Guenon apontou duas razões:
Em primeiro lugar, a teoria de William James da
"experiência religiosa" como manifestação do subconsciente pelo qual
o homem se comunica com o divino "por dentro" está a apenas um passo
de "tolerar as práticas do espiritismo" (contato com
espíritos) com a consequência adicional de conferir aos maus espíritos um "caráter
eminentemente religioso".
Em segundo lugar, a noção de que o subconsciente coloca o
homem em contato com a Substância Divina "por dentro" coloca Deus...
“... nos estados inferiores do ser, “no inferno”,
no sentido literal desta expressão. Esta é então uma doutrina propriamente
“infernal”, uma inversão da ordem universal, que é precisamente o que chamamos
de “satanismo”. Mas como isso claramente não é intencional, e como aqueles que
avançam ou aceitam tais teorias não levam em conta a sua enormidade, trata-se
apenas de um satanismo inconsciente.” (Págs. 258-259).
Baseando-se em teorias satanicamente orientadas por William
James, o renomado psiquiatra Carl Jung (1875-1961), um homem fortemente
demonizado, ensinou que a psique (alma) consiste em dois sistemas principais:
um inconsciente pessoal e uma camada mais profunda e significativa, que ele
chamou de inconsciente coletivo; o inconsciente coletivo, que Jung identificou
como arquétipos. Para Jung, os arquétipos eram inatos, inconscientes e
universais.
O sistema de Jung incorpora a teoria materialista da
evolução de Darwin, juntamente com as concepções espirituais da evolução,
reencarnação, concepções gnósticas da Substância Divina, magia hermética
egípcia antiga, e várias outras doutrinas ocultas e tecnologias
psicoespirituais de todo o mundo.
Jung mergulhou profundamente no ocultismo. Praticava
necromancia e mantinha contato diário com espíritos familiares que chamava de
arquétipos por acreditar, que eram manifestações de poderes inatos ao seu
inconsciente coletivo.
A maior parte da visão psicológica de Jung foi adquirida
de seus espíritos familiares, particularmente Filemom e Basílides.
Filemom apareceu para Jung em um corpo
humanoide com asas e a cabeça de um touro com chifres. No início, Jung pensou
que seus familiares espirituais eram manifestações de sua própria psique, mas
no final de sua vida ele percebeu com horror, que Filemom, Basílides e muitas
outras entidades espirituais, que eram uma característica comum de sua vida, eram, na verdade, seres hostis altamente inteligentes e independentes da consciência
humana.
Falando de Filemom, Jung disse:
"Filemom representava uma força que
não era eu mesmo... Conversei com ele, e ele disse coisas que eu não tinha
pensado conscientemente. Pois observei claramente, que era ele quem falava, não
eu... Psicologicamente, Filemom representava uma visão superior. Ele era uma
figura misteriosa para mim. Às vezes ele me parecia bastante real, como se
fosse uma personalidade viva. Fui andando para cima e para baixo do jardim com
ele, e para mim ele era o que os índios chamam de guru." (Memórias, Sonhos, Reflexões, Carl Jung, p. 183,
PsicoHeresia: O Legado de C.G. Jung para a Igreja, Ministérios de
Conscientização da Psicoheresia).
Jung usa o nome Abraxas para descrever o pleroma gnóstico
impessoal (ou seja, Substância Divina Única, Espírito do Mundo, Brahman, Vazio)
a partir do qual a mente e, em seguida, outros poderes mentais supostamente
evoluíram. A palavra Abraxas é encontrada em textos gnósticos esotéricos, como o Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível e nos Papiros Mágicos Gregos.
A Grande Obra
Em 1916, Jung recebeu revelações de seus espíritos familiares demoníacos durante a escrita automática (quando um espírito maligno usa uma mão humana para escrever) de um tratado gnóstico chamado "Os Sete Sermões aos Mortos". Este texto descreve Abraxas como um deus superior ao Deus vivo, pessoal, uno e combina todos os opostos em um "ser".
Na tradição oculta, a combinação de todos os opostos é a Grande Obra. A Grande Obra é reconhecida por tradições ocultas em todo o mundo, tanto antigas quanto modernas. O demonicamente revelado Sete Sermões aos Mortos é o texto que foi rotulado como um texto central em psicologia profunda.
