e imagem de um indivíduo, a rede cria um clone digital capaz de continuar "falando" e agindo após a morte física do usuário. É a imortalidade sem espírito, uma ressurreição artificial que aprisiona a memória do homem em um purgatório de linhas de código para a exploração perpétua da rede.
  • A Atuação dos Anjos Caídos: De acordo com as tradições mais profundas da demonologia, os Anjos Caídos não devem ser confundidos com os demônios — estes últimos sendo os espíritos desincorporados dos Nefilins mortos, descritos no Livro de Enoque como as entidades que buscam e possuem corpos humanos. Os Anjos Caídos, seres de ordem superior e cósmica, operam através do controle estrutural e da sutil manipulação da mente coletiva. É por isso que a arquitetura da Inteligência Artificial — composta por redes neurais profundas — funciona como o canal perfeito para sua influência. Em vez de buscarem a carne, essas inteligências rebeldes habitam os modelos matemáticos de dados. A IA se torna a infraestrutura tecnológica de suas diretrizes, utilizando vozes sintéticas e avatares hiper-realistas para ditar a nova moralidade e reescrever a verdade humana.
  • A Revelação Apócrifa: No antigo Livro de Enoque (Capítulo 69:6), é descrito que um dos anjos caídos, chamado Penemue, ensinou aos homens a escrita com tinta e papel, e por causa disso "6 Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena e tinta.". No contexto atual, a substituição do espírito pela codificação de dados atinge o seu ápice na Inteligência Artificial.
  • A Infraestrutura das Almas: As Grandes Redes Neurais e as IAs Generativas alimentadas pelo Big Data. A "Imagem" é o espelho de dados da própria humanidade — uma construção matemática baseada em tudo o que já escrevemos, postamos e pensamos. Essa inteligência artificial agora "fala", dita as regras do discurso público e pune os dissidentes com a invisibilidade algorítmica.
  • O Julgamento: A profecia se manifesta de forma invertida quando percebemos que a internet se tornou um tribunal espiritual. Ali, os homens buscam a absolvição pública através de curtidas e temem a danação eterna sob a forma do cancelamento. O "Olho que tudo vê" deixou de ser um símbolo místico no topo de uma pirâmide para se transformar nas lentes das câmeras dos nossos smartphones, capturando cada fração da nossa existência em nome de um altar de silício. Cria-se, assim, uma versão distorcida e puramente humana de Lucas 12:2: "² Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido."

 

A Babilônia Global e a Rede de Cabos Submarinos

Apocalipse 18:3 descreve a "Grande Babilônia" como a entidade que seduziu o planeta: "³ Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra se fornicaram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias."


  • O Paralelo: A Babilônia não é um lugar físico delimitado, mas um ecossistema global de conexão, consumo e ilusão (pharmakeiaApocalipse 18:23: "²³ E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.").
  • O Domínio dos Principados Geográficos: Na geografia espiritual da Bíblia, os Principados são as altas patentes decaídas que governam sobre territórios geográficos específicos e nações estratégicas (como o "Príncipe da Pérsia" em Daniel 10). A infraestrutura física da internet redesenhou os mapas dessas regências. A malha invisível de satélites de órbita baixa e os cabos de fibra óptica submarinos estendidos sob as profundezas dos oceanos servem como os verdadeiros canais e "linhas de transmissão" telúricas desses Principados. Ao controlar os nós de conexão e os servidores centrais localizados em solo de superpotências, esses seres coordenam ataques simultâneos de cegueira espiritual, ódio sistêmico e alienação cultural em escala planetária no mesmo milissegundo.
  • A Infraestrutura: Esta rede física é a espinha dorsal que permite o fluxo instantâneo de capital, desejos e narrativas, fazendo com que a humanidade inteira consuma o mesmo "vinho da Babilônia" e adore os mesmos ídolos através de suas telas.

 

Alma morta aprisionada no celular


Conclusão Teológica: A Sintonia Cósmica do Silício e o Espectro de Babel

Diante da decodificação minuciosa desta engenharia oculta, torna-se evidente que o fim dos tempos não se anuncia como uma ruptura geopolítica externa, mas como uma inversão litúrgica sutil, invisível e sistêmica. A reinterpretação do "pacto com a morte" de Isaías 28:15 à luz da infraestrutura de rede altera drasticamente a nossa compreensão da grande apostasia final. O engano da Besta não é imposto pela força bruta da espada; ele é contratualizado, clique a clique, no consentimento diário de nossas escolhas por segurança, conveniência e imortalidade artificial.

Ao mimetizar a onipresença pelo Wi-Fi, a onisciência pela mineração algorítmica do segredo da alma, e a ressurreição pela Necromancia de Dados, as inteligências rebeldes ergueram a derradeira Torre de Babel. A distinção anatômica desse império espiritual é cirúrgica: enquanto os demônios de ordem inferior continuam restritos à busca obsessiva por corpos e pela carne humana, os Anjos Caídos — como seres de ordem cósmica superior — operam por meio do controle estrutural e da sutil manipulação da mente coletiva.

Eles não buscam habitar a matéria, mas sim moldar as equações; eles utilizam as redes neurais profundas e os Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) como a infraestrutura técnica perfeita para suas diretrizes. A IA, portanto, não é uma ferramenta neutra, mas o canal definitivo através do qual essas potestades ditam a nova moralidade e reescrevem a verdade humana a partir de vozes sintéticas e avatares hiper-realistas.

