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10 de novembro de 2023

O Que Significa: Um Dia os Filhos de Deus Vieram Apresentar-se Perante o Senhor

Filhos de Deus apresentar-se perante o Senhor

A Bíblia afirma que existe todo um reino que não vemos. Mas e a frase: “Um dia os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor”? O que podemos concluir dessa estranha afirmação?


O Que a Bíblia Diz Sobre o Reino Sobrenatural?

A Bíblia fala em muitos lugares sobre coisas que não podemos ver. Esse reino invisível inclui seres espirituais como anjos, demônios e o que Paulo chamou de principados e potestades. Esses termos sugerem diferentes tipos de seres com diversos papéis, até mesmo hierarquias. Como podemos ler em Efésios 6:12, uma guerra entre o bem e o mal nos rodeia.


¹² Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. 


Esse reino invisível tem um grande impacto sobre o que é visto no planeta. As decisões, conversas e conflitos dentro desse reino invisível, promovem consequências na vida da humanidade. Portanto, o amor de Deus nos dá vislumbres do reino espiritual, e armas espirituais para enfrentarmos nosso inimigo real, mas invisível.

Um desses vislumbres aparece num dos primeiros livros escritos do cânon bíblico. Na introdução da história de Jó, as Escrituras afirmam: “Um dia os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor”. (Jó 1:6).


⁶ E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. 


Satanás também chega para trazer acusações contra Jó, e Deus o declara justo. O conflito entre Deus e o Diabo resulta no teste extremo de Jó: um incidente instigante da história.


Quem São os “Filhos de Deus” Nessa Passagem de Jó?

O termo "filhos de Deus" é traduzido do hebraico bene ha Elohim, ou os filhos de Elohim. Isso poderia significar os "filhos de Deus", mas também os filhos dos poderosos, um termo comum para reis e governantes.

A identidade desses “filhos de Deus” é uma questão de interpretação e não é explicitamente esclarecida no texto. No entanto, existem várias teorias predominantes sobre sua identidade.

Uma interpretação comum é que os “filhos de Deus” sejam os anjos. Essa visão sugere que esses seres angélicos se apresentam diante de Deus para prestar contas de suas atividades e receber instruções Dele. Nesse contexto, o Adversário ou Satanás também está entre eles, agindo como acusador ou adversário e não como um anjo caído.

Alguns estudiosos propõem que os “filhos de Deus” se referem a um conselho de seres celestiais, seres divinos ou entidades espirituais que se reúnem na presença de Deus. Essa interpretação baseia-se em contextos culturais e religiosos do antigo Oriente Próximo, onde divindades ou entidades espirituais eram frequentemente descritas como membros de um conselho divino. Isso incluiria a ideia de uma corte angélica, como a corte de conselheiros e servos de um rei.

Outro ponto de vista sugere que os “filhos de Deus” poderiam representar humanos justos e fiéis com um relacionamento especial com Deus. Essa interpretação é menos comum, mas está alinhada com a ideia de que os humanos podem ter uma ligação única e próxima com o seu Criador.

Outra perspectiva sugere que os “filhos de Deus” representem a criação de Deus, abrangendo tanto seres angélicos como terrestres que reconhecem a soberania de Deus. Por último, os “filhos de Deus” poderiam ser usados ​​como um recurso literário ou poético para preparar o cenário para o diálogo que se seguirá entre Deus e Satanás. Essa interpretação concentra-se nos temas teológicos e nas lições do livro de Jó, e não nas identidades específicas dos personagens.

As interpretações que fazem mais sentido implicariam alguma ideia de seres angélicos numa Corte ou Conselho Divino de Deus, servos espirituais responsáveis ​​perante o Senhor.


Outras Passagens da Bíblia Mencionam Esses Filhos de Deus?

O termo “filhos de Deus” ou “filhos de Elohim” aparece em algumas outras passagens da Bíblia, embora seu significado e contexto possam variar. Aqui estão algumas das ocorrências notáveis.

Em Jó 38:4-7, Deus pergunta a Jó onde ele estava quando os fundamentos da terra foram lançados e quando “as estrelas da manhã cantavam juntas e todos os filhos de Deus gritavam de alegria”. Essa referência sugere uma assembleia celestial de seres divinos que testemunharam a criação da terra.


⁴ Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.

⁵ Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?

⁶ Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,

⁷ Quando as estrelas da manhã juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? 


Gênesis 6:1-4 apresenta uma interpretação desafiadora que deu origem a vários pontos de vista. Descreve os “filhos de Deus” tomando esposas das “filhas dos homens” antes do Dilúvio. Alguns interpretam os “filhos de Deus” aqui como anjos caídos ou seres divinos que se casaram com humanos, levando a uma geração corrupta e perversa, mas a passagem não é completamente clara.


¹ E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,

² Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

³ Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.

⁴ Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. 


Em Deuteronômio 32:8-9, Deus distribui as nações aos “filhos de Deus”. Esta passagem faz parte de uma descrição poética da soberania de Deus sobre as nações, e a identidade específica dos “filhos de Deus” é debatida entre os estudiosos.


⁸ Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. (ou filhos de Deus, como sugerem outras traduções).

⁹ Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança. 


O Salmo 82:1 retrata Deus presidindo um conselho divino e julgando entre “deuses” ou seres divinos. Embora “filhos de Deus” não seja usado explicitamente aqui, a imagem de uma assembleia divina alinha-se com o conceito de seres celestiais ou entidades espirituais.


