O documentário combina imagens de UAPs perseguidos por pilotos e depoimentos de autoridades punidas por desafiar o sigilo governamental
O documentário "A Idade da Revelação", lançado em
novembro, trouxe de volta ao centro das discussões globais um tema que parecia
adormecido: a existência de vida extraterrestre e possíveis acobertamentos
governamentais sobre o assunto.
Com mais de 22 milhões de visualizações do seu trailer desde
janeiro, em múltiplas plataformas, o filme representa não apenas um marco de
engajamento digital, mas também uma mudança significativa na forma como
Hollywood e o público em geral abordam o tema dos fenômenos aéreos não
identificados (UAPs, na sigla em inglês).
Restrito por enquanto às telonas, uma estratégia clássica
para documentários que querem concorrer ao Oscar, o mesmo não se pode dizer em
relação às telinhas, pois as hashtags relacionadas ao documentário invadiram
plataformas como X, TikTok e Reddit, sem contar uma frenética celebração pelos
ufólogos de plantão.
Em um dos podcasts mais famosos dessa comunidade — o
"Down to Earth With Kristian Harloff —, o apresentador credita esse forte
“buzz” ao diretor: "Com Dan Farah inserido no círculo de Hollywood e nomes
como Spielberg próximos do tema, isso pode abrir uma nova era de produções
sobre o fenômeno", afirmou.
Outro ponto importante quando se trata de filmes — a
distribuição mundial — foi cuidadosamente planejada. O documentário está sendo
simultaneamente disponibilizado em streaming via Amazon Prime Video, por
enquanto apenas para compra ou aluguel, mas com alcance para milhões de
espectadores curiosos no mundo inteiro.
Por que esse documentário é diferente dos demais?
A diferença de “A Era da Revelação” para documentários
sensacionalistas com os quais nos deparamos no streaming é o seu peso
institucional. No filme de Dan Farah, não são apenas teóricos da conspiração
falando, mas há depoimentos de 34 integrantes do governo, Forças Armadas e
agências de inteligência dos EUA.
Gravado ao longo de três anos — provavelmente para proteger
as fontes e evitar pressões do governo —, a obra traz relatos de figuras
centrais nas tentativas de aprovação do UAP Disclosure Act, como os senadores
Kirsten Gillibrand e Marco Rubio, hoje Secretário de Estado dos EUA, ou seja,
chefe da política externa do país.
Logo na abertura do trailer, uma orquestra executa uma
música de suspense ao melhor estilo de Hollywood, enquanto um time de pessoas
importantes, desde generais até espiões aposentados, apresenta suas
credenciais. Ao fundo uma voz declara "Aliens existem e vocês precisam
saber disso".
Em um dos pontos altos do vídeo promocional, o ex-oficial
Jay Stratton, único indivíduo em todo o Departamento de Defesa que teve
papel-chave nos três programas de investigação de UAPs, faz uma declaração que
viralizou instantaneamente: "Eu vi, com meus próprios olhos, naves e seres
não humanos".
"A verdade finalmente chegou, mas será que estamos prontos para encará-la?"
O protagonista do documentário é Luis Elizondo, o ex-diretor
do Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas do Pentágono
que renunciou em 2017, em protesto contra o sigilo excessivo imposto pelo
governo. Ele é o narrador do filme e também seu produtor executivo.
Apesar da roupagem de thriller, não há grandes pirotecnias
no roteiro, e a história se desenrola de forma lenta. A ideia de Farah é
misturar conceitos extraordinários com ideias que soam verdadeiras para ver se,
no final, convence quem não acredita na existência de vida inteligente não
humana.
No primeiro dos três atos do documentário, é apresentado o
incidente do Tic Tac — um objeto no formato da conhecida bala de hortelã, porém
com cerca de 12 m de comprimento — perseguido, e filmado, por pilotos da
Marinha americana sobre o Oceano Pacífico no dia 14 de novembro de 2004.
O Ato II mergulha nos bastidores do encobrimento
governamental: inúmeras entrevistas com ex-oficiais de inteligência e
cientistas revelam décadas de investigações secretas sobre tecnologia não
humana mantidas longe dos olhos do público, como o Legacy, um programa secreto
de recuperação e engenharia reversa de tecnologia alienígena.
O ato final eleva a pressão por transparência aos corredores
do poder. Nesse ponto, senadores, militares e denunciantes juntam suas vozes
exigindo uma revelação oficial. No Brasil, o documentário está disponível na
Amazon Prime Video — como “A Era do Desacobertamento” —, para aluguel (R$
107,47) ou compra (R$ 134,35).
Para mais informações, veja o link original da matéria

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