25 maio, 2025

Daniel 9:24-27 - As 70 Semanas de Daniel - Parte 2

 


Dando sequência, “por que as setenta semanas de Daniel são mais complicadas do que os escritores populares de profecias dizem — ou mesmo sabem”. 

Esta questão de Daniel 9 requer atenção especial. Ela é tão contrária ao que todos os especialistas populares em fim dos tempos dizem, que pode passar despercebida. Nosso foco agora é o contexto de Daniel 9:25, ou seja, qual é o contexto em Daniel 9?


Veja como Daniel 9:1-4 começa:


¹ No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,

² No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.

³ E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.

⁴ E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; (Daniel 9:1-4).


Observe que Daniel nos conta que estava lendo o livro de Jeremias — especificamente, a palavra do profeta sobre o exílio de 70 anos. O exílio é referido como um período de "desolações" para Jerusalém.


A passagem à qual Daniel se refere é Jeremias 29:10-14:


¹⁰ Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.

¹¹ Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.

¹² Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.

¹³ E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.

¹⁴ E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei. (Jeremias 29:10-14).


Agora, deem uma olhada em Daniel 9:25:


²⁵ Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. (Daniel 9:25).


A relação entre Daniel 9:1-4 (com sua alusão a Jeremias 29:10-14) e Daniel 9:25 não é imediatamente aparente. Vamos analisar:

Tipicamente, Daniel 9:25 é visto como Daniel olhando para o futuro, para um tempo em que Jerusalém será reconstruída por seu povo. Essa campanha de reconstrução seria o ponto de partida da profecia das 70 semanas. Aqueles que defendem uma visão pré-tribulacionista / pré-milenista, geralmente debatem datas em meados dos anos 400 a.C. como o tempo dessa reconstrução e, portanto, o início da profecia das 70 semanas. Isso permite que as 69 semanas terminem na crucificação, deixando uma futura 70ª semana ainda indefinida na profecia. 

Mas e se Daniel não estivesse olhando para o futuro? E se ele tivesse visto o início da profecia das setenta semanas antes de seu próprio tempo? E se a profecia das setenta semanas dada a Daniel por Gabriel começasse com a profecia de Jeremias?

Jeremias teria proferido essa profecia algum tempo antes da queda de Jerusalém em 586 a.C. Isso significaria que, assim que Jeremias profetizou o que disse em Jeremias 29, as 70 semanas começaram a contar. Isso é mais de um século antes da visão popular iniciar as 70 semanas, e, portanto, destrói qualquer conexão com a crucificação. 

Isso é bem diferente do que muitos já ouviram. Na verdade, é uma questão simples de qual frase de Daniel 9:25 cada pessoa se concentra. Então, vejamos:


1 - Visão popular - onde as 70 semanas começam com a reconstrução de Neemias para que as 70 semanas terminem com a morte de Jesus:


²⁵ Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias (Mashiach), o Príncipe (Nagid), haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. (Daniel 9:25).


2 - Visão de Jeremias - Se Daniel, que sabemos que estava lendo Jeremias (Daniel 9:2), estava pensando na profecia de Jeremias sobre o fim das desolações de Jerusalém (Jeremias 29:10-14):


²⁵ Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias (Mashiach), o Príncipe (Nagid), haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. (Daniel 9:25).


Nesta visão, a frase “desde a saída da ordem para restaurar” em Daniel 9:25 é = a profecia de Jeremias em Jeremias 29:10-14.


Tendo em conta o contexto de Daniel 9:1-4, é perfeitamente possível que Daniel estivesse pensando no decreto de Jeremias — que Gabriel estivesse lhe dizendo que o relógio começou a contar assim que Deus deu aquela palavra a Jeremias.

Então, como isso funcionaria em ordem cronológica? 

1. Digamos que Jeremias recebeu a profecia de Jeremias 29 logo antes de Jerusalém ser destruída, digamos 588 a.C. Não sabemos, mas a lógica diz que teria sido perto do fim de Jerusalém, que foi 586 a.C.

2. De 588 a.C. até a ascensão de Ciro ao poder sobre a Babilônia em 539 a.C. = 49 anos, ou os primeiros sete setes de Daniel 9:25. Ciro foi o homem que libertou os judeus e encerrou o exílio.

3. Se usarmos o acento massorético (veja a parte 1), então o ungido segue imediatamente esses 49 anos. A identidade do ungido é óbvia: o próprio Ciro. Por quê? Precisamos de um "príncipe" [governante] ungido de Daniel 9:25, e Ciro é chamado por Deus de "meu ungido" em Isaías 45:1. É ele quem libertaria a nação exilada (e ele o fez). É bem explícito.


¹ Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. (Isaías 45:1).


4. Após o decreto de Ciro para permitir o retorno dos judeus, seguem-se mais 62 períodos de sete anos. Isso nos leva a 104 a.C.

5. Alguns poderiam (e têm) argumentado que 104 a.C. é significativo, pois marca a morte de João Hircano, o último dos governantes hasmoneus (macabeus) etnarca e sumo sacerdote. Ao final de seu reinado, João Hircano havia construído um reino que rivalizava em tamanho com o de Israel sob o rei Salomão. Depois de Hircano, seu filho e sucessores (eles não eram davídicos) assumiram o título de "rei dos judeus", algo ao qual não tinham direito... Os romanos foram - nessa visão - o instrumento de punição de Deus por este fato.

De qualquer forma, qualquer tentativa de racionalizar a cronologia com os eventos da história tem seus pontos de argumentações especiais. A visão pré-tribulacionista / pré-milenista vem tentando elaborar sua própria cronologia desde o final do século XIX. Outras visões têm a mesma tarefa. 

O ponto aqui não é defender nenhuma cronologia específica. Em vez disso, é apontar que o início da 70ª semana em meados dos anos 400 não é um ponto de partida evidente, especialmente porque Daniel nos conta que estava lendo Jeremias 29 quando Gabriel explicou a profecia para ele.





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