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11 de agosto de 2026

Dois Poderes no Céu

Dois poderes no céu: Deus e Jesus


O Embrião da Ideia: O Deus Visível e Invisível no Antigo Testamento

O erudito Dr. Michael S. Heiser enfatiza que o Antigo Testamento apresenta Deus em duas formas distintas: invisível e transcendente, mas também visível e imanente. Essa duplicidade não é apenas literária, mas teológica, e abre espaço para pensar em múltiplas manifestações da divindade.


  • O Anjo do Senhor e o Nome (Êxodo 23:20-21): Deus anuncia que enviará um Anjo diante de Israel e afirma que “o meu Nome está nele”. No pensamento semítico, o Nome (Hashem) não é apenas um título, mas a própria essência divina. Esse Anjo, portanto, age com autoridade plena, como se fosse o próprio YHWH.


²⁰ Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado.
²¹ Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele. (Êxodo 23:20,21).


  • O Nome como Pessoa (Isaías 30:27): o Nome do Senhor é descrito como vindo de longe, ardendo em ira, o que o apresenta como uma entidade viva e ativa, quase personificada.


²⁷ Eis que o nome do Senhor vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo consumidor. (Isaías 30:27).


  • A Palavra de YHWH (1 Samuel 3:1, 21): Samuel não apenas ouve a Palavra, mas a vê manifestar-se em Siló. A “Palavra” (Dabar) não é mero som, mas uma presença corpórea que se manifesta diante dele.


¹ E o jovem Samuel servia ao Senhor perante Eli; e a palavra do Senhor era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta. (1 Samuel 3:1).

²¹ E continuou o Senhor a aparecer em Siló; porquanto o Senhor se manifestava a Samuel em Siló pela palavra do Senhor. (1 Samuel 3:21).


Heiser mostra que essas passagens já sugerem uma duplicidade divina. Alan F. Segal complementa ao observar que os rabinos posteriores precisaram reinterpretar esses textos para evitar que se consolidasse uma visão de “dois poderes” legítimos no céu, o que poderia comprometer o monoteísmo estrito.


Os Textos de "Dois Tronos" e "Duas Figuras"

Heiser destaca que algumas passagens bíblicas são ainda mais explícitas ao sugerir duas figuras divinas distintas compartilhando autoridade.


  • Daniel 7:9-14: Daniel vê tronos (no plural) sendo colocados. O Ancião de Dias se assenta, mas logo aparece o Filho do Homem, que cavalga as nuvens — título exclusivo de YHWH — e recebe domínio eterno. Essa cena é central porque mostra duas figuras distintas compartilhando atributos divinos.


⁹ Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente.
¹⁰ Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.
¹¹ Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo;
¹² E, quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes prolongada a vida até certo espaço de tempo.
¹³ Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.
¹⁴ E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Daniel 7:9-14).


  • Gênesis 19:24: o texto hebraico afirma que “YHWH fez chover fogo da parte de YHWH”, mostrando uma duplicidade de presença divina, uma na terra e outra nos céus.


²⁴ Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; (Gênesis 19:24).


  • Salmos 110:1: “Disse YHWH ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita”. Aqui, duas figuras supremas compartilham autoridade, uma convidando a outra a reinar ao seu lado.


¹ Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. (Salmos 110:1).


Heiser interpreta essas passagens como evidências de que o Antigo Testamento já apresentava uma teologia de duas figuras divinas. Segal, por sua vez, mostra que textos como Daniel 7 foram reconhecidos pelos rabinos como perigosos, pois permitiam uma leitura binitária. Por isso, a tradição rabínica posterior declarou essa interpretação herética, consolidando o monoteísmo como marca identitária.


Evidências em Textos Extra-Bíblicos (Judaísmo do Segundo Templo)

Heiser recorre à literatura intertestamentária para mostrar que a ideia de duas figuras divinas não era marginal, mas parte de um debate vivo entre os judeus antes de Jesus.


  • 1 Enoque 46-48: descreve o Filho do Homem como pré-existente e investido de autoridade universal, expandindo a visão de Daniel 7.


Capítulo 46
1 Lá eu vi Aquele que possui uma cabeça de ancião, e esta era branca
como a lã; e junto dele havia um outro, cujo aspecto era de um homem, o
seu rosto era cheio de graça, semelhante ao de um Anjo Santo. Perguntei ao
Anjo que me acompanhava, e que me revelava todos os segredos, quem era
aquele filho do homem, de onde procedia, e por que estava com Aquele que
tem uma cabeça grisalha.
2 Deu-me como resposta: "Este é o Filho do Homem, o detentor da
Justiça, que com ela mora e que revela todos os tesouros secretos; pois Ele
foi escolhido pelo Senhor dos Espíritos, e o seu destino excede a tudo em
retidão diante do Senhor dos Espíritos, por toda a eternidade. Esse filho dos
homens, que viste, faz os reis e os poderosos se ergueram de suas camas e
aos fortes abala nos seus tronos; dissolve o comando dos fortes e tritura os
dentes dos pecadores.
3 "Ele expulsa os reis dos seus tronos e dos seus reinos, porque eles não
O exaltam e louvam, nem reconhecem com agradecimento de onde lhes
adveio a realeza. Ele derruba a face dos fortes e enche-os de vergonha. A
sua moradia se converterá em trevas e sua sepultura estará cheia de vermes;
jamais deverão pensar em levantar-se de suas sepulturas, porque não
exaltam o Nome do Senhor dos Espíritos.
4 "E são eles que julgam as estrelas do céu e que erguem as suas mãos
contra o Altíssimo, que humilham a terra em que habitam e cujas obras
revelam em tudo a iniqüidade; o seu poder apóia-se na sua riqueza e a sua
fé volta-se para os deuses que eles criaram com suas próprias mãos; mas
renegam o Nome do Senhor dos Espíritos. Eles perseguem as casas das
reuniões dos crentes que permanecem fiéis ao Nome do Senhor dos
Espíritos.