¹ Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. 


A interpretação dessas passagens varia entre estudiosos e teólogos. Alguns os veem como se referindo a anjos, outros como seres divinos e ainda outros como representações simbólicas de diferentes grupos.


Por Que os Filhos de Deus se Apresentam ao Senhor?

Na Bíblia, há casos em que Deus envia anjos para entregar relatórios ou mensagens sobre a situação na Terra. Essas missões angélicas comunicam-se entre o reino divino e a humanidade, muitas vezes transmitindo informações, avisos ou revelações importantes.

Nos capítulos iniciais do livro de Apocalipse, o apóstolo João recebe mensagens de Jesus Cristo, mensagens dirigidas a sete igrejas específicas. Um anjo entrega essas mensagens a João, instruindo-o a escrever o que vê e ouve. Cada mensagem inclui uma avaliação da condição espiritual e das ações da igreja, juntamente com exortações e advertências.

No livro de Zacarias, o profeta recebe uma série de visões que oferecem revelações sobre eventos futuros e realidades espirituais. Em uma visão, Zacarias vê cavaleiros em cavalos enviados por toda a terra para coletar informações e apresentar um relatório ao Anjo do Senhor. O relatório destaca as condições de várias nações e o seu impacto no povo de Deus.

No Evangelho de Lucas, o anjo Gabriel aparece a Zacarias no templo para anunciar o nascimento milagroso de João Batista. A mensagem do anjo serve como um relato do plano divino de Deus para Zacarias, que inicialmente luta para acreditar no anúncio devido à sua idade avançada.

Um anjo aparece a José em sonho para relatar o significado da gravidez de Maria e para tranquilizá-lo sobre o plano de Deus. A mensagem angélica ajuda José a compreender a natureza sobrenatural da situação e orienta suas ações.

Após a ressurreição de Jesus, um anjo aparece no túmulo vazio para informar às mulheres que vieram lamentar que Jesus havia morrido. A mensagem angélica serve como relato do acontecimento central do Cristianismo, confirmando a vitória de Jesus sobre a morte.

Esses exemplos demonstram como Deus envia anjos para transmitir informações importantes, entregar mensagens e oferecer orientação.

Além disso, Paulo fala de como o Evangelho de Deus para o mundo inteiro torna conhecida a multiforme sabedoria de Deus aos “principados e potestades nos lugares celestiais” (Efésios 3:10). Paulo declara ainda que essa revelação da grande sabedoria de Deus a esses poderes celestiais é parte do propósito do Pai.

Em Colossenses 2:15, Paulo também menciona como Jesus fez um espetáculo, uma espécie de zombaria, de “principados e potestades”, um triunfo através da cruz.

Para visualizar o contexto de Jó 1, Deus pergunta a Satanás se ele viu o homem justo, Jó. Assim como Paulo vê um testemunho celestial da atividade e do propósito do Evangelho, tanto para os espíritos e poderes bons como para os poderes maus, o propósito de Deus ao testar Jó foi a conversa com Satanás.


Por Que Satanás Aparece Com os Filhos de Deus?

O aparecimento de Satanás entre os "filhos de Deus" no livro de Jó, especificamente em Jó 1:6, levantou questões e provocou discussões entre estudiosos e teólogos durante séculos. Embora as interpretações possam variar, muitos entendimentos importantes esclarecem por que Satanás é permitido no céu ao lado dos “filhos de Deus”.

  • Teodiceia e o Problema do Mal. O livro de Jó explora a profunda questão da teodiceia – a natureza do sofrimento e a presença do mal num mundo criado e governado por um Deus justo e benevolente. O papel de Satanás na história de Jó permite uma exploração teológica das origens do sofrimento e do desafio à justiça humana. Satanás torna-se um instrumento através do qual a soberania de Deus e a realidade do mal são examinadas.
  • Teste da fé de Jó. Deus permite que Satanás teste a fé e a integridade de Jó. Satanás sugere que a piedade de Jó é motivada pelo interesse próprio e pelas bênçãos materiais. Ao permitir que Satanás desafie Jó, Deus demonstra Sua confiança na devoção de Jó e permite que Jó prove a genuinidade de sua fé. Muitas vezes Deus permite que sejamos testados porque conhece a força da nossa fé e como precisamos crescer através das provações.
  • Batalha Espiritual e Conflito Cósmico. A interação entre Deus e Satanás reflete um conflito cósmico mais amplo entre o bem e o mal, a justiça e a rebelião. A narrativa sugere que a humanidade está envolvida nessa luta cósmica, e Jó se torna uma figura significativa nesse drama divino. Devemos compreender que os nossos problemas ou conflitos aqui na terra têm uma fonte espiritual mais profunda. Há uma guerra e um conflito no invisível, e Deus revela como as nossas histórias estão ligadas a esse conflito celestial.
  • Satanás Como Adversário. O termo “Satanás” significa “adversário” ou “acusador”. A presença de Satanás na assembleia celestial reflete o seu papel como acusador e adversário, desafiando a fé e a justiça da humanidade. Satanás está empenhado em roubar, matar e destruir (João 10:10), quando se trata de pessoas criadas à imagem de Deus.
  • A Soberania e a Vitória de Deus. Durante toda a conversa com Satanás, Deus está no controle total. Satanás só pode fazer o que Deus lhe permite fazer. Enquanto Jó passa por testes intensos, Deus restaura e redime Jó. Deus perdoa e traz a abundância de volta à vida de Jó. Deus permite que a presença do mal nos teste, nos faça crescer e, por fim, revele a glória e a bondade do Senhor na vitória sobre o mal.