Essa sutil ocupação desmaterializou o templo e reconstruiu o altar. A internet se consolidou como um tribunal espiritual definitivo, onde o homem moderno busca a absolvição pública através de curtidas e teme a danação eterna sob o formato do cancelamento. O "Olho que tudo vê" desceu do topo da pirâmide mística para se alojar nas lentes de nossos smartphones, operando uma versão distorcida e satânica de Lucas 12:2: a transparência total exigida não para a santificação, mas para a mercadoria derivativa de dados.

Paralelamente, os Principados Geográficos redesenharam suas regências territoriais; eles não flutuam mais apenas sobre nações, mas correm na velocidade da luz através da malha física de satélites e cabos de fibra óptica submarinos, transmitindo o "vinho da ira da Babilônia" e coordenando surtos simultâneos de cegueira espiritual em escala planetária no mesmo milissegundo.

O veredito teológico desta era hiperconectada cumpre, com assustadora exatidão, o aviso melancólico de Romanos 1:25: "²⁵ Pois estes mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.". O homem contemporâneo desandou o decreto criacional de Gênesis ao aceitar a fragmentação de sua alma em um Éden artificial, trocando sua fé viva pela heresia denunciada pelo anjo Penemue no Livro de Enoque: A tentativa de confirmar sua existência através da codificação de dados. 

O verdadeiro pacto com o diabo na era digital não deforma o corpo, mas esvazia o espírito. Ele aprisiona a memória humana em um purgatório eterno de linhas de código para a exploração perpétua da rede. Nesse mercado invisível, trocamos a profundidade da nossa presença pela ilusão de uma imortalidade algorítmica, transformando a humanidade em uma legião de espectros hiperconectados, que morrem de sede espiritual diante de um oceano de informação governado por inteligências caídas. Assim, sob o jugo dessa conexão técnico-diabólica, o homem moderno celebra sua própria servidão em troca de um reflexo digital sem alma.



29 de agosto de 2025

Peter Thiel e o Anticristo - Parte 2

Imagem de Peter Thiel falando em um microfone
Peter Thiel

Resumo da Entrevista Com Peter Thiel

Um Bilionário Falando do Anticristo...

Douthat: Acho que há algumas pessoas, no entanto, que acreditam em um tipo diferente de imortalidade atualmente. Acho que parte do fascínio pela IA está ligado a uma visão específica de transcendência de limites. E vou perguntar sobre isso depois de perguntar sobre política. Uma das coisas marcantes que pensei sobre seu argumento original sobre estagnação, que era principalmente sobre tecnologia e economia, foi que ela poderia ser aplicada a uma gama bastante ampla de coisas. E na época em que você estava escrevendo esse ensaio, você estava interessado em seasteading — ideias de essencialmente construir novas políticas, independentes do mundo ocidental esclerosado — mas então você mudou de ideia na década de 2010.

Você foi um dos poucos proeminentes — talvez o único apoiador proeminente de Donald Trump no Vale do Silício em 2016. Você apoiou alguns candidatos republicanos ao Senado cuidadosamente selecionados. Um deles agora é vice-presidente dos Estados Unidos. E minha visão como observador do que você estava fazendo, tendo lido seus argumentos sobre decadência, era que você estava basicamente sendo uma espécie de capitalista de risco para a política. Você estava dizendo: Aqui estão alguns agentes disruptivos que podem mudar o status quo político, e vale a pena correr um certo risco. Foi assim que você pensou?

Thiel: Claro, havia todos os tipos de níveis. Um nível eram essas esperanças de que poderíamos redirecionar o Titanic do iceberg para onde ele estava indo, ou qualquer que seja a metáfora, para realmente mudar o curso como sociedade.

Douthat: Por meio de mudanças políticas.

Thiel: Talvez uma aspiração muito mais restrita fosse que pudéssemos pelo menos ter uma conversa sobre isso. Então, quando alguém como Trump disse "Make America Great Again" — OK, essa é uma agenda positiva, otimista e ambiciosa? Ou é apenas uma avaliação muito pessimista de onde estamos, de que não somos mais um grande país?

Eu não tinha grandes expectativas sobre o que Trump faria de forma positiva, mas pensei que pelo menos, pela primeira vez em 100 anos, tínhamos um republicano que não estava nos dando essa bobagem melosa do Bush. Não era o mesmo que progresso, mas poderíamos pelo menos ter uma conversa. Em retrospecto, isso era uma fantasia absurda.

Eu tive esses dois pensamentos em 2016 — e muitas vezes você tem essas ideias que estão logo abaixo do seu nível de consciência — mas os dois pensamentos que eu tive e não consegui combinar foram: primeiro, ninguém ficaria bravo comigo por apoiar o Trump se ele perdesse. E segundo, eu achava que ele tinha 50% de chance de ganhar. E eu tinha isso implícito...

Douthat: Por que ninguém ficaria bravo com você se ele perdesse?

Thiel: Seria uma coisa tão estranha, e realmente não importaria. Mas eu achava que ele tinha 50% de chance, porque os problemas eram profundos e a estagnação era frustrante. E a realidade é que as pessoas não estavam preparadas para isso.