Capítulo 47
1 "Naqueles dias, porém, a oração e o sangue dos justos subirão da terra
até a presença do Senhor dos Espíritos. Naqueles dias, os Santos que
moram no céu rezam a uma só voz, suplicam, louvam, agradecem e
glorificam o Nome do Senhor dos Espíritos, pela oração e pelo sangue
derramado dos justos, para que não tenham vivido em vão diante do Senhor
dos Espíritos, para que se cumpra neles o Julgamento, mas que este não
seja para eles uma sentença eterna."
2 Naqueles dias eu vi como o Ancião assentou-se sobre o trono da sua
Majestade, quando diante dele foram abertos os livros dos vivos, e como
toda a sua coorte, que está no céu e O cerca, prostrou-se na sua presença.
3 O coração dos Santos exultava de alegria porque foi trazido o número
dos justos, porque foi ouvida a sua oração e porque o seu sangue foi
vingado diante do Senhor dos Espíritos.

Capítulo 48
1 Naquele lugar, eu vi o poço da Justiça; ele era inesgotável, e ao seu
redor havia muitos poços de Sabedoria. Todos os que tinham sede bebiam
deles e eram saciados de sabedoria e moravam junto aos Justos, aos Santos
e ao Eleito.
2 E, naquela hora, o Filho do Homem era mencionado diante do Senhor
dos Espíritos,e o seu Nome era referido diante do Ancião. Antes que
fossem criados o sol e os signos, e antes que fossem feitas as estrelas do
céu, o seu Nome era pronunciado diante do Senhor dos Espíritos.
3 Ele será um bordão para os justos, para que n'Ele possam apoiar-se e
não cair; Ele será a luz dos povos e a esperança dos aflitos. Todos os
habitantes da terra prostram-se aos seus pés; e adoram, glorificam, louvam
e entoam hinos ao Senhor dos Espíritos.
4 Para esse propósito Ele foi escolhido e mantido oculto junto d'Ele,
antes que o mundo fosse criado; e Ele será para todo o sempre. E a
Sabedoria do Senhor dos Espíritos revelou-O aos Santos e aos Justos; pois
Ele protege o destino dos justos, pois estes odiaram e aborreceram este
mundo de depravação, repudiando todas as suas obras e caminhos, em
nome do Senhor dos Espíritos. Em seu nome eles serão salvos, e do seu
beneplácito depende sua vida.
5 Naqueles dias, os reis da terra e os poderosos que possuem esta terra
ficarão com o semblante abatido por causa das obras das suas mãos; no dia
da sua angústia e privação não poderão salvar a alma.
6 Eu os entregarei então nas mãos do meu Escolhido; eles arderão como
palha ao fogo na presença dos Justos e submergirão como o chumbo na
água diante dos Santos, e não se encontrará mais sinal deles.
7 No dia da sua tribulação, estabelecer-se-á a paz sobre a terra; cairão na
presença deles e não mais poderão levantar-se. Ninguém então se
apresentará para tomá-los pela mão e reerguê-los, porque eles renegaram o
Senhor dos Espíritos e o seu Ungido. Louvado seja o Nome do Senhor dos
Espíritos!


  • Metatron (3 Enoque): chamado de “Pequeno YHWH”, carrega o Nome divino e se assenta em um trono celestial, funcionando como uma figura intermediária.
  • Filo de Alexandria: fala do Logos como um “Segundo Deus” (Deuteron Theos), mediador entre o Deus invisível e a criação.


Segal confirma que essas tradições eram comuns no judaísmo do Segundo Templo e só mais tarde foram rotuladas como heresia. Ele conecta essas ideias às correntes da mística Merkabah e ao gnosticismo, que também exploravam figuras intermediárias entre o divino e o mundo. Heiser usa esse material para reforçar sua tese: o cristianismo não inventou a ideia de Jesus como divino, mas identificou-o com uma figura já presente no imaginário judaico.


Como isso se conecta com Jesus no Novo Testamento

Para Heiser, o Novo Testamento é a chave que identifica Jesus como o “Segundo Poder” no céu.


  • João 1:1, 14: o Logos estava com Deus e era Deus, e se fez carne. João retoma a tradição do Logos de Filo e a aplica diretamente a Jesus.


¹ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (João 1:1).

¹⁴ E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1:14).


  • Mateus 26:64: diante do Sinédrio, Jesus cita Daniel 7 e o Salmo 110, afirmando que o Filho do Homem virá sobre as nuvens e se assentará à direita do Poder.


⁶⁴ Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. (Mateus 26:64).


O Sumo Sacerdote entende a implicação: Jesus está reivindicando para si o papel do “Segundo Poder” no céu. Heiser mostra que essa identificação não é uma invenção cristã, mas a concretização de uma teologia já presente no Antigo Testamento e na literatura judaica. Segal interpreta essa identificação como o ponto de ruptura entre judaísmo e cristianismo: para os rabinos, a leitura cristã era a concretização da heresia dos “Dois Poderes”, enquanto para os cristãos era a revelação plena daquilo que já estava insinuado nas Escrituras.