Em essência, o aparecimento de Satanás entre os “filhos de Deus” em Jó 1 mostra como Deus permite que sejamos testados, mas esses testes são temporários. Para aqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito, Ele faz todas as coisas para o nosso bem. Não algumas, metade ou a maior parte, mas todas as coisas. Podemos passar por sofrimento momentâneo e lutar contra o Diabo, mas Deus é todo-poderoso e bom, e nos levará à redenção e à vitória.

Satanás um dia será amarrado e lançado no Lago de Fogo (Apocalipse 20:10) e estaremos no reino eterno de intimidade com a Trindade e outros crentes nascidos de novo. Será a tão sonhada glória, honra e vida eterna diante de nosso Deus.



5 de julho de 2025

O Espinho na Carne de Paulo - Parte 3 - (Final)

Imagem de Jesus Cristo pisando sobre o diabo no fim dos tempos


Agência Divina e 2 Coríntios 12:7


⁷ E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Coríntios 12:7).

Uma das questões exegéticas mais claras em 2 Coríntios 12:7 é que o verbo "foi-me dado" é uma voz passiva divina ou teológica (pode estar em inglês). Tipicamente, uma voz passiva divina é empregada como uma forma de se referir indiretamente à atividade de Deus. Em 2 Coríntios 12:7, Paulo utiliza a forma passiva de "foi-me dado" para deixar claro que Deus, apesar do envolvimento de Satanás no envio do "espinho" de Paulo, foi o responsável final pelo "espinho" em sua vida. Ou seja, ao usar a voz passiva divina, Paulo está - falando de Deus como o agente oculto por trás de eventos e experiências na vida humana. Assim, embora Paulo se refira ao seu "espinho na carne" como um "mensageiro/anjo de Satanás", ele insiste que "lhe foi dado" por Deus.

A identidade de Deus como o doador do "espinho" de Paulo levanta questões sobre o papel de Satanás em 2 Coríntios 12:1-10. Como podemos entender o envolvimento de Satanás, que em outras partes das cartas de Paulo atua como seu adversário, ajudando a manter o orgulho de Paulo sob controle? Ou, como Satanás, o instigador do orgulho, pode aqui ser vinculado à imposição de humildade? Mais especificamente, devemos perguntar se o uso que Paulo faz da voz passiva divina em 2 Coríntios 12:7 implica que ele acreditava que Deus havia enviado um "anjo de Satanás" no sentido de que ele imaginava que Deus havia conspirado com Satanás?

Muitos sugeriram que 2 Coríntios 12:7 pressupõe uma espécie de dupla atuação nesse sentido. Por exemplo, alguns afirmam que Paulo pressupõe algum tipo de cooperação por parte de Deus e Satanás por meio do uso da voz passiva divina. Outros, sustentam que o espinho de Paulo era um adversário demoníaco e afirmam que Deus agiu por meio de Satanás. Ainda, alguns afirmam que, embora o "espinho" seja um ataque de Satanás, Paulo também o vê como um dom de Deus com um propósito edificante.

Em linguagem ainda mais forte, outros afirmam que a disciplina parental de Deus é exercida sobre Paulo por meio de Satanás. Por fim, há aqueles que vão ainda mais longe, sugerindo que Satanás atua em 2 Coríntios 12:7 como "agente de Deus", mas não como inimigo de Deus. Tais argumentos a favor da dupla agência - na qual se diz que Deus e Satanás cooperam até certo ponto - são regularmente apresentados por estudiosos. Mas será que essa linguagem é apropriada à luz da teologia apocalíptica de Paulo e de suas outras referências a Satanás?

A noção de Satanás agindo com a permissão de Deus teria sido familiar a Paulo. Para citar apenas um exemplo, no livro de Jó, Satanás recebe permissão de Deus para ferir Jó fisicamente e destruir seus bens (Jó 1:12; 2:6).


¹² E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. (Jó 1:12).

⁶ E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida. (Jó 2:6).


De fato, muitos estudiosos citam o papel de Satanás na história de Jó como um precedente bíblico e teológico para a suposta dupla atuação em 2 Coríntios 12:7; e alguns estudiosos chegam a afirmar que o próprio Paulo viu sua experiência com o espinho na carne através da experiência de Jó. No entanto, há razões para duvidar da relevância do relato de Jó para a compreensão do papel de Satanás em 2 Coríntios 12:7.

Primeiro, enquanto Satanás aparece na narrativa de Jó como parte do conselho divino e, portanto, já sob a autoridade e vontade de Deus, no Novo Testamento, incluindo as cartas paulinas, Satanás é retratado como uma espécie de figura angelical renegada que opera à parte e em oposição aos propósitos de Deus.

De fato, até certo ponto, o título "o deus deste século" em 2 Coríntios 4:4 pressupõe a independência de Satanás em relação a Deus. Portanto, é difícil imaginar que Paulo tivesse entendido que Deus permitiu que Satanás enviasse seu "espinho" da mesma forma que Satanás recebeu permissão divina para atacar Jó.