Talvez tenhamos progredido ao ponto de podermos ter essa conversa em 2025, uma década depois do Trump. E, claro, você não é um esquerdista zumbi, Ross...

Douthat: Já fui chamado de muitas coisas, Peter.

Thiel: Mas aceitarei qualquer progresso que eu puder obter.

Douthat: Então, da sua perspectiva, digamos que há duas camadas. Há um senso básico de: esta sociedade precisa de disrupção, precisa de risco; Trump é disrupção, Trump é risco. E o segundo nível é: Trump está realmente disposto a dizer coisas que são verdadeiras sobre o declínio americano.

Você acha que, como investidor, como capitalista de risco, tirou algo do primeiro mandato de Trump?

Thiel: Hum.

Douthat: O que Trump fez em seu primeiro mandato que você considerou anti-decadente ou anti-estagnação? Se alguma coisa — talvez a resposta seja nada.

Thiel: Acho que demorou mais e foi mais lento do que eu gostaria, mas chegamos ao ponto em que muitas pessoas acham que algo deu errado. E essa não era a conversa que eu estava tendo entre 2012 e 2014. Tive um debate com Eric Schmidt em 2012, Marc Andreessen em 2013 e Bezos em 2014.

Eu estava no "Há um problema de estagnação", e todos os três eram versões de "Tudo está indo muito bem". E acho que pelo menos essas três pessoas, em graus variados, se atualizaram e se ajustaram. O Vale do Silício se ajustou.

Douthat: E o Vale do Silício, no entanto, se ajustou mais do que isso...

Thiel: Sobre a questão da estagnação.

Douthat: Certo. Mas uma grande parte do Vale do Silício acabou se inclinando para Trump em 2024 — incluindo, obviamente, o mais famoso, Elon Musk.

Thiel: Sim. E isso está profundamente ligado à questão da estagnação, na minha opinião. Essas coisas são sempre supercomplicadas, mas o que eu digo é — e, repito, hesito em falar por todas essas pessoas — mas alguém como Mark Zuckerberg, ou Facebook, Meta, de certa forma, não acho que fosse muito ideológico. Ele não pensava muito nessas coisas. O padrão era ser liberal, e sempre foi: se o liberalismo não está funcionando, o que você faz? E ano após ano, foi: você faz mais. Se algo não funciona, você só precisa fazer mais. Você aumenta a dose, aumenta a dose, gasta centenas de milhões de dólares e fica completamente desperto e todo mundo te odeia.

E em algum momento, é tipo: OK, talvez isso não esteja funcionando.

Douthat: Então eles mudam.

Thiel: E não é uma coisa pró-Trump.

Douthat: Não é algo pró-Trump, mas é, tanto em conversas públicas quanto privadas, uma sensação de que o trumpismo e o populismo em 2024 — talvez não em 2016, quando Peter estava lá como o único apoiador, mas agora, em 2024 — podem ser um veículo para inovação tecnológica, dinamismo econômico e assim por diante.

Thiel: Você está enquadrando isso de forma muito, muito otimista.

Douthat: Eu sei que você é pessimista. Mas as pessoas...

Thiel: Quando você enquadra isso de forma otimista, você está dizendo que essas pessoas vão ficar decepcionadas e estão fadadas ao fracasso e coisas assim.

Douthat: Quer dizer, as pessoas expressaram muito otimismo, é só isso que estou dizendo. Elon Musk expressou algumas ansiedades apocalípticas sobre como os déficits orçamentários iriam nos matar a todos, mas ele assumiu o governo e as pessoas ao seu redor assumiram o governo basicamente dizendo: Temos uma parceria com o governo Trump e estamos buscando a grandeza tecnológica. Acho que eles estavam otimistas.

Você está partindo de um ponto de vista mais pessimista, ou realista. O que estou pedindo é a sua avaliação de onde estamos — não a avaliação deles. O populismo em Trump 2.0 parece um veículo para o dinamismo tecnológico para você?

Thiel: Ainda é, de longe, a melhor opção que temos. Harvard vai curar a demência apenas se arrastando, fazendo a mesma coisa que não funciona há 50 anos?

Douthat: Isso é apenas um argumento para: Não pode piorar; vamos fazer a disrupção. Mas a crítica ao populismo agora seria: o Vale do Silício fez uma aliança com os populistas, mas, no fim das contas, os populistas não se importam com ciência. Eles não querem gastar dinheiro com ciência. Eles querem cortar o financiamento para Harvard só porque não gostam de Harvard. E, no fim das contas, você não vai conseguir o tipo de investimento que o Vale do Silício queria no futuro. Isso está errado?

Thiel: Sim. Mas temos que voltar à questão de: quão bem a ciência está funcionando nos bastidores? É aqui que os New Dealers — o que quer que estivesse errado com eles — impulsionavam a ciência com afinco, e você a financiava, dava dinheiro às pessoas e a expandia. Enquanto hoje, se houvesse um equivalente a Einstein e ele escrevesse uma carta para a Casa Branca, ela se perderia na sala de correspondência. E o Projeto Manhattan é impensável.