Contribuições de Alan F. Segal (Two Powers in Heaven - Dois Poderes no Céu)

Segal define a heresia dos “Dois Poderes no Céu” como a crença em duas autoridades divinas. Ele mostra que essa ideia foi debatida intensamente no século II d.C., época do Rabi Akiva Ben Yosef (ou Aquiba), e que não se tratava de uma importação externa, mas de uma possibilidade interpretativa interna ao judaísmo.


  • Natureza da heresia: inicialmente, alguns hereges viam os dois poderes como complementares; mais tarde, surgiram versões dualistas, com poderes opostos.
  • Impacto histórico: essa heresia se tornou um catalisador da separação entre judaísmo e cristianismo.
  • Abrangência: envolvia debates não apenas com cristãos, mas também com gnósticos e místicos judaicos.


Segal mostra que o “Dois Poderes” é chave para entender tanto a rejeição judaica quanto a afirmação cristã da divindade de Jesus. Heiser utiliza esse trabalho para reforçar sua tese: o cristianismo não inventou a ideia de Jesus como divino, mas se apropriou de uma teologia já existente, que os rabinos decidiram rejeitar.


Síntese Comparativa (Heiser x Segal)

Heiser e Segal não estão em oposição, mas em diálogo. Heiser mostra a continuidade bíblica e teológica: Jesus é o cumprimento da figura divina já presente no Antigo Testamento. Segal mostra a ruptura histórica e religiosa: o judaísmo rabínico se consolidou ao rejeitar essa leitura.


Aspecto

Michael S. Heiser

Alan F. Segal

Foco

Exegese bíblica, análise das Escrituras e literatura judaica do Segundo Templo

História das ideias, tradição rabínica e contexto pós-Templo

Tese Central

O NT identifica Jesus como o “Segundo Poder” já presente no AT

O “Dois Poderes” era uma leitura judaica legítima, depois rotulada como heresia

Fontes

Bíblia, apócrifos, pseudepígrafos, Filo, Enoque, tradição mística judaica

Midrash, Talmud, textos rabínicos, debates com cristãos e gnósticos

Impacto

Mostra continuidade entre AT e NT, legitimando a cristologia

Explica a ruptura entre judaísmo e cristianismo e a consolidação do monoteísmo rabínico

Implicação Teológica

Jesus é a concretização da figura divina já insinuada nas Escrituras

O rabinismo se afirma como guardião do monoteísmo estrito, rejeitando leituras binitárias




14 de julho de 2026

O Sacerdócio do Éden e a Humanidade Primitiva

Imagem de Adão, Eva e a serpente dentro de uma maçã representando a queda da humanidade

A narrativa do Jardim do Éden e os eventos que sucedem a criação humana guardam mistérios textuais complexos que ecoam até a contemporaneidade. O livro de Gênesis apresenta lacunas cronológicas e demográficas que desafiam uma leitura puramente linear e biológica do relato bíblico primordial. Diante dessas frestas literais, estudiosos da antiguidade semítica e teólogos propõem leituras que harmonizam a história sagrada com a realidade exterior.

O ponto de partida dessa análise repousa nas tensões geográficas e demográficas presentes logo nos primeiros capítulos sagrados (Gênesis 4:14). O exílio de Caim para a terra de Node sinaliza um cenário que ultrapassa os limites da primeira família ali descrita. A construção de uma cidade e o pânico de um julgamento popular pressupõem uma densidade populacional preexistente e estruturada.

A harmonia entre os mistérios de Gênesis ganha forma ao observar a distinção textual entre os dois primeiros relatos da criação divina. O capítulo inicial descreve um decreto cósmico amplo voltado para o surgimento da humanidade como espécie biológica (Gênesis 1:27). Esse momento representa o estabelecimento do Homo Sapiens na Terra, dotado de capacidades inerentes para povoar o planeta.


²⁷ E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1:27).


Por outro lado, o segundo capítulo de Gênesis direciona o foco para um evento específico, localizado e essencialmente vocacional (Gênesis 2:7-8). Ali, o Criador seleciona ou forma um casal específico e os introduz em um espaço delimitado e sagrado. O Éden opera como uma espécie de embaixada divina na Terra, um ponto de contato espiritual.


⁷ E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

⁸ E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. (Gênesis 2:7,8).


Adão e Eva, sob essa perspectiva integradora, não figuram necessariamente como os primeiros e únicos exemplares genéticos da biologia humana. Eles são os representantes inaugurais de uma linhagem sacerdotal chamados a uma comunhão distinta com a divindade governante (Gênesis 2:15). A criação deles representa o início da história da aliança e da revelação espiritual e moral.


¹⁵ E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. (Gênesis 2:15).


Essa abordagem soluciona de maneira orgânica o clássico dilema a respeito da origem da esposa do primogênito de Adão. Caim não precisou contrair matrimônio com uma irmã ou parente próxima, prática que geraria questionamentos éticos e biológicos tardios (Gênesis 4:17). Ele simplesmente uniu-se a uma mulher pertencente às populações que já habitavam as regiões vizinhas.


¹⁷ E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque; (Gênesis 4:17).


O pavor manifestado pelo jovem exilado ao temer a vingança de terceiros ganha total sentido geográfico dentro dessa interpretação integrada. Os grupos que habitavam fora das fronteiras do Éden constituíam a ameaça real que justificava o sinal de proteção divina (Gênesis 4:15). A terra de Node possuía seus próprios códigos, habitantes, dinâmicas e perigos cotidianos.


¹³ Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada.

¹⁴ Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará.

¹⁵ O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.

¹⁶ E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. (Gênesis 4:13-16).