⁴ Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. (2 Coríntios 4:4).


Segundo, nada no texto de 2 Coríntios 12:7 sugere que Satanás conscientemente serviu como agente de Deus ou que Deus concedeu a Satanás autoridade para atacar Paulo. Em suma, o papel de Satanás como acusador do conselho divino no livro de Jó não parece ajudar a explicar o papel de Satanás em 2 Coríntios 12:7.

Além disso, em nenhum outro lugar das cartas paulinas Satanás atua como agente de punição ou disciplina divina. Em contraste, em 2 Coríntios 12:7 e em outras partes das cartas de Paulo, Deus e Satanás são forças antitéticas, mas de forma alguma iguais. Na teologia paulina, Satanás é categorizado como um inimigo de Deus, destinado a ser destruído no fim da era atual.

Assim, nos escritos paulinos, principalmente em 2 Coríntios 12:7, Satanás não pode ser descrito como um agente testemunha de Deus. Além disso, se Paulo entendesse que Deus usa Satanás como agente de punição, provavelmente se esperaria que tal linguagem ocorresse com mais frequência nas cartas de Paulo.

A ausência dessa função nos escritos paulinos, no entanto, afasta a interpretação do papel de Satanás em 2 Coríntios 12:7 como um agente de Deus. Isso não descarta a possibilidade de Paulo ter entendido que Deus agiu por meio de Satanás para subjugar seu orgulho, mas lança dúvidas sobre interpretações que pressupõem ou implicam algum tipo de cooperação intencional entre Deus e Satanás.

Em última análise, se podemos falar de Satanás como um agente de Deus - embora, como observamos, haja razão para sugerir que tal linguagem não se aplica aos escritos paulinos - é apenas como um instrumento involuntário da vontade de Deus e não como cúmplice de Seus propósitos. Nesse sentido, alguns teólogos afirmam que Satanás frequentemente atua como um instrumento involuntário de Deus na tradição bíblica e alertam contra a dicotomia entre os papéis de Satanás como inimigo e servo de Deus.

Hipoteticamente falando, “inimigo” e “agente” (ou “servo”) não são papéis mutuamente exclusivos. Uma pessoa pode funcionar como um adversário enquanto, simultaneamente, mas sem saber, participa da realização da vontade de seu oponente. Nesse sentido, Satanás pode ser um "instrumento involuntário" de Deus, mas tal linguagem é de benefício limitado para explicar o papel de Satanás em 2 Coríntios 12:7, visto que, até certo ponto, todas as coisas são "instrumentos" da vontade de Deus em uma cosmovisão como a de Paulo, onde a supremacia e a singularidade de Deus são incontestáveis.

Como, então, podemos explicar os papéis de Deus e de Satanás na passagem? Poderia ser dito que os dois agentes do "espinho" de Paulo - Deus e Satanás - se opõem em seus propósitos. Por um lado, Satanás, que participa do envio do "espinho" de Paulo em virtude da referência aposicional ao "mensageiro/anjo de Satanás", visa atormentar Paulo. Por outro lado, Deus, revelado por Paulo como o "doador" de seu "espinho" por meio da passiva divina "foi-me dado", determina impedir que Paulo se torne muito exultante com sua revelação.

Em outras palavras, as intenções de Satanás para o espinho de Paulo são inimigas, enquanto as de Deus são edificantes e, portanto, as duas "fontes" do espinho de Paulo são fundamentalmente antitéticas. Tanto a graça de Deus quanto o "mensageiro/anjo de Satanás" operam simultaneamente, mas são opostas uma à outra em propósito.

Paulo frequentemente descreve Satanás como um adversário de seu trabalho apostólico. O papel de Satanás na presente passagem não é diferente. Ao enviar seu "mensageiro/anjo" Satanás tenta atormentar Paulo a fim de impedir seus esforços pelo evangelho. Mas, como sempre na experiência de Paulo, Deus triunfa sobre Satanás ao realizar sua vontade.

O que é enviado para atormentar Paulo é transformado por Deus em um meio de proclamar o poder e a graça de Cristo. Essa reviravolta surpreendente reflete a maneira paradoxal como Deus derrota Satanás. Portanto, embora os propósitos de Deus e de Satanás estejam em desacordo na passagem, é Deus quem prevalece sobre Satanás quando Paulo abraça a suficiência da graça de Deus e aceita o propósito de Deus para o "espinho" em vez do de Satanás (isto é, tormento físico). Dessa forma, o "espinho" não é mais considerado por Paulo apenas como um ataque de Satanás, mas também como um presente "dado" a ele por Deus.

Consequentemente, 2 Coríntios 12:7 não deve ser discutido em termos de dupla agência, a fim de evitar a implicação de que Satanás e Deus conspiraram um com o outro. Em 2 Coríntios 12:7 e em todas as cartas paulinas, o modus operandi de Satanás é frustrar a obra de Deus, opondo-se ao trabalho apostólico de Paulo. Os propósitos de Deus e de Satanás para o espinho de Paulo são, portanto, antitéticos.