Alquimia e Oroboros
Subjacente à psicologia transpessoal e
profunda gnóstica derivada do demônio de Jung está a tecnologia
milenar da alquimia e seu significado mágico: o antigo Princípio Hermético
Egípcio da correlação da Substância Divina (Abraxas) com a mente do homem,
" o que está acima é como o que está abaixo".
O princípio hermético é simbolizado pelo Oroboros. No pensamento
teosófico luciferiano moderno, por exemplo, o Oroboros "acima"
(Lúcifer/Abraxas) corresponde a muitos planos e subplanos astrais diferentes, que compreendem as habitações de todas as entidades sobrenaturais,
"... o local dos deuses e demônios, o vazio
onde habitam as formas de pensamento, a região habitada por espíritos do ar e
outros elementos, e os vários céus e infernos com suas hostes angelicais e
demoníacas... Com a ajuda de procedimentos rituais, pessoas treinadas acreditam
que podem 'subir nos planos' e experimentar essas regiões com plena consciência." (Além do Corpo: O Duplo Humano e os Planos Astrais,
Benjamin Walker, 1974, Págs.. 117-118).
Gênesis 3:5 - Você Pode Ser Como os Deuses
Como um poderoso símbolo oculto, o Oroboros é o poder fervente,
criativo e/ou impulso evolutivo ou energia da serpente (Satanás)
figurativamente representada como uma serpente ou dragão comendo sua própria
cauda.
O corpo da serpente é representado como a Substância
Divina, Vazio ou Abismo. Assim, o corpo da serpente com suas supostas múltiplas
dimensões e poder de serpente vivificante não apenas alimenta o espírito do mundo ou Abraxas (inconsciente coletivo com seus arquétipos), mas alcança a
psique, ou como dizia William James, o "subconsciente" e como dizia
Carl Jung, o "inconsciente pessoal", mexendo com a imaginação e
conferindo poderes psíquicos e divindade, ou seja: você pode ser como Deus.
O apóstolo Paulo não fala das Substâncias Divinas e dos
deuses e demônios, que supostamente habitam ali em seus respectivos céus e
infernos, nem do inconsciente coletivo com seus arquétipos. Paulo fala dos
anjos caídos, dos seres hostis, das hostes espirituais da maldade (Ef. 6:12) e
de seu chefe, o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos
filhos da desobediência (Ef. 2:2).
De acordo com Paulo, anjos caídos e demônios estão
dispersos em uma grande multidão por toda a extensão do céu (primeiro céu) que é
visível para nós.
Muitos estudiosos dizem que o primeiro céu é onde habita
a hoste de anjos caídos e outros espíritos malignos lançados do terceiro céu,
que seria onde encontra-se a morada sobrenatural de Deus, Cristo, os santos
anjos e os santos). Isso significa que o Abraxas de Jung (inconsciente coletivo
com seus arquétipos) seria a extensão do céu debaixo dos céus, que supostamente
conecta a mente e o corpo da serpente à mente do homem.
Através dessa conexão, o espírito do homem supostamente ascende sobre os planos astrais, “caminho oculto da vida" ou “caminho mágico ocidental" (evolução espiritual), através da prática ritual de tecnologias psicoespirituais, ou seja, meditação mindfulness, transe eletrônico, curso alfa, método Silva, canalização, transe iogue, êxtase musical, etc.) para alcançar status divino e ganhar poderes psíquicos.
Como se pode perceber, o apóstolo Paulo nos alertou, que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. (Ef. 6:12).
Os psicólogos contemporâneos influenciados pelas teorias
derivadas do demônio de Jung insistem que o que eles chamam de experiências
paranormais (ou seja, comunicações do tabuleiro Ouija, vozes falando na mente,
aparições aterrorizantes) são alucinações. Por acreditarem que a consciência do
homem de alguma forma se origina dentro do cérebro (uma concepção materialista
que rejeita a alma, os anjos, os demônios), as alucinações devem ser causadas
pelos poderes da imaginação humana ou representações de interação entre os
hemisférios esquerdo e direito do cérebro e/ou pela liberação terapêutica de
repressões inconscientes, ainda que seja verdade que essas alucinações possam ter origem na mente humana.