A fundação de uma cidade por Caim também deixa de ser um paradoxo demográfico para se tornar um fato histórico plausível. Uma comunidade urbana exige a cooperação de múltiplos indivíduos e uma divisão clara de funções de trabalho social (Gênesis 4:17). Esse desenvolvimento foi viabilizado pela integração do exilado com as tribos nômades e locais daquela região.

A antropologia moderna e os estudos de genética de populações encontram um terreno de conciliação interpretativa com esse modelo teológico. A ciência demonstra amplamente que a humanidade atual descende de grupos populacionais antigos que coexistiram com outros hominídeos. O texto sagrado, focado na teologia, não ignora a existência dessas comunidades biológicas.

O conflito entre a evolução biológica e a narrativa da criação é atenuado quando compreendemos os limites do texto antigo. Os autores bíblicos não possuíam o interesse e nem a intenção de registrar dados de genética ou antropologia molecular. O propósito do relato de Gênesis é eminentemente teológico, focado na fidelidade, na soberania e no mandato divino.

A introdução da consciência espiritual e da imortalidade condicional ocorre de maneira singular no Jardim do Éden com o casal sacerdotal. Deus insuflou o Seu Espírito e a responsabilidade moral em Adão, separando-o das dinâmicas puramente biológicas do mundo (Gênesis 2:7). O Éden funcionava como o centro de difusão da presença divina para o restante do planeta.

No entanto, o projeto original da embaixada edênica sofreu uma ruptura drástica com a intromissão astuta da antiga serpente (Gênesis 3:1). Esse agente da rebelião cósmica introduziu a semente da desconfiança contra o Criador, distorcendo a palavra divina para induzir a humanidade ao erro. A insurreição do querubim caído visava sabotar o plano de expansão do reino celestial.

As consequências imediatas da queda desarticularam a harmonia perfeita entre o homem, a criação e a própria divindade (Gênesis 3:16-19). O veredito divino sentenciou a serpente à degradação e anunciou a inimizade perpétua entre as linhagens espirituais da Terra (Gênesis 3:15). O solo foi amaldiçoado, e o trabalho e a reprodução passaram a ser marcados pela dor.

A expulsão do Éden selou a perda da imortalidade física condicional proporcionada pelo acesso livre à Árvore da Vida (Gênesis 3:22-24). A partir desse marco, a morte física e a corrupção biológica estenderam seu domínio inexorável sobre toda a raça humana. A herança adâmica tornou-se sinônimo de uma natureza inclinada à autogratificação e distanciada do Criador.

Do Éden até os dias atuais, a intromissão satânica perpetua um impacto devastador na estrutura moral, social e psicológica do mundo globalizado. Os sistemas políticos, econômicos e culturais contemporâneos frequentemente operam sob a lógica da autossuficiência e da rebeldia inauguradas no jardim. As guerras, injustiças e desigualdades refletem o egoísmo estrutural da humanidade caída.

Essa visão integrada reformula a compreensão tradicional sobre a propagação do pecado e as consequências da queda no mundo original. A transgressão no Éden interrompeu o projeto de expansão do governo pacífico da divindade sobre a criação biológica preexistente (Romanos 5:12). O erro do casal arruinou a oportunidade de elevar a humanidade ao estado de imortalidade.


¹² Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. (Romanos 5:12).


A morte espiritual e a separação da presença divina passaram a governar a linhagem adâmica a partir daquela rebelião histórica. O texto de Romanos, ao associar a entrada do pecado a um homem, foca na quebra da aliança sacerdotal inicial (Romanos 5:19). O fracasso de Adão afetou o destino espiritual de toda a criação que dependia de sua missão.


¹⁹ Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. (Romanos 5:19).


A diferenciação linguística no hebraico original corrobora a tese de que há uma distinção entre a espécie e o indivíduo. O termo "Adam" transita entre o significado coletivo da raça humana e o nome próprio do sacerdote do jardim sagrado. Essa flexibilidade gramatical apoia a coexistência de um grupo genérico e de um casal eleito especificamente.

O monogenismo biológico estrito cede espaço a um monogenismo genealógico ou espiritual, onde Adão é o ancestral de todos os crentes. Toda a humanidade atual carrega a herança daquela linhagem eleita, independentemente das dinâmicas evolutivas anteriores do resto do mundo. A história sagrada se entrelaça com a história natural sem anular as descobertas da ciência.

O respeito às normas cultas da hermenêutica exige ponderação, análise gramatical e atenção ao contexto histórico do Antigo Oriente Próximo. Ao alinhar as frestas textuais bíblicas com os dados da antropologia e os efeitos da queda cósmica, constrói-se uma teologia sólida. A verdade bíblica revela-se na soberania sobre toda a criação, que anseia por redenção.



2 de março de 2026

Como Começar a Pedir Sabedoria a Deus?

 

Imagem de uma bíblia jorrando água

Deus nos deu tudo o que precisamos para nos tornarmos quem Ele nos criou para ser. Essa jornada começa com a oração por orientação e o pedido de sabedoria a Deus. A Bíblia diz que você pode pedir sabedoria a Deus e Ele a dará gratuitamente.


⁵ E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. (Tiago 1:5).


Ao pedir sabedoria a Deus, você está solicitando que Ele lhe dê discernimento espiritual. Isso o colocará no caminho que o conduzirá ao seu propósito divino.


Por que pedir sabedoria a Deus é importante?

A vida é cheia de escolhas. Às vezes, temos certeza de que sabemos o que é melhor, mas acabamos cometendo erros. Você acha que conhece a direção e o caminho certo a seguir, mas depois de um tempo, percebe que está perdido. Você tinha certeza de que sabia o que era melhor, mas acabou precisando de ajuda para voltar ao rumo certo.