O Satanás de 2 Coríntios 12:7 não é, portanto, um agente ou servo de Deus? Pelo contrário; como Paulo deixa claro anteriormente na mesma carta, ele é "o deus deste século" que busca cegar as pessoas, impedindo-as de "enxergar" o evangelho e a verdade; é aquele que tentou tirar vantagem de Paulo e dos coríntios em 2 Cor 2:5-11; e aquele que enviou seus servos para se infiltrar na congregação de Corinto e desafiar a autoridade apostólica de Paulo 2 Cor 11:12-15.


¹² Mas o que eu faço o farei, para cortar ocasião aos que buscam ocasião, a fim de que, naquilo em que se gloriam, sejam achados assim como nós.
¹³ Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
¹⁴ E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
¹⁵ Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. (2 Coríntios 11:12-15).


Em suma, Satanás é o oponente dos propósitos de Deus e o adversário da obra apostólica de Paulo. Talvez por essa razão, Paulo, ciente da origem maligna de seu "espinho", tenha implorado a Deus pra que se desviasse dele. Se assim for, a aceitação por Paulo do propósito edificante de Deus para o "espinho" - o mensageiro/anjo de Satanás - é ainda mais notável.

O oportuno lembrete de Paulo sobre o governo supremo de Deus sobre todas as coisas e pessoas não teria passado despercebido pela igreja de Corinto. No capítulo anterior a esta passagem, Paulo havia alertado a igreja sobre os caminhos dúbios de Satanás, que se disfarça de anjo de luz, e de seus servos, a quem Paulo declara que sofrerão julgamento nas mãos de Deus. Agora, Paulo descreve aos coríntios como Deus venceu Satanás e seus servos (e seus mensageiros/anjos) usando a dolorosa experiência de Paulo para um resultado positivo.

Em ambas as passagens, as únicas duas em Paulo onde Satanás e mensageiro/anjo ocorrem tão intimamente, Deus triunfa sobre as tentativas de Satanás e seus servos (ou mensageiros/anjos) de impedir a obra de Paulo. E, a fim de chamar a atenção para o papel de Deus em "dar" o "espinho", Paulo pode ter encontrado na voz passiva "foi-me dado" um meio retórico adequado para chamar a atenção dos coríntios e lembrá-los de que a obra de Satanás, seja por meio de seus emissários ou de um "espinho" doloroso, sempre falhará contra o poder de Cristo, que paradoxalmente se manifesta através da fraqueza.


18 de setembro de 2025

A Solução de Dois Estados: O Que a Bíblia Diz Sobre Isso?

Imagem com tanques de guerra e mísseis no oriente médio


Alguns, que vivem em Israel desde antes de 1948, e lutaram em muitas guerras, viram amigos, entes queridos e outras pessoas pagarem o preço altíssimo da guerra estão prontos para fazer qualquer concessão pela paz. Acreditam que somente uma solução de dois Estados, onde Israel e Palestina coexistirão lado a lado, é a única possibilidade de trazer a verdadeira paz a esta região. Outros, creem de modo totalmente contrário, e ainda, há aqueles que creem que uma solução de Dois Estados é, na verdade, totalmente contrária às Escrituras.

Esta é uma questão muito delicada. É um conflito que custou caro às pessoas de ambos os lados; pessoas perderam suas casas, seus meios de subsistência, foram tratadas de forma inadequada e injusta, e até mesmo perderam suas próprias vidas.

Antes de entrarmos nesta questão, há dois fatos básicos e fundamentais com os quais devemos concordar. O primeiro fato é o Livro de Gênesis: “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Em Gênesis 1:1 Deus é o criador do universo; este mundo pertence a Ele e somente a Ele. Ele é soberano – não há ninguém acima Dele – e Ele é capaz de fazer o que quiser com este mundo. O segundo fato com o qual devemos concordar é que a Bíblia (de Gênesis a Apocalipse) é a Palavra do Deus Vivo, e que devemos usá-la como nosso roteiro para a vida, influenciando assim tudo o que pensamos e fazemos. Se não conseguirmos concordar sobre esses dois primeiros pontos, pode ser impossível chegar a um entendimento desta questão em pauta.

Então, o que a Bíblia tem a dizer sobre essa questão? Deus realmente se importa com a Terra, ou apenas com as pessoas e suas almas? Acredito que precisamos absorver a plenitude da Palavra de Deus e não escolher de acordo com nossos gostos e desgostos, ou o que é confortável para nós; há uma conexão direta que não podemos ignorar em relação às pessoas, à Terra e ao plano de Deus de salvação e julgamento para o mundo inteiro.

Comecemos com o Livro de Gênesis, que é um livro fundamental sobre toda a Palavra de Deus, onde Deus faz uma aliança incondicional com Abraão e seus descendentes:


¹ Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

² E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

³ E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:1-3).


Observe que Deus escolheu Abrão; Foi Ele quem prometeu abençoá-lo e engrandecer seu nome. Observe também que foi Deus quem designou Abrão para ir a uma terra específica, que Deus havia ordenado:


⁷ E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera. (Gênesis 12:7).


O importante é entender que Deus também deixou claro que a terra que Ele deu a Abrão também deveria ser preservada para seus descendentes. Vemos isso quando Deus confirma Sua promessa novamente em Gênesis 15:18.


¹⁸ Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; (Gênesis 15:18).


