Grandes segmentos da Bíblia enfocam a escatologia. Então, por que muitos fingem que essas passagens não existem?
O
Livro do Apocalipse começa com uma bênção tão única quanto o próprio livro:
Bem-aventurado aquele
que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela
estão escritas; porque o tempo está próximo. (Apocalipse 1:3)
Pode
parecer uma maneira confusa de iniciar um livro do Novo Testamento; afinal,
Paulo escreveu que “toda a Escritura é proveitosa”. No entanto, nem mesmo os
Evangelhos começam com uma bênção para aqueles que os guardam. Por que o
Apocalipse é diferente?
João
responde essa pergunta no mesmo versículo: aqueles que guardam a sua visão
são abençoados porque “o tempo está próximo”.
Em
Provérbios 3:13 é dito que:
Bem-aventurado o homem
que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;
Em
Apocalipse há uma bem-aventurança muito mais específica. João não está dizendo
que o leitor será abençoado simplesmente porque esta é a Palavra de Deus. João
está dizendo que, se estudarmos a visão revelada, reconheceremos o que estará acontecendo, quando esses eventos começarem a ocorrer.
A Bíblia nos Convida para Estudar e Compreender a Escatologia.
A
Bíblia nos encoraja repetidamente a interpretar e compreender a profecia
escatológica. A declaração de João de que devemos - guardar o que está escrito
em Apocalipse, pois o tempo está próximo - seria uma conclusão estranha para
João escrever se ninguém fosse capaz de reconhecer nada em Apocalipse até
depois de tudo ter terminado de ocorrer.
João
não está sozinho: quando Daniel tem visões escatológicas, ele repetidamente
pede esclarecimentos e interpretação.
Em
Daniel 7:16, ele escreve que:
Cheguei-me a um dos que
estavam perto, e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isto. E ele me disse, e
fez-me saber a interpretação das coisas.
E
adiante, em Daniel 7:19, ele diz:
Então tive desejo de
conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os
outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze;
que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava;
Como
as perguntas de Daniel são recebidas pelos anjos? Se os anjos concordassem com
os cristãos ocidentais modernos, que muitas vezes não acreditam no
sobrenatural, ou no mundo espiritual, poderíamos esperar que esses mesmos anjos
repreendessem Daniel por tentar compreender o futuro. Em vez disso, quando
Daniel pede por compreensão, esta lhe é dada. Em resposta à sua pergunta sobre o
quarto animal, Daniel recebe mais informações, que fornecem mais detalhes sobre
o quarto animal. Nesse ponto, verificamos uma consistência com a promessa
relatada em Tiago 1:5:
E, se algum de vós tem
falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança
em rosto, e ser-lhe-á dada.
Mais adiante, em Daniel 10:12, o anjo Gabriel elogia Daniel por sua busca pelo entendimento:
Então me disse: Não
temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a
compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e
eu vim por causa das tuas palavras.
Observe
que o anjo Gabriel elogia Daniel por buscar entendimento com humildade. É
evidente, então, que Gabriel não confunde desejo de compreender as profecias com arrogância.
Gabriel também não diz a Daniel para ser menos intelectual ou para ser mais
simplório em sua fé, ou que ele deveria ser apático quanto ao significado das
visões. Em vez disso, Gabriel enfatiza repetidamente a importância do
“entendimento”, dizendo:
E me disse: Daniel,
homem muito amado, entende as palavras que vou te dizer, e levanta-te sobre os
teus pés, porque a ti sou enviado. E, falando ele comigo esta palavra,
levantei-me tremendo. (Daniel 10:11).
As Profecias Informam um Sentido Particular Antes dos Acontecimentos que as Descrevem.
Grande
parte da clareza da visão profética em Daniel 8 vem dos apartes interpretativos
de Gabriel a Daniel. Em Daniel 8:20-21, Gabriel explica:
Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia,
Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei;
Contudo,
a interpretação dos anjos não se limita a Daniel 8. O mesmo tipo de comentário
aparece em Apocalipse 17:8-18, quando, por exemplo, um anjo explica a João -
“Isto exige uma mente com sabedoria: as sete cabeças são sete montanhas nas
quais a mulher está sentada… a mulher que você viu é a grande cidade que tem
domínio sobre os reis da Terra”.
Essas
“notas de rodapé” reveladas pelos anjos não existiriam se a escatologia fosse
concebida para ser confusa e obscura. Pelo contrário, os anjos oferecem essas
explicações precisamente para nos ajudar a compreender o significado prático e
real dessas profecias.
As
profecias de Isaías também ilustram a natureza surpreendentemente simples da
profecia bíblica. Isaías predisse, que Deus salvaria Jerusalém da Assíria e,
naquela mesma noite, um anjo apareceu e matou 185.000 assírios. (2 Reis 19).
Não
há dúvida sobre o principal objetivo das profecias de Isaías, que descrevem
eventos compreensíveis, reconhecíveis, públicos e geopolíticos. Por exemplo,
Ciro fez mais do que cumprir as profecias de Isaías em algum sentido figurado,
como reconstruir espiritualmente a Jerusalém na sala do trono no céu. Em vez
disso, Ciro fez o que o público de Isaías teria imaginado imediatamente quando
ouviu as profecias de Isaías: conquistar a Babilônia, libertar Judá e
restabelecê-lo em sua terra natal.
Uma Forma Questionável e Conveniente de Interpretar as Escrituras é a Seguinte: “O que Interessa é que Deus está no Comando!”.
Muitos
cristãos antiescatológicos usam o slogan “Deus está no comando”, apenas para
dizer que no final, tudo vai dar certo. Aqueles que são céticos em relação à
escatologia, aparentemente, acreditam que o seu ceticismo é apenas uma
afirmação profunda da soberania de Deus. A ambiguidade nebulosa não aponta o
caminho para a soberania de Deus: o conhecimento sim.
Imagine
um cristão, a quem um buscador da palavra de Deus pediu que explicasse o significado de 2 Coríntios
5:17
Assim que, se alguém
está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se
fez novo.
Suponha, agora, que o cristão apenas responda: “Nunca me preocupo em entender esse tipo de coisa; a única coisa que realmente precisamos saber é que Deus está no comando”. Provavelmente não aplaudiríamos esse cristão pela sua humildade ou compreensão madura das Escrituras. Pelo contrário, nós o criticaríamos com razão por ser descomprometido e apático em relação à Palavra de Deus.
Se
Deus apenas quisesse que soubéssemos que Ele está no comando, a Bíblia
provavelmente não conteria dezenas de milhares de versículos sobre uma vasta
gama de tópicos diversos. Todas as escrituras são proveitosas, incluindo
passagens sobre escatologia. No entanto, a escatologia envolve uma bênção não
encontrada em nenhum outro lugar. Ela tem algo a mais para ensinar-nos do que uma simples mensagem genérica sobre soberania, que o resto da Bíblia já transmite - e essa
escatologia revelada não foi escrita para que os cristãos a ignorassem. Foi-nos dada
para estudarmos e compreendê-la.
A profecia escatológica também é mais do que um gênero entre muitos. É o seguimento em torno do qual toda a narrativa bíblica é construída, culminando com o casamento de Cristo com a Nova Jerusalém: a Noiva, a Esposa do Cordeiro. Se colocarmos nossos corações para entendê-la e nos humilharmos diante de nosso Deus, então Deus, que dá generosamente a todos que o pedem e sem censura, nos dará compreensão - ainda que alguns elementos só possam ser revelados no seu devido tempo.

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