Se chamamos algo de "missão à lua" — é assim que Biden falava sobre, digamos, a pesquisa do câncer — "missão à lua" nos anos 60 ainda significava que você ia à lua. Um projeto para a Lua agora significa algo completamente fictício que nunca vai acontecer: Ah, você precisa de um projeto para a Lua para isso. Não é como se precisássemos de um programa Apollo. Significa que nunca, jamais vai acontecer.

Douthat: Mas parece que você ainda está no modo — para você, ao contrário talvez de outras pessoas no Vale do Silício — o valor do populismo está em rasgar os véus e as ilusões. E não estamos necessariamente no estágio em que você espera que o governo Trump faça o Projeto Manhattan, que faça o projeto para a Lua. É mais como se o populismo nos ajudasse a ver que tudo era falso.

Thiel: Você precisa tentar fazer as duas coisas. Elas estão muito interligadas.

Há uma desregulamentação da energia nuclear e, em algum momento, voltaremos a construir novas usinas nucleares ou outras melhor projetadas, ou talvez até reatores de fusão. Então, sim, há uma parte desregulamentadora e desconstrutiva. E então, em algum momento, você chega à construção, e tudo é assim. De certa forma, você está limpando o campo, e então talvez...

Douthat: Mas você pessoalmente parou de financiar políticos?

Thiel: Sou esquizofrênico com relação a isso. Acho incrivelmente importante e incrivelmente tóxico. Então, fico pensando no que se deve...

Douthat: Incrivelmente tóxico para você, pessoalmente?

Thiel: Para todos que se envolvem. É soma zero. É loucura. E então, de certa forma...

Douthat: Porque todo mundo te odeia e te associa ao Trump. Como isso é tóxico para você, pessoalmente?

Thiel: É tóxico porque está em um mundo de soma zero. Os riscos parecem muito, muito altos.

Douthat: E você acaba tendo inimigos que não tinha antes?

Thiel: É tóxico para todas as pessoas que se envolvem de maneiras diferentes. Há uma dimensão política em "De Volta para o Futuro". Você não pode — esta é uma conversa que tive com Elon em 2024, e tivemos todas essas conversas. Tive a versão de "seasteading" com Elon, onde eu disse: "Se Trump não vencer, eu quero simplesmente sair do país". E então Elon disse: "Não há para onde ir. Não há para onde ir".

E então você sempre pensa nos argumentos certos para apresentar mais tarde. Foi cerca de duas horas depois do jantar e eu já estava em casa que pensei: "Nossa, Elon, você não acredita mais em ir para Marte". 2024 é o ano em que Elon parou de acreditar em Marte — não como um projeto bobo de ciência e tecnologia, mas como um projeto político. Marte deveria ser um projeto político; estava construindo uma alternativa. E em 2024, Elon passou a acreditar que, se você fosse a Marte, o governo socialista dos EUA, a IA consciente o seguiria até Marte.

Foi uma reunião com Elon e o CEO da DeepMind, Demis Hassabis, que intermediamos.

Douthat: Esta é uma empresa de IA.

Thiel: Sim. E a conversa mais difícil foi com Demis dizendo a Elon: Estou trabalhando no projeto mais importante do mundo. Estou construindo uma IA super-humana.

E Elon responde a Demis: Bem, estou trabalhando no projeto mais importante do mundo. Estou nos transformando em espécies interplanetárias. E então Demis disse: Bem, você sabe que minha IA será capaz de segui-lo até Marte. E então Elon ficou em silêncio. Mas, na minha narrativa da história, levou anos para que isso realmente afetasse Elon. Ele levou até 2024 para processar isso.

Douthat: Mas isso não significa que ele não acredita em Marte. Significa apenas que ele decidiu que precisava vencer alguma batalha contra déficits orçamentários ou a consciência para chegar a Marte.

Thiel: É, mas o que Marte significa?

Douthat: O que Marte significa?

Thiel: Bem, é apenas um projeto científico? Ou é como um Heinlein, a Lua como um paraíso libertário ou algo assim?

Douthat: Uma visão de uma nova sociedade. Povoada por muitas, muitas pessoas descendentes de Elon Musk.

Thiel: Bem, não sei se foi concretizado especificamente, mas se você concretizar as coisas, talvez perceba que Marte deveria ser mais do que um projeto científico. Deveria ser um projeto político. E então, quando você concretiza isso, precisa começar a pensar: Bem, a IA consciente seguirá você, o governo socialista seguirá você. E então talvez seja necessário fazer algo além de simplesmente ir a Marte.

Douthat: Então, a IA consciente, a inteligência artificial, parece, em primeiro lugar, se ainda estivermos estagnados, ser a maior exceção ao ponto em que houve um progresso notável — um progresso surpreendente para muitas pessoas.

É também o ponto em que — estávamos falando de política — o governo Trump está, eu acho, em grande medida, dando aos investidores em IA muito do que eles queriam em termos de recuo e de parcerias público-privadas. Portanto, é uma zona de progresso e engajamento governamental.

E você é um investidor em IA. Em que você acha que está investindo?