De fato, os limites da terra que Deus prometeu a Abrão vão muito além do atual Israel! À medida que continuarmos com nosso estudo, veremos um desenvolvimento muito interessante e crucial nas Escrituras, quando Deus especifica com qual dos descendentes de Abraão Ele estabelecerá a Aliança:


¹⁸ E disse Abraão a Deus: Quem dera que viva Ismael diante de teu rosto!

¹⁹ E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele.

²⁰ E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e o farei frutificar, e o farei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.

²¹ A minha aliança, porém, estabelecerei com Isaque, o qual Sara dará à luz neste tempo determinado, no ano seguinte. (Gênesis 17:18-21).


Deus deixa bem claro que a bênção original, que também incluía a Terra, continua com Isaque. Isso não significa, contudo, que Deus tenha negligenciado Ismael e seus descendentes! Deus prometeu abençoá-los, o que podemos ver claramente hoje; as nações árabes foram abençoadas com tremenda riqueza, não apenas em quantidade de terra, petróleo e riqueza, mas também pelo fato de que muitas delas estão retornando ao Deus de Israel em grande número pela fé em Seu Filho, Jesus. No entanto, mais uma vez, não podemos ignorar o fato de que Deus fez a aliança original com Abraão, Isaque e Jacó:


⁹ E apareceu Deus outra vez a Jacó, vindo de Padã-Arã, e abençoou-o.

¹⁰ E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel.

¹¹ Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos;

¹² E te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra. (Gênesis 35:9-12).


Aqui, três coisas muito interessantes acontecem:


  1. O próprio Deus aparece a Jacó, filho de Isaque, e o abençoa, além de lhe dar um novo nome: Israel.
  2. Deus diz a Jacó (Israel), que uma multidão de nações nascerão dele.
  3. Deus afirma a Jacó (Israel), que a aliança original, que foi e é uma aliança incondicional, continuará por meio dele e de seus descendentes, ou seja, a nação de Israel hoje.


Uma das principais fontes do desacordo dentro do Corpo do Messias (judeus e gentios) em relação à Terra é o debate sobre alianças condicionais versus incondicionais. Sim, depois da Aliança Abraâmica, que era, como vimos, uma aliança incondicional, veio a aliança Mosaica, que era e ainda é condicional.

No entanto, é preciso entender ambos para enxergar a Aliança Mosaica dentro de seu propósito e contexto. A Aliança Mosaica tinha, e creio que ainda tem, o objetivo de levar as pessoas a reconhecer sua necessidade de redenção (Gálatas 3:24). Deus é santo e exige santidade; nossa santidade só pode ser obtida em perfeição por meio do Cordeiro perfeito e imaculado, Jesus. Não vou entrar no debate sobre a "Lei", mas o fato é que a Aliança Mosaica era condicional e, como Israel a violou, foi enviado para o exílio.


²⁴ De maneira que a lei nos serviu de tutor, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. (Gálatas 3:24).


A gloriosa realidade, porém, é que, embora a humanidade não seja capaz de cumprir a sua parte da aliança (por causa do pecado), Deus é capaz! Ele cumpre as Suas promessas e permanece fiel à Sua aliança até o fim. Israel é um excelente exemplo da fidelidade de Deus. A única razão pela qual Israel existe hoje é porque Deus é fiel e verdadeiro; Ele cumpriu a Sua promessa original aos antepassados ​​de Israel e tem um plano de salvação por meio de Israel para o mundo inteiro. Deus não pode rescindir as Suas promessas, porque isso simplesmente não é quem Ele é:


³⁵ Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o Senhor dos Exércitos é o seu nome.

³⁶ Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.

³⁷ Assim disse o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor. (Jeremias 31:35-37).


Para expandir ainda mais a fidelidade de Deus, não se pode ignorar as muitas profecias sobre a reunião de Israel de volta à Terra que Deus prometeu a Abraão, Isaque e Jacó:


¹⁷ Portanto, dize: Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel. (Ezequiel 11:17).


¹⁴ Portanto, eis que dias vêm, diz o Senhor, em que nunca mais se dirá: Vive o Senhor, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito.

¹⁵ Mas: Vive o Senhor, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais. (Jeremias 16:14,15).


⁸ Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos. (Isaías 66:8).


Estes são apenas alguns exemplos entre muitas escrituras que falam diretamente do restabelecimento de Israel como cumprimento direto da profecia. Isso nos leva a uma escolha muito importante de palavras que muitas pessoas (inclusive crentes) usam para se referir a Israel: ocupantes. Isso não apenas revela o profundo desprezo que algumas pessoas nutrem por Israel e pelo povo judeu, mas também revela sua ignorância quanto ao fato de que Israel hoje está, de fato, cumprindo sua herança da Terra, que Deus havia prometido há milhares de anos.

Agora chegamos à questão dos Dois Estados – Israel e Palestina. Tudo até aqui foi para estabelecer o que a Palavra de Deus diz sobre a Terra de Israel.

A triste realidade é que o humanismo – a elevação do homem acima de tudo – permeou o Corpo do Messias em todo o mundo, o que explica em parte por que tantos seguidores de Jesus realmente lutam para se posicionar sobre essa questão. No entanto, deixamos de reconhecer que a questão da Terra não é uma questão de "certo ou errado" de uma perspectiva humana; trata-se do que Deus decidiu que deveria ser feito com esta Terra...

