Peter Thiel, o bilionário investidor de capital de risco e
doador do movimento MAGA, está em Roma esta semana para uma série de palestras
privadas sobre o Anticristo. É um evento que o Vaticano e o Papa estão tratando
com cautela.
As palestras de Thiel são fechadas à imprensa e acontecem em
um local não divulgado. Um convite, visto pela Associated Press, diz que o
cofundador do PayPal e da Palantir Technologies se concentrará no Anticristo,
uma figura do ensinamento cristão que se opõe a Jesus Cristo antes da Segunda
Vinda.
Mas a presença de Thiel à porta do Vaticano causou
estranheza, dadas as tensões entre o pensamento de Thiel e o do Papa Leão XIV.
Duas instituições católicas distanciaram-se do ciclo de palestras, que continua
até quarta-feira.
Thiel já escreveu e palestrou sobre o assunto, argumentando
que o Anticristo não é necessariamente uma pessoa, mas pode vir como um sistema
de governo global. Ele assumiria o controle, segundo Thiel, explorando os medos
das pessoas em relação à inteligência artificial, às mudanças climáticas ou à
guerra nuclear.
Segundo relatos, ele também expressou preocupação em
palestras anteriores de que o vice-presidente JD Vance, um convertido ao
catolicismo cuja carreira inicial ele apoiou, pudesse se tornar “muito próximo
do papa”. Essas declarações refletem uma ansiedade, compartilhada por parte da
coalizão de Trump, sobre o alcance global do papado e sua autoridade moral independente.
Thiel prefere uma visão mais nacionalista e voltada para a tecnologia, enquanto
o papa e a Santa Sé têm reiteradamente defendido o fortalecimento de
instituições globais como as Nações Unidas.
Até o momento, duas instituições católicas se distanciaram das palestras de Thiel em Roma. A Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, também conhecida como Angelicum, negou os relatos iniciais de que sediaria as palestras. O Angelicum é a instituição onde o Padre Robert Prevost, o futuro Papa Leão XIV, estudou para sua tese de doutorado na década de 1980.
As palestras de Thiel estão sendo organizadas em conjunto com a Associação Cultural Vincenzo Gioberti — que visa renovar a cultura política
italiana e fazer da “restauração do catolicismo a pedra angular da identidade
nacional” — e com o Instituto Cluny, sediado na Universidade Católica da
América, em Washington.
“A Universidade Católica da América não está patrocinando
nem organizando um evento com Peter Thiel neste mês em Roma”, disse um
porta-voz da universidade à CNN. “O Projeto Cluny é uma iniciativa independente
incubada na Universidade.”
Francesco Sisci, analista e comentarista italiano, afirmou
que o Vaticano e o Papa provavelmente “manterão distância” das palestras de
Thiel, mas acrescentou que a decisão do investidor de capital de risco de vir a
Roma evidencia um crescente interesse no papado e no Vaticano por parte de
algumas figuras políticas. Roma tem sido importante para Steve Bannon,
ex-conselheiro de Trump, que foi um forte opositor do Papa Francisco e chegou a
cortejar Jeffrey Epstein em seus esforços para “derrubar” o pontífice.
Sisci vê Thiel como diferente de Bannon e como alguém que
busca apresentar suas ideias na sede da Igreja Católica.
“O padrinho dos novos bilionários da tecnologia que chegam a
Roma é uma prova da importância do papa e de que o catolicismo está, de certa
forma, voltando à moda. O papa não é mais uma figura distante, mas sim mais
envolvido na política americana”, disse Sisci, diretor do Instituto Appia, à
CNN. “Como um papa americano, é provável que ele mantenha distância (de Thiel).
O Vaticano tomará cuidado para não ser manipulado.”
Embora mais discreto que seus antecessores, o primeiro papa nascido nos EUA tornou-se uma espécie de contrapeso espiritual à visão de mundo de Trump. Ele expressou preocupação com o tratamento dado aos imigrantes nos Estados Unidos, pediu um cessar-fogo imediato no Oriente Médio e disse a jornalistas, na segunda-feira, que eles não devem “se tornar um megafone do poder” em tempos de guerra. O papa Leão XIV fez essa última declaração depois de que o presidente Donald Trump e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, criticaram duramente a cobertura da mídia sobre a guerra com o Irã.
Entretanto, Thiel não apenas ofereceu apoio financeiro a Vance, como também o apresentou às ideias do filósofo católico René Girard, que influenciaram a conversão de Vance ao catolicismo. Vance chegou a citar Santo Agostinho, fundador espiritual da ordem religiosa do Papa Leão XIV, os Agostinianos, ao defender a repressão do governo Trump contra imigrantes. O papa Leão XIV, por sua vez, criticou o " tratamento desumano " dado aos imigrantes nos Estados Unidos.
Para mais informações, veja o link original da matéria em inglês.

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