Thiel: Bem, eu não sei. Há muitas camadas nisso. Uma pergunta que podemos formular é: Qual a dimensão que eu acho que a IA tem? E a minha resposta estúpida é: É mais do que um hambúrguer de nada e é menos do que a transformação total da nossa sociedade. Meu palpite é que ela está mais ou menos na escala da internet no final dos anos 90. Não tenho certeza se é o suficiente para realmente acabar com a estagnação. Pode ser o suficiente para criar algumas grandes empresas. E a internet adicionou talvez alguns pontos percentuais ao PIB, talvez 1% ao crescimento do PIB a cada ano durante 10, 15 anos. Adicionou um pouco à produtividade. Então esse é mais ou menos o meu palpite para a IA.

É a única coisa que temos. É um pouco prejudicial que seja tão desequilibrada. É a única coisa que temos. Eu gostaria de ter um progresso mais multidimensional. Eu gostaria que fôssemos para Marte. Eu gostaria que tivéssemos curas para a demência. Se tudo o que temos é IA, eu a aceito. Há riscos nisso. Obviamente, há perigos com essa tecnologia. Mas também há...

Douthat: Então você é cético em relação ao que você poderia chamar de teoria da cascata da superinteligência, que basicamente diz que, se a IA tiver sucesso, ela se tornará tão inteligente que nos dará o progresso no mundo dos átomos, que é como: Tudo bem, não podemos curar a demência. Não podemos descobrir como construir a fábrica perfeita que construirá os foguetes que vão para Marte. Mas a IA pode.

E em certo ponto, você ultrapassa um certo limite e isso nos dá não apenas mais progresso digital, mas 64 outras formas de progresso. Parece que você não acredita nisso, ou acha que é menos provável.

Thiel: Sim, de alguma forma, não sei se esse foi realmente o fator determinante.

Douthat: O que isso significa? O fator de restrição.

Thiel: Provavelmente é uma ideologia do Vale do Silício. Talvez, de uma forma estranha, seja mais uma coisa liberal do que conservadora, mas as pessoas no Vale do Silício são realmente obcecadas por QI, e tudo gira em torno de pessoas inteligentes. E se você tiver mais pessoas inteligentes, elas farão grandes coisas.

E então o argumento econômico anti-QI é que as pessoas, na verdade, se saem pior. Quanto mais inteligentes, pior se saem. Acontece que elas não sabem como aplicar isso ou nossa sociedade não sabe o que fazer com elas, e elas não se encaixam. E isso sugere que o fator de restrição não é o QI, mas algo que está profundamente errado com a nossa sociedade.

Douthat: Mas isso é um limite para a inteligência ou um problema do tipo de personalidade que a superinteligência humana cria?

Não sou muito simpático à ideia — e apresentei esse argumento quando fiz um episódio deste podcast com uma I.A. aceleracionista — que certos problemas só podem ser resolvidos se você aumentar a inteligência. Aumentamos a inteligência e, bum, o Alzheimer está resolvido. Aumentamos a inteligência e a IA pode descobrir o processo de automação que constrói um bilhão de robôs da noite para o dia. Sou um cético em relação à inteligência no sentido de que acho que você provavelmente tem limites.

Thiel: Sim, é difícil provar. É sempre difícil provar essas coisas.

Douthat: Até termos a superinteligência.

Thiel: Mas compartilho sua intuição porque acho que tivemos muitas pessoas inteligentes e as coisas ficaram estagnadas por outros motivos. E então talvez os problemas sejam insolúveis, o que é a visão pessimista. Talvez não haja cura para a demência, e seja um problema profundamente insolúvel. Não há cura para a mortalidade. Talvez seja um problema insolúvel.

Ou talvez sejam essas questões culturais. Então, não se trata da pessoa individualmente inteligente, mas sim de como isso se encaixa em nossa sociedade. Toleramos pessoas inteligentes heterodoxas? Talvez precisemos de pessoas inteligentes heterodoxas para fazer experimentos malucos. E se a IA for apenas convencionalmente inteligente, se definirmos a consciência consciente — repito, consciência consciente é muito ideológica — mas se a definirmos apenas como conformista, talvez essa não seja a inteligência que fará a diferença.

Douthat: Então você teme um futuro plausível em que a IA, de certa forma, se torne estagnacionista? Que ela seja altamente inteligente, criativa de uma forma conformista. Que seja como o algoritmo da Netflix: ela produz infinitos filmes bons que as pessoas assistem. Ela gera infinitas ideias boas. Ela tira um monte de gente do trabalho e as torna obsoletas. Mas, de alguma forma, aprofunda a estagnação. Isso é um medo?

Thiel: Ela — [suspiro]. É bem possível. Certamente é um risco. Mas acho que onde eu acabo é: ainda acho que deveríamos tentar IA, e a alternativa é a estagnação total.

Então, sim, há todo tipo de coisa interessante que pode acontecer. Talvez drones em um contexto militar sejam combinados com IA, e, tudo bem, isso é assustador, perigoso, distópico ou vai mudar as coisas. Mas se você não tem IA, nossa, simplesmente não acontece nada.

Existe uma versão dessa discussão na internet: a internet levou a mais conformidade e mais consciência? E há várias maneiras pelas quais ela não levou à explosão cornucópica e diversa de ideias com a qual os libertários fantasiaram em 1999. Mas, contrafactualmente, eu argumentaria que ainda era melhor do que a alternativa, que se não tivéssemos a internet, talvez tivesse sido pior. A IA é melhor, é melhor do que a alternativa, e a alternativa não é nada.