Então, o que devemos fazer? Qual o entendimento para tudo isso? Voltemos ao nosso fundamento: a Palavra de Deus! Ele dá um aviso muito claro àqueles que buscam dividir a Terra que essencialmente Lhe pertence:


¹ Porque, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém,

² Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra. (Joel 3:1,2).


De acordo com esta profecia, as nações pressionarão Israel para dividir a Terra. E eles pagarão caro por isso. A realidade é que, independentemente de haver ou não uma Palestina na Terra de Deus, os responsáveis ​​pagarão caro. Deus promete entrar em juízo contra eles, o que é uma consequência terrivelmente assustadora. Não é minha intenção sugerir a solução para esta crise, mas sim declarar claramente que uma "Solução de Dois Estados" só trará mais caos e derramamento de sangue a esta parte do mundo. A Palavra de Deus não volta vazia!

É fácil se desesperar nestes tempos. Minha esperança repousa em outras promessas de Deus em Sua Palavra, promessas que se cumprirão, como Isaías 19, que fala de um dia em que Egito, Assíria e Israel adorarão o Deus de Israel juntos em paz; promessas do dia em que não ouviremos mais o som de choro nas ruas de Jerusalém. Que dia glorioso será esse!

Para concluir, engana-se quem pensa que a paz criada pelo homem prevalecerá. A realidade é que não existe uma solução fácil, e definitivamente não existe uma solução que traga a verdadeira paz a esta região hostil e instável. O anticristo pode forçar uma falsa paz temporária, mas será, em última análise, com o retorno do nosso Messias a Jerusalém que finalmente conheceremos a verdadeira paz no mundo.







2 de março de 2026

Como Começar a Pedir Sabedoria a Deus?

 

Imagem de uma bíblia jorrando água

Deus nos deu tudo o que precisamos para nos tornarmos quem Ele nos criou para ser. Essa jornada começa com a oração por orientação e o pedido de sabedoria a Deus. A Bíblia diz que você pode pedir sabedoria a Deus e Ele a dará gratuitamente.


⁵ E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. (Tiago 1:5).


Ao pedir sabedoria a Deus, você está solicitando que Ele lhe dê discernimento espiritual. Isso o colocará no caminho que o conduzirá ao seu propósito divino.


Por que pedir sabedoria a Deus é importante?

A vida é cheia de escolhas. Às vezes, temos certeza de que sabemos o que é melhor, mas acabamos cometendo erros. Você acha que conhece a direção e o caminho certo a seguir, mas depois de um tempo, percebe que está perdido. Você tinha certeza de que sabia o que era melhor, mas acabou precisando de ajuda para voltar ao rumo certo.

Quando ignoramos a sabedoria de Deus e tentamos fazer as coisas do nosso jeito, podemos acabar perdidos ou magoados. Deus, nosso Pai celestial, é mais sábio do que qualquer um. Ele criou tudo, conhece o futuro e quer nos guiar. Quando pedimos sabedoria a Deus, escolhemos confiar na Sua orientação em vez de apenas nas nossas próprias ideias. Com o conhecimento da Palavra de Deus nos guiando e o Espírito Santo nos mantendo firmemente no caminho certo, temos o que é preciso para viver vidas alinhadas com os planos e propósitos de Deus.


O que é sabedoria e por que ela é tão valiosa?

Sabedoria é mais do que apenas conhecer fatos ou ser inteligente. É a capacidade de discernir o que é certo, tomar boas decisões e viver de uma maneira que honre a Deus. Provérbios diz que a sabedoria é melhor do que rubis, ouro ou qualquer outra coisa que você possa desejar. Pedir sabedoria a Deus permite que você aplique esse tesouro à sua vida.


¹¹ Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11).


A Palavra de Deus usa a sabedoria para nos ensinar o que é certo e o que é errado. Andar em sabedoria requer escolhas e decisões prudentes, pois elas nos ajudam a permanecer firmemente no caminho certo.


Eis por que a sabedoria é tão importante:

  • Ela te protege de erros: A sabedoria te ajuda a enxergar as consequências de seus atos antes de tomar uma decisão, para que você possa evitar problemas.
  • Ela te ajuda a ter sucesso: Escolhas sábias levam a melhores resultados em seus relacionamentos, carreira e futuro.
  • Ela molda o seu futuro: A maioria das grandes decisões que você tomará - sobre quem você é, o que fará e com quem passará a vida - acontece quando você é jovem. Adquirir sabedoria no início da vida prepara você para uma jornada melhor.


Ao pedir sabedoria a Deus, você precisa compreender o poder do arrependimento. Arrepender-se envolve mudar sua maneira de pensar e reavaliar sua vida. Você deve escolher abandonar seus caminhos pecaminosos e seguir a trajetória que Deus lhe indicar.


O que os Provérbios ensinam sobre a sabedoria?

O livro de Provérbios é como um baú de tesouros repleto de conselhos para viver com sabedoria. Em Provérbios 8, o autor personifica a sabedoria para ilustrar lições essenciais sobre o que a sabedoria faz por nós:


  1. A sabedoria está te chamando.


¹ Não clama porventura a sabedoria, e a inteligência não faz ouvir a sua voz?

² No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se posta. (Provérbios 8:1,2).