Quando ignoramos a sabedoria de Deus e tentamos fazer as coisas do nosso jeito, podemos acabar perdidos ou magoados. Deus, nosso Pai celestial, é mais sábio do que qualquer um. Ele criou tudo, conhece o futuro e quer nos guiar. Quando pedimos sabedoria a Deus, escolhemos confiar na Sua orientação em vez de apenas nas nossas próprias ideias. Com o conhecimento da Palavra de Deus nos guiando e o Espírito Santo nos mantendo firmemente no caminho certo, temos o que é preciso para viver vidas alinhadas com os planos e propósitos de Deus.


O que é sabedoria e por que ela é tão valiosa?

Sabedoria é mais do que apenas conhecer fatos ou ser inteligente. É a capacidade de discernir o que é certo, tomar boas decisões e viver de uma maneira que honre a Deus. Provérbios diz que a sabedoria é melhor do que rubis, ouro ou qualquer outra coisa que você possa desejar. Pedir sabedoria a Deus permite que você aplique esse tesouro à sua vida.


¹¹ Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11).


A Palavra de Deus usa a sabedoria para nos ensinar o que é certo e o que é errado. Andar em sabedoria requer escolhas e decisões prudentes, pois elas nos ajudam a permanecer firmemente no caminho certo.


Eis por que a sabedoria é tão importante:

  • Ela te protege de erros: A sabedoria te ajuda a enxergar as consequências de seus atos antes de tomar uma decisão, para que você possa evitar problemas.
  • Ela te ajuda a ter sucesso: Escolhas sábias levam a melhores resultados em seus relacionamentos, carreira e futuro.
  • Ela molda o seu futuro: A maioria das grandes decisões que você tomará - sobre quem você é, o que fará e com quem passará a vida - acontece quando você é jovem. Adquirir sabedoria no início da vida prepara você para uma jornada melhor.


Ao pedir sabedoria a Deus, você precisa compreender o poder do arrependimento. Arrepender-se envolve mudar sua maneira de pensar e reavaliar sua vida. Você deve escolher abandonar seus caminhos pecaminosos e seguir a trajetória que Deus lhe indicar.


O que os Provérbios ensinam sobre a sabedoria?

O livro de Provérbios é como um baú de tesouros repleto de conselhos para viver com sabedoria. Em Provérbios 8, o autor personifica a sabedoria para ilustrar lições essenciais sobre o que a sabedoria faz por nós:


  1. A sabedoria está te chamando.


¹ Não clama porventura a sabedoria, e a inteligência não faz ouvir a sua voz?

² No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se posta. (Provérbios 8:1,2).


Provérbios 8 descreve a sabedoria como uma pessoa que está no meio da cidade mais movimentada, gritando: “Ei! Escutem-me!” A sabedoria está disponível para qualquer pessoa que esteja disposta a ouvir e aprender.


  1. A sabedoria é para todos.


⁴ A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

⁵ Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração. (Provérbios 8:4,5).


A sabedoria não é privilégio apenas dos mais inteligentes, ricos ou populares. Provérbios diz que a sabedoria se dirige a todos, até mesmo àqueles que pensam não precisar dela. Se você estiver disposto a ouvir, poderá se tornar sábio, independentemente de onde comece.


  1. A sabedoria conduz a coisas excelentes.


⁶ Ouvi, porque falarei coisas excelentes; os meus lábios se abrirão para a equidade. (Provérbios 8:6).


Ao ouvir a sabedoria, você aprende o que é certo e bom. A sabedoria ajuda você a fazer escolhas que levam ao sucesso e à felicidade. Se você deseja uma vida abundante, comece pedindo sabedoria a Deus.


  1. A sabedoria é melhor do que qualquer coisa que você possa desejar.


¹¹ Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11).


A sabedoria de Deus é a coisa mais valiosa que você pode ter. Se você possui sabedoria divina, será ricamente compreendido.


Por que você precisa de sabedoria agora?

Você pode pensar que sabedoria é algo que você precisa quando for mais velho. Mas não há melhor momento para pedir sabedoria a Deus do que agora! Se você receber sabedoria cedo, evitará muita dor e arrependimento mais tarde.


A sabedoria te ajuda:

  • Escolher os amigos certos
  • Administrar o dinheiro com sabedoria
  • Evitar situações perigosas
  • Tomar decisões sobre sua família e carreira futura.


Passos práticos para pedir sabedoria a Deus

Você pode estar se perguntando: “Certo, entendi. Sabedoria é importante. Mas como eu peço sabedoria a Deus?” Aqui estão alguns passos práticos que você pode começar a usar hoje mesmo:


1. Ore e peça diretamente a Deus

Tiago 1:5 nos diz que, se nos falta sabedoria, podemos pedi-la a Deus, e Ele a dará generosamente. Isso significa que você pode simplesmente orar: "Deus, por favor, dê-me sabedoria". Deus promete responder quando você pedir sinceramente.


2. Leia o Livro de Provérbios

O livro tem 31 capítulos, então você pode ler um por dia durante o mês. Ao ler, peça a Deus que o ajude a compreender e aplicar o que aprender. O livro de Provérbios está repleto de provérbios curtos e poderosos que o ajudarão a tomar melhores decisões.


3. Ouça as pessoas sábias.

Deus frequentemente nos dá sabedoria por meio de pais, professores, pastores e amigos que O seguem. Não tenha medo de pedir conselhos a eles quando estiver diante de uma escolha difícil. Provérbios 13:20 diz que aqueles que andam com os sábios serão sábios.


²⁰ O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído. (Provérbios 13:20).