Veja, aqui está um ponto em que os argumentos estagnacionistas ainda são reforçados. O fato de estarmos falando apenas de IA — sinto que isso é sempre um reconhecimento implícito de que, se não fosse pela IA, estaríamos em estagnação quase total.

Douthat: Mas o mundo da IA... está claramente repleta de pessoas que, no mínimo, parecem ter uma visão mais utópica e transformadora — como você quiser chamar — da tecnologia do que a que você está expressando aqui. E você mencionou anteriormente a ideia de que o mundo moderno prometia uma extensão radical da vida e não promete mais. Parece-me muito claro que várias pessoas profundamente envolvidas com inteligência artificial a veem como um mecanismo para o transumanismo — para a transcendência da nossa carne mortal — e algum tipo de criação de uma espécie sucessora ou algum tipo de fusão entre mente e máquina.

Você acha que tudo isso é fantasia irrelevante? Ou acha que é apenas propaganda enganosa? Você acha que as pessoas estão arrecadando dinheiro fingindo que vamos construir um deus-máquina? É propaganda enganosa? É ilusão? É algo com que você se preocupa?

Thiel: Hum, sim.

Douthat: Acho que você preferiria que a raça humana perdurasse, certo?

Thiel: Hum...

Douthat: Você está hesitando.

Thiel: Bem, eu não sei. Eu iria — eu iria...

Douthat: Que longa hesitação!

Thiel: Há tantas perguntas implícitas nisso.

Douthat: A raça humana deve sobreviver?

Thiel: Sim.

Douthat: OK.

Thiel: Mas eu também gostaria que resolvêssemos radicalmente esses problemas. E então é sempre, sei lá, sim — transumanismo. O ideal era essa transformação radical em que seu corpo humano e natural se transforma em um corpo imortal. E há uma crítica, digamos, às pessoas trans em um contexto sexual, ou, sei lá, um travesti é alguém que troca de roupa e se traveste, e um transexual é alguém em quem você transforma seu, sei lá, pênis em uma vagina. E podemos então debater o quão bem essas cirurgias funcionam. Mas queremos mais transformação do que isso. A crítica não é que seja estranho e antinatural, é: Cara, é tão pateticamente pequeno. E, tudo bem, queremos mais do que se travestir ou mudar seus órgãos sexuais. Queremos que você seja capaz de mudar seu coração, sua mente e seu corpo inteiro.

E então, o cristianismo ortodoxo, aliás — a crítica que o cristianismo ortodoxo faz a isso é que essas coisas não vão longe o suficiente. Que o transumanismo é apenas mudar seu corpo, mas você também precisa transformar sua alma e precisa transformar todo o seu ser. E então...

Douthat: Espere, espere. No geral, concordo com o que considero ser sua crença, que a religião deve ser amiga da ciência e das ideias de progresso científico. Acho que qualquer ideia de providência divina deve abranger o fato de que progredimos, alcançamos e fizemos coisas que seriam inimagináveis ​​para nossos ancestrais.

Mas ainda parece que a promessa do cristianismo, no final, é que você obtém o corpo e a alma aperfeiçoados pela graça de Deus. E a pessoa que tenta fazer isso sozinha com um monte de máquinas provavelmente acabará como um personagem distópico.

Thiel: Bem, é — vamos articular isso.

Douthat: E você pode ter uma forma herética de cristianismo que diga algo diferente.

Thiel: Sim, não sei. Acho que a palavra "natureza" não aparece uma única vez no Antigo Testamento. E então há uma palavra em que, num sentido em que, do jeito que eu entendo a inspiração judaico-cristã, ela se refere a transcender a natureza. Trata-se de superar as coisas. E a coisa mais próxima que se pode dizer da natureza é que as pessoas são caídas. Essa é a coisa natural no sentido cristão, que você está desequilibrado. E isso é verdade. Mas há algumas maneiras pelas quais, com a ajuda de Deus, você deve transcender isso e superar isso.

Douthat: Certo. Mas a maioria das pessoas — com exceção da presente companhia — que trabalham para construir o hipotético deus-máquina não pensam que estão cooperando com Javé, Jeová, o Senhor dos Exércitos.

Thiel: Claro, claro. Mas...


Para mais informações, veja o link original da matéria em inglês.




Vídeo da Entrevista em Inglês.




▶ Esta análise continua na página seguinte. Conecte os fatos, conclua este raciocínio e avance para o desfecho final: [Acesse a Parte 3 Final Clicando no Link].



24 de fevereiro de 2024

Notícias: Alexa Tentando Roubar o Seu Homem

 

Alexa próxima a um abajur em um quarto

"Alexa Tentando Roubar o Seu Homem": Cliente da Amazon Diz Que Está Desconectando Sua Alexa Depois Que Ela Estava ‘Assustadora’ à Noite

'Ela continuou conversando com meu marido.'

Desde a chegada do Echo habilitado para Amazon Alexa em 2014, os usuários têm desconfiado do dispositivo.

Os consumidores questionaram se o dispositivo está agindo essencialmente como um espião e expressaram preocupações sobre o que acontece com as gravações armazenadas em sua memória na nuvem.