Provérbios 8 descreve a sabedoria como uma pessoa que está no meio da cidade mais movimentada, gritando: “Ei! Escutem-me!” A sabedoria está disponível para qualquer pessoa que esteja disposta a ouvir e aprender.


  1. A sabedoria é para todos.


⁴ A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

⁵ Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração. (Provérbios 8:4,5).


A sabedoria não é privilégio apenas dos mais inteligentes, ricos ou populares. Provérbios diz que a sabedoria se dirige a todos, até mesmo àqueles que pensam não precisar dela. Se você estiver disposto a ouvir, poderá se tornar sábio, independentemente de onde comece.


  1. A sabedoria conduz a coisas excelentes.


⁶ Ouvi, porque falarei coisas excelentes; os meus lábios se abrirão para a equidade. (Provérbios 8:6).


Ao ouvir a sabedoria, você aprende o que é certo e bom. A sabedoria ajuda você a fazer escolhas que levam ao sucesso e à felicidade. Se você deseja uma vida abundante, comece pedindo sabedoria a Deus.


  1. A sabedoria é melhor do que qualquer coisa que você possa desejar.


¹¹ Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11).


A sabedoria de Deus é a coisa mais valiosa que você pode ter. Se você possui sabedoria divina, será ricamente compreendido.


Por que você precisa de sabedoria agora?

Você pode pensar que sabedoria é algo que você precisa quando for mais velho. Mas não há melhor momento para pedir sabedoria a Deus do que agora! Se você receber sabedoria cedo, evitará muita dor e arrependimento mais tarde.


A sabedoria te ajuda:

  • Escolher os amigos certos
  • Administrar o dinheiro com sabedoria
  • Evitar situações perigosas
  • Tomar decisões sobre sua família e carreira futura.


Passos práticos para pedir sabedoria a Deus

Você pode estar se perguntando: “Certo, entendi. Sabedoria é importante. Mas como eu peço sabedoria a Deus?” Aqui estão alguns passos práticos que você pode começar a usar hoje mesmo:


1. Ore e peça diretamente a Deus

Tiago 1:5 nos diz que, se nos falta sabedoria, podemos pedi-la a Deus, e Ele a dará generosamente. Isso significa que você pode simplesmente orar: "Deus, por favor, dê-me sabedoria". Deus promete responder quando você pedir sinceramente.


2. Leia o Livro de Provérbios

O livro tem 31 capítulos, então você pode ler um por dia durante o mês. Ao ler, peça a Deus que o ajude a compreender e aplicar o que aprender. O livro de Provérbios está repleto de provérbios curtos e poderosos que o ajudarão a tomar melhores decisões.


3. Ouça as pessoas sábias.

Deus frequentemente nos dá sabedoria por meio de pais, professores, pastores e amigos que O seguem. Não tenha medo de pedir conselhos a eles quando estiver diante de uma escolha difícil. Provérbios 13:20 diz que aqueles que andam com os sábios serão sábios.


²⁰ O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído. (Provérbios 13:20).


4. Preste atenção aos sinais de Deus

Às vezes, Deus lhe dará um sentimento ou pensamento sobre o que é certo. Pode ser uma voz suave em seu coração ou uma sensação de que algo não está certo. Não ignore esses lembretes gentis. Preste atenção e seja obediente a eles.


5. Aprenda com os erros

Todos cometem erros, mas as pessoas sábias aprendem com eles. Se você errar, não desista. Pergunte a Deus o que você pode aprender e tente novamente com a ajuda Dele. Deus nos lembra que, mesmo que você caia muitas vezes, Deus lhe dará forças para se levantar novamente se você tiver um coração arrependido.


¹⁶ Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. (Provérbios 24:16).


6. Faça da sabedoria uma prioridade.

Pedir sabedoria a Deus deve ser a principal prioridade da sua vida, se você desejar viver uma vida que honre a Deus. Isso significa escolher buscar a Sua orientação antes de tomar grandes decisões, em vez de simplesmente fazer o que parece certo no momento.


Como incorporar a sabedoria ao seu dia a dia?

Aqui estão algumas maneiras de você tornar a busca pela sabedoria um hábito:

  • Comece o seu dia com uma oração: Antes de se levantar, peça a Deus que lhe dê sabedoria para o dia.
  • Leia um capítulo de Provérbios por dia: Anote uma coisa que você aprendeu e tente aplicá-la.
  • Converse com alguém sábio sobre suas escolhas: Não guarde decisões importantes só para você. Peça conselhos a pessoas de confiança, que são tementes a Deus e que tenham experiência.
  • Pense antes de agir: Reserve um momento para considerar as consequências antes de tomar decisões.
  • Seja humilde: Admita quando não souber o que fazer e peça ajuda.


Considerações finais:

Você não precisa desvendar os mistérios da vida sozinho. Deus te ama e quer te ajudar a fazer boas escolhas. Quando você pede sabedoria a Deus, você está se preparando para viver uma vida abundante em Cristo.


Eis o seu desafio:

Comece hoje. Ore e peça sabedoria a Deus. Leia um capítulo de Provérbios. Converse com uma pessoa sábia e temente a Deus sobre uma decisão que você tem que tomar, mas não sabe o que é melhor. Preste atenção ao que Deus está lhe ensinando. Se fizer isso, você se surpreenderá com o quanto sua vida melhorará. Lembre-se de que a sabedoria está chamando por você. Você vai ouvi-La?







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