4. Preste atenção aos sinais de Deus

Às vezes, Deus lhe dará um sentimento ou pensamento sobre o que é certo. Pode ser uma voz suave em seu coração ou uma sensação de que algo não está certo. Não ignore esses lembretes gentis. Preste atenção e seja obediente a eles.


5. Aprenda com os erros

Todos cometem erros, mas as pessoas sábias aprendem com eles. Se você errar, não desista. Pergunte a Deus o que você pode aprender e tente novamente com a ajuda Dele. Deus nos lembra que, mesmo que você caia muitas vezes, Deus lhe dará forças para se levantar novamente se você tiver um coração arrependido.


¹⁶ Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. (Provérbios 24:16).


6. Faça da sabedoria uma prioridade.

Pedir sabedoria a Deus deve ser a principal prioridade da sua vida, se você desejar viver uma vida que honre a Deus. Isso significa escolher buscar a Sua orientação antes de tomar grandes decisões, em vez de simplesmente fazer o que parece certo no momento.


Como incorporar a sabedoria ao seu dia a dia?

Aqui estão algumas maneiras de você tornar a busca pela sabedoria um hábito:

  • Comece o seu dia com uma oração: Antes de se levantar, peça a Deus que lhe dê sabedoria para o dia.
  • Leia um capítulo de Provérbios por dia: Anote uma coisa que você aprendeu e tente aplicá-la.
  • Converse com alguém sábio sobre suas escolhas: Não guarde decisões importantes só para você. Peça conselhos a pessoas de confiança, que são tementes a Deus e que tenham experiência.
  • Pense antes de agir: Reserve um momento para considerar as consequências antes de tomar decisões.
  • Seja humilde: Admita quando não souber o que fazer e peça ajuda.


Considerações finais:

Você não precisa desvendar os mistérios da vida sozinho. Deus te ama e quer te ajudar a fazer boas escolhas. Quando você pede sabedoria a Deus, você está se preparando para viver uma vida abundante em Cristo.


Eis o seu desafio:

Comece hoje. Ore e peça sabedoria a Deus. Leia um capítulo de Provérbios. Converse com uma pessoa sábia e temente a Deus sobre uma decisão que você tem que tomar, mas não sabe o que é melhor. Preste atenção ao que Deus está lhe ensinando. Se fizer isso, você se surpreenderá com o quanto sua vida melhorará. Lembre-se de que a sabedoria está chamando por você. Você vai ouvi-La?



25 de fevereiro de 2026

O Espírito Santo: O Grande Facilitador

 

Imagem de Deus, Jesus e o Espirito Santo no céu

Ao longo do Antigo Testamento, vemos o Espírito Santo agindo de forma marcante na vida das pessoas, capacitando-as a fazer o que, por si mesmas, não conseguiriam.

Quando Moisés pediu anciãos para ajudá-lo a julgar o povo, o Senhor “tomou do Espírito que estava sobre ele e O pôs sobre os setenta anciãos”.


²⁵ Então o Senhor desceu na nuvem, e lhe falou; e, tirando do espírito, que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; e aconteceu que, quando o espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas depois nunca mais. (Números 11:25).


Nos dias dos juízes, Gideão foi tomado pelo medo até que “o Espírito do Senhor veio sobre ele”.


³⁴ Então o Espírito do Senhor revestiu a Gideão, o qual tocou a trombeta, e os abiezritas se ajuntaram após ele. (Juízes 6:34).


Sansão, um homem de caráter bastante ignóbil, foi, no entanto, eficaz na batalha contra os inimigos de Deus porque “o Espírito do Senhor veio poderosamente sobre ele”.


¹⁹ Então o Espírito do Senhor tão poderosamente se apossou dele, que desceu aos ascalonitas, e matou deles trinta homens, e tomou as suas roupas, e deu as mudas de roupas aos que declararam o enigma; porém acendeu-se a sua ira, e subiu à casa de seu pai. (Juízes 14:19).


O jovem Saul, o primeiro rei de Israel, era um insignificante benjamita que não conseguia nem cuidar de jumentos até que o Espírito do Senhor o capacitou como um guerreiro audacioso; e ele derrotou os amonitas em Jabes-Gileade.


⁶ Então o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras; e acendeu-se em grande maneira a sua ira. (1 Samuel 11:6).


Todos esses exemplos de ministérios específicos e ocasionais do Espírito Santo são chamados de “unção teocrática”. Eles não refletem a experiência comum dos santos do Antigo Testamento; em vez disso, narram um ministério especial pelo qual o Espírito capacitou alguém a cumprir uma tarefa específica relacionada ao Reino de Deus.

Os relatos do Antigo Testamento nos ajudam a compreender que um elemento importante do ministério do Espírito Santo hoje é equipar ou capacitar o povo de Deus para realizar a obra de Deus. Ao chegarmos ao Novo Testamento, somos apresentados mais detalhadamente à Pessoa e à obra do Espírito Santo.

As narrativas do Antigo Testamento também nos ensinam que, embora o Espírito Santo capacitasse as pessoas, Ele não realizava a obra em seu favor. Os 70 anciãos, por exemplo, tiveram que avaliar os testemunhos e proferir julgamentos. Gideão, Sansão e Saul tiveram que reunir suas forças e ir para a batalha (embora, às vezes, empregassem táticas estranhas).

O ministério capacitador do Espírito Santo não eliminou todo o esforço e trabalho da tarefa; pelo contrário, o Espírito mostrou-se poderoso pelo fato de que, quando a tarefa foi concluída, os envolvidos tiveram que confessar que não teriam conseguido realizá-la sem a graciosa intervenção do Espírito.