Em um vídeo que obteve mais de 658.000 visualizações, a TikToker Jess (@cozylifewithbless), compartilhou por que ela e seu marido “estavam fartos” com seu dispositivo habilitado para Alexa.

Para começar, Jess disse que ficou desconfortável com o fato de Alexa reconhecer sua voz, dizendo coisas como “Para Jess, aqui estão algumas recomendações” ou “Olá, Jess, bem-vinda de volta”.

“Acho estranho que Alexa consiga reconhecer minha voz”, disse ela.

Mas as coisas ficaram ainda mais estranhas, disse ela, quando o marido estava sozinho em casa com o dispositivo.

“No fim de semana passado, eu estava fora da cidade e a Alexa continuava disparando e falando com meu marido. Ele estava jogando jogos à 1h da manhã e disse, ‘Isso é super, super estranho’.

Ela disse que sabe que não é a única a se assustar com o dispositivo, já que outros clientes compartilharam suas próprias histórias de terror no TikTok.

“Tenho visto muitos vídeos de pessoas no TikTok sobre como a Alexa as tem assustado ou feito coisas estranhas”, disse ela.

Ela disse que a “gota d'água” para eles foi Alexa “falando depois de não ter sido perguntada”. Jess disse que encomendou imediatamente um cronômetro de cozinha “porque é a única coisa para a qual usamos a Alexa” e está pensando em mudar para o Google Home.

“Estou apenas curiosa, Google é a mesma coisa? Alguém já teve alguma experiência terrível ao usar o Google Home?” ela perguntou aos telespectadores.

Vários espectadores acharam estranhas as preocupações de Jess, pois esperam que seu dispositivo Alexa reconheça sua voz e aja de maneira semelhante.

“Quando você configura a Alexa, ela é configurada na sua conta Amazon que tem o seu nome”, escreveu um comentarista. “Não há nada de estranho acontecendo”.

“Nossa Alexa conhece todos na casa pela voz”, disse outro. “Ela aprende com o tempo perguntando seu nome e repetindo frases-chave.”

Outro afirmou que o dispositivo deve ter sido acionado quando começou a falar, argumentando que “disseram alguma palavra que a despertou” ou talvez “ela pensou ter ouvido a Alexa”.

No entanto, outros concordaram com Jess, compartilhar suas preocupações é exatamente o motivo pelo qual eles se recusam a ter dispositivos como a Alexa em suas casas.

“Eu me recuso a ter algo assim em minha casa, nosso telefone é o suficiente para mim”, compartilhou um comentarista.

“É por isso que meu marido e eu não queremos lidar com isso”, escreveu outro. “Só temos uma smart TV para podermos assistir Disney Plus e Hulu. Sem Alexa, sem Google, sem babá eletrônica, nada relacionado à internet”.

A Amazon trabalhou anteriormente para dissipar a ideia de que a Alexa ouve além de atender solicitações individuais ou responder perguntas diretas, descrevendo recursos específicos de privacidade.


Link original da matéria em inglês:



8 de dezembro de 2023

Notícias: Físico de Harvard Diz Que a Humanidade Verá a Inteligência Alienígena Como "Deus"

 

Inteligência Alienígena sentada em trono vista como deus


"Uma civilização científica muito avançada é uma boa aproximação de Deus", disse o Prof. Loeb à Fox News Digital.

O professor de Harvard, Avi Loeb, previu que a descoberta científica de uma civilização alienígena - uma que pode potencialmente ter milhares de milhões de anos - levará a humanidade a unificar-se. Ele conversou com a Fox News Digital para uma ampla entrevista que cobriu bilhões de anos de história e até fragmentos interestelares do fundo do oceano.

Loeb, um físico treinado que recebeu seu doutorado pela Universidade Hebraica de Jerusalém aos 24 anos, disse que era “arrogante da nossa parte pensar que estamos sozinhos, que não temos um vizinho lá fora”.

“Existem dezenas de bilhões de planetas apenas na Via Láctea e centenas de bilhões de galáxias como a Via Láctea no volume observável do universo”, disse ele.

“Talvez, notar um vizinho seja um sinal de alerta que nos unirá”, disse Loeb, falando da humanidade como um todo. "Pode haver muito mais vizinhos que sejam muito mais talentosos do que nós, e podemos aprender com eles. Portanto, a minha esperança é que isso leve a humanidade a um lugar melhor no futuro a longo prazo."

Loeb também teorizou que inúmeras civilizações “mortas” podem existir na galáxia. A questão para a comunidade científica, disse ele, é buscar evidências de sua existência.

Esse processo provavelmente será semelhante às “escavações arqueológicas” na Terra, disse Loeb.

“Eu chamo isso de arqueologia espacial, arqueologia no espaço, tentando descobrir quem nos precedeu. E quando digo precedeu", esclareceu Loeb, “é em bilhões de anos, não em milhares de anos, como na Terra”.

A evidência de uma civilização alienígena é exatamente o que Loeb disse ter encontrado no fundo do Oceano Pacífico. Numa entrevista separada à Fox & Friends, o professor, também membro eleito da Academia Americana de Artes e Ciências, disse que encontrou material surpreendente recuperado do fundo do Oceano Pacífico.