A Bíblia é clara ao afirmar que, para que as pessoas hoje conheçam as Escrituras corretamente, é necessário o ministério capacitador do Espírito Santo. As verdades de Deus são loucura para quem está sozinho, pois só podem ser discernidas espiritualmente. É o Espírito Santo quem nos ensina as Escrituras e intercede por nós em nossas orações.


⁹ Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

¹⁰ Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

¹¹ Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

¹² Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

¹³ As quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.

¹⁴ Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

¹⁵ Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.

¹⁶ Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. (1 Coríntios 2:9-16).


O apóstolo João falou do Espírito como uma unção que “permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas… a mesma unção vos ensina todas as coisas”.


²⁷ E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis. (1 João 2:27).


Novamente, com relação à vida de oração dos crentes, a Bíblia é clara: “O Espírito também nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.


²⁶ E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8:26).


O exemplo do Antigo Testamento é instrutivo em relação a cada um desses ministérios do Espírito Santo no Novo Testamento. É difícil definir precisamente como o Espírito ensina e/ou intercede. É inútil pensar que podemos discernir onde terminam os nossos esforços e onde começam os Dele. É blasfêmia supor que, onde há mal-entendidos em relação às Escrituras ou negligência em relação à oração, isso resulta de alguma deficiência ou desatenção da parte do Espírito; e é desobediência arrogante supor que podemos nos esquivar dos mandamentos dados por Deus de examinar as Escrituras e orar sem cessar porque escolhemos ficar de braços cruzados e deixar que o Espírito cumpra essas responsabilidades em nosso favor.

Em todas as áreas da mordomia, é imprescindível reconhecer que é Deus quem deve viabilizar o esforço. Devemos ser diligentes e industriosos no estudo das Escrituras; mas, se fizermos isso corretamente, será por causa do ensino ou do ministério iluminador do Espírito Santo. Devemos nos esforçar para sermos fiéis na oração; mas também devemos saber que, se essas orações forem eficazes, será por causa da intercessão do Espírito Santo.



27 de janeiro de 2026

Jesus Cristo Foi Crucificado Numa Cruz ou em um Poste?

 

Foto de uma cruz, uma coroa de espinhos, pregos e um martelo em ambiente arenoso

Em sua dissertação “Crucificação na Antiguidade”, Gunnar Samuelsson não questiona a veracidade histórica dos documentos do Novo Testamento; em vez disso, ele afirma que as gerações posteriores de cristãos interpretaram esses documentos erroneamente. Ele se assemelha aos estudiosos do Novo Testamento que argumentam, por exemplo, que Jesus não nasceu em um estábulo, mas em uma casa judaica, que tipicamente incluía um espaço para os animais sob o mesmo teto.

Quando Lucas diz que "kataluma" estava cheia, a palavra não significa “estalagem”, como tradicionalmente traduzido, mas “quarto de hóspedes”. Como o quarto de hóspedes já estava ocupado, José e sua família receberam espaço na parte da casa onde os animais eram alojados. Essa hipótese pode questionar as imagens do nascimento de Jesus às quais nos acostumamos nos presépios, mas não contesta a historicidade dos relatos dos Evangelhos. Pelo contrário, visa nos ajudar a compreendê-los com mais precisão. 

De forma semelhante, a tese do Dr. Samuelsson é que a terminologia grega usada no Novo Testamento, como "stauros" (cruz) e "stauroo" (crucificar), não nos permite inferir que Jesus foi crucificado em uma cruz, e não em algum outro tipo de estrutura. Esta poderia ter o formato das letras do alfabeto “T”, “X”, “Y” ou “I”. Nada disso põe em dúvida o fato da crucificação de Jesus (entendida como sua fixação em algum tipo de estrutura de madeira até a morte), nem a confiabilidade dos relatos evangélicos sobre sua execução.

Samuelsson está correto ao afirmar que as palavras relevantes possuem uma gama de significados. Contudo, estudos de palavras isoladas do contexto pouco esclarecem o significado de um texto. Por exemplo, imagine que você ouça no noticiário da manhã: “A polícia atirou no suspeito enquanto ele tentava fugir”. Se você fizer um estudo da palavra "atirou", descobrirá que alguém pode ter sido atingido por uma arma de fogo, um arco e flecha, ou até mesmo um estilingue! Mas, quando analisada no contexto da reportagem, não há dúvida de que a palavra significa que o suspeito foi atingido por balas disparadas pelas armas dos policiais. Será, portanto, o contexto que determinará o significado de "stauros" em qualquer caso específico. 

Parte do problema em saber exatamente como Jesus foi crucificado reside no fato de termos pouquíssimas informações preservadas da antiguidade sobre como a crucificação era realizada. De fato, os relatos dos Evangelhos, que são notavelmente reservados em suas descrições do evento, são as descrições mais detalhadas que temos da crucificação no mundo antigo! Mas a descrição de Jesus carregando sua cruz é consistente com a prática romana de obrigar as vítimas a carregarem a trave transversal da cruz até o local da crucificação.

A fixação das mãos e dos pés de Jesus na estrutura de madeira é sugestiva. Em João 21:18-19, o tipo de morte que Pedro sofreria é prefigurado pelas palavras: “Estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.


¹⁸ Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.

¹⁹ E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. (João 21:18,19).


O autor pagão do século II, Artemidoro, refere-se de forma semelhante a criminosos sendo “crucificados em um lugar alto e com as mãos estendidas” (Oneirocritica, Página 56 - versão em inglês). As mãos estendidas sugerem naturalmente uma extensão lateral. Artemidoro confirma isso quando afirma posteriormente: “Pois a cruz, como um navio, é feita de madeira e pregos, e o mastro do navio se assemelha a uma cruz.” (Oneirocritica, página 127 - versão em inglês).

A morte prefigurada de Pedro provavelmente é a crucificação, a mesma morte que seu Senhor sofreu. Jesus, portanto, provavelmente foi crucificado de maneira semelhante, com as mãos estendidas, o que descarta uma estrutura em forma de I. A placa com a acusação contra Jesus (um detalhe universalmente reconhecido como fundamento histórico) foi pregada na estrutura acima de sua cabeça, o que descarta estruturas em forma de T, X ou Y. Assim, os detalhes das narrativas da crucificação nos Evangelhos são todos consistentes com a compreensão tradicional de que Jesus foi crucificado em uma estrutura em forma de cruz.

Assim era a compreensão da Igreja primitiva sobre as narrativas da crucificação, como evidenciado pelas primeiras gravuras e pictografias da cruz, que remontam ao primeiro século. A dissertação de Samuelsson concentra-se exclusivamente na filologia e não leva em consideração a arqueologia ou a história da arte.



22 de janeiro de 2026

Notícias: O Paraíso é Real? A Ciência Poderia Revelar Onde Fica o Reino Eterno de Deus

 

Imagem do limiar do universo com uma estrela

Onde fica exatamente o paraíso?

Quando nosso filho tinha 4 anos, ele perguntou para mim e para minha esposa: "Vocês podem dirigir até o paraíso?" A ingenuidade das crianças, não é mesmo?

É uma pergunta que só uma criança faria, mas que levanta uma questão muito adulta: onde exatamente fica o paraíso descrito na Bíblia?

Como cientista, compreendo a importância das definições. Segundo a Bíblia, o nível mais baixo do céu é a atmosfera terrestre. O nível intermediário do céu é o espaço sideral. O nível mais elevado do céu é o que estamos discutindo: é onde Deus habita.

Quanto à localização do paraíso, a Bíblia contém muitos versículos que nos descrevem olhando "para cima", para Deus no céu, e Deus olhando "para baixo", para nós na Terra.

Imagine embarcar em um foguete movido a energia nuclear e viajar diretamente "para cima" no espaço profundo. Será que algum dia você chegará a um ponto "alto" o suficiente no espaço para finalmente alcançar o paraíso?

Antes de descartar a ideia com uma risada, considere o seguinte.

Em 1929, o advogado americano que se tornou astrônomo amador, Edwin Hubble, descobriu que as galáxias estão se afastando umas das outras como estilhaços de uma bomba. Hubble também descobriu que existe um padrão definido na forma como as galáxias estão se afastando umas das outras, a saber: quanto mais "alto" no espaço uma galáxia estiver localizada - quanto mais distante estiver da Terra - mais rápido ela se afasta da Terra e de tudo o mais. Isso é chamado de Lei de Hubble.

Mas é aqui que a coisa fica realmente interessante.

Teoricamente, uma galáxia que está a 273 bilhões de trilhões (273.000.000.000.000.000.000.000) de milhas da Terra se moveria a 186.000 milhas por segundo, que é a velocidade da luz. Essa distância, lá no alto do espaço, é chamada de Horizonte Cósmico.

Isso significa que você e eu jamais poderemos alcançar o Horizonte Cósmico - nem mesmo a bordo do foguete mais potente movido a energia nuclear imaginável - porque, como Einstein explicou em sua teoria da relatividade restrita, apenas a luz e certos outros fenômenos não materiais podem viajar na velocidade da luz.

Então, onde fica o paraíso, exatamente? É perfeitamente possível que o paraíso esteja localizado do outro lado do Horizonte Cósmico. Eis o porquê.

Primeiro: De acordo com a cosmologia moderna, existe um universo inteiro além do Horizonte Cósmico. Mas ele permanece permanentemente oculto para nós, pois jamais poderemos alcançá-lo, muito menos ultrapassá-lo.

Segundo: Nossas melhores observações astronômicas - e as teorias da relatividade especial e geral de Einstein - indicam que o tempo para no Horizonte Cósmico. Nessa distância especial, lá no alto, no espaço profundo, profundo, profundo, não existe passado, presente ou futuro. Existe apenas a atemporalidade.

Terceiro: Ao contrário do tempo, porém, o espaço existe no Horizonte Cósmico e além dele. Isso significa que o universo oculto além do Horizonte Cósmico é habitável, embora apenas por luz e entidades semelhantes à luz.

Quarto: De acordo com a cosmologia moderna, o Horizonte Cósmico é revestido pelos objetos celestes mais antigos do universo observável. Isso significa que tudo o que existe além do Horizonte Cósmico é anterior a esses objetos mais antigos… é anterior ao chamado Big Bang… é anterior ao início do universo observável.

Todas essas realidades científicas modernas, entre outras, são a razão pela qual é perfeitamente razoável especular que:

1. O paraíso está, de fato, localizado "lá em cima" - muito acima de nossas cabeças e muito além do universo visível e estrelado - exatamente como indica a Bíblia.

2. O paraíso é inacessível para nós, mortais, enquanto estivermos vivos, exatamente como indica a Bíblia.

3. O paraíso é habitado por seres imateriais e atemporais, exatamente como indica a Bíblia.

4. O paraíso é a morada Daquele que antecede o universo - Aquele que criou o universo - exatamente como indica a Bíblia.


Para mais informações, veja o link original da matéria em inglês.


https://www.foxnews.com/opinion/is-heaven-real-science-may-reveal-where-gods-eternal-kingdom-exists



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