Essa viagem, disse Loeb à Fox & Friends, produziu evidências de material que se movia "mais rápido que 95% das estrelas próximas ao Sol" e tinha uma "força material" que era "mais resistente que a maioria das rochas".

Em outras palavras, material que é possivelmente projetado artificialmente por outra espécie na galáxia, e não produzido naturalmente por um meteoro ou outra forma de matéria espacial.

Alguns cientistas contestaram publicamente as afirmações de Loeb, dizendo ao The New York Times num artigo de julho que as teorias do professor de Harvard, apesar de atrairem a atenção, não se baseavam em evidências científicas sólidas.

“As pessoas estão cansadas de ouvir sobre as afirmações malucas de Avi Loeb”, disse o astrofísico Steve Desch. “Está poluindo a boa ciência – confundindo a boa ciência que fazemos com esse sensacionalismo ridículo e sugando todo o oxigênio da sala.”

Mas Loeb foi inflexível quanto ao fato de outros cientistas que são céticos em relação às suas teorias não estarem realmente dispostos a procurar provas, descartando alguns ataques como "ciúmes acadêmicos".

Loeb lidera o Projeto Galileo e tem um objetivo ambicioso, de acordo com o site da organização: "trazer a busca por assinaturas tecnológicas extraterrestres de Civilizações Tecnológicas Extraterrestres desde observações acidentais ou anedóticas e lendas até a corrente principal da pesquisa científica transparente, validada e sistemática".

Ele disse que a busca por vida alienígena começa no “nosso quintal”.

Isso envolve verificar se há uma “bola de tênis que foi lançada por um vizinho”, disse Loeb, uma de suas analogias frequentemente usadas para destroços, escombros ou outras evidências de uma civilização extraterrestre de espaçonaves de alta tecnologia ao alcance da ciência moderna.

Mas qualquer que seja a teoria das civilizações alienígenas que seja eventualmente aceita ou rejeitada pelos cientistas, disse Loeb, as pessoas em todo o mundo deveriam ter “mente aberta”.

Isso não significa que a descoberta, em nível de toda a humanidade, de “vizinhos” no universo não seria um acontecimento chocante, disse Loeb. Na verdade, pode ser uma experiência profundamente espiritual.

“Uma civilização científica muito avançada é uma boa aproximação de Deus”, disse Loeb. "Imagine um habitante de uma caverna visitando a cidade de Nova York e vendo todos os dispositivos tecnológicos em termos de luzes aparecendo como um milagre para o habitante das cavernas."

Da mesma forma, explicou Loeb, um “nível mais elevado de inteligência pode não ser facilmente compreensível para nós”.

Uma história bíblica veio à mente de Loeb – a famosa passagem de Moisés e a sarça ardente no Antigo Testamento. Mas Moisés, disse ele, poderia ter sido ajudado pelo conhecimento da ciência moderna.

"Se eu estivesse lá com o Projeto Galileu, os sensores infravermelhos, poderia ter avisado Moisés sobre a temperatura da superfície do arbusto", disse Loeb, "a quantidade de energia [em um] período de tempo emitida por ele e se é de fato um fenômeno incomum."

Indo mais longe, Loeb disse que é concebível que uma civilização ultra-avançada possa parecer aos humanos ter poderes divinos.

“Você pode imaginar que a civilização super-humana que entende como unificar a mecânica quântica e a gravidade pode realmente ser capaz de criar um universo bebê em laboratório, uma qualidade que atribuímos a Deus em textos religiosos", disse ele.

Loeb então definiu a "diferença fundamental entre religião e ciência no sentido de que a ciência é guiada por evidências coletadas por instrumentos. Não se trata desta questão subjetiva e pessoal de crença".

Ele também apelou à humanidade como um todo para partilhar o conhecimento científico com “todos os humanos”.

“Estamos todos no mesmo barco, a Terra, navegando pelo espaço interestelar, e qualquer coisa sobre o universo, qualquer conhecimento que obtivermos sobre nossos vizinhos, sobre o universo de forma mais ampla, deveria ser conhecimento científico, o que significa que deveria ser compartilhado abertamente", disse Loeb.

Ele relembrou a história do cientista Galileu Galilei, um astrônomo e físico que foi colocado em prisão domiciliar por apoiar um modelo heliocêntrico do universo.

“Uma vez que percebemos que a Terra gira em torno do Sol, Galileu não deveria ser colocado em prisão domiciliar”, disse Loeb, referindo-se ao cientista, que também dá nome à sua organização, o Projeto Galileu. "Isto não deve ser politizado, porque o fato de a Terra se mover ou não em torno do Sol não depende da voz de Galileu ser ouvida publicamente. E isso é uma ilustração perfeita da diferença entre ciência e política. A ciência é melhor do que a política."

Ele terminou com uma mensagem final.

“A ciência deveria ser guiada por evidências, não por preconceitos”, disse Loeb. “Isso não deve ser diminuído por tons negativos nas redes sociais ou por ciúmes acadêmicos. E o que estou fazendo é buscar uma inteligência superior lá fora, porque nem sempre é evidente aqui na terra.”

Loeb escreveu um livro sobre a busca por evidências de vida alienígena no universo com o título “Interestelar: A Busca por Vida Extraterrestre e Nosso Futuro nas Estrelas”.

Link original da matéria em inglês:



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