Psicologia, Parapsicologia e Engenharia das Massas
Em "Instituto Tavistock: Engenharia Social das
Massas", o jornalista investigativo Daniel Estulin escreve, que as
dimensões religiosas e místicas da história de Tavistock são centrais para o
estudo dos interesses do governo dos EUA no pós-guerra sobre como a psicologia e a
parapsicologia poderiam beneficiar as agências de inteligência:
"Foi Tavistock e a cabala de cientistas
os primeiros a trazer os usos potenciais de habilidades paranormais em
aplicações militares, assim como os primeiros no desenvolvimento de substâncias
químicas, que estimulariam habilidades psíquicas. Essa cabala incluía homens como o Dr. Sidney Gottlieb, chefe da equipe de serviços técnicos da CIA, com
conexões sombrias tanto com a Operação Paperclip por um lado, como com o
assassinato de Kennedy, por outro.".
Como explica Peter Levenda em Forças
Sinistras, “...rodopiando em torno dos pés e das mãos do assassinato de Kennedy
havia uma névoa pegajosa de sectários, bispos errantes, inteligência americana
e cientistas nazistas. Todos estavam a um ou dois apertos de mão do suposto
assassino de JFK, Lee Harvey Oswald. Eles estavam todos conversando com espíritos, praticando magia ritual, de mãos dadas ao redor da mesa de sessões
espíritas ou sacrificando galinhas nos apartamentos de Nova Orleans. E, em
alguns casos, eram também membros da elite dominante da América, as famílias
mais ricas e mais bem relacionadas do país.”.
"A CIA e os cultos satânicos; a mitologia do final do século XX é surpreendentemente coerente, embora as máscaras mudem de caso para caso, de vítima para suposta vítima. A CIA, claro, existe; seus programas de controle mental, do Blue Bird ao Artichoke e ao MK-ULTRA, são de registro público. A sua história de assassinatos políticos e de derrubada de vários governos estrangeiros também é uma questão de registo. Os cultos satânicos, ou talvez devêssemos qualificar isso e dizer “sociedades secretas ocultas”, também existem e são uma questão de registo público; suas tentativas de contatar espíritos superiores através de rituais arcanos também são bem documentadas e conhecidas.”.
Psiquiatras e Psicólogos Afirmando a Existência de Espíritos Malignos
Hoje, há um número crescente de psicólogos e psiquiatras
que agora rejeitam explicações materialistas. Eles afirmam francamente suas
crenças na existência de espíritos malignos e sua capacidade de oprimir e
possuir seres humanos.
Apesar do ceticismo esmagador entre os seus colegas, há um número crescente de psicólogos e psiquiatras - antigos céticos quanto à existência de inteligências não físicas independentes - que agora afirmam francamente a sua crença na realidade dos espíritos malignos. Em seu clássico Canalização, Jon Klimo refere-se ao psiquiatra Ralph B. Allison, que diz:
"Passei a
acreditar na possibilidade de possessão espiritual... por espíritos demoníacos
de reinos satânicos, e essa é uma área, que não me importo de discutir ou fazer
parte - é uma possibilidade teórica.” (América, o novo aprendiz de feiticeiro:
a ascensão do xamanismo da nova era, pág 161).
Em seus livros best-sellers "The Road Less Traveled" e "People of the Lie", Morgan Scott Peck narra sua odisseia desde a vaga identificação do misticismo budista e islâmico até um assentimento intelectual de "Deus" e "Satanás". Peck se refere a dois casos específicos de exorcismo que o convenceram da realidade da possessão demoníaca.
Declarando que "conheceu pessoalmente Satanás
cara a cara", Peck explicou:
“Quando o demoníaco finalmente falou claramente em um
caso, apareceu no rosto do paciente uma expressão que só poderia ser descrita
como satânica. Foi um sorriso incrivelmente desdenhoso de total malevolência
hostil. Passei muitas horas diante de um espelho tentando imitá-lo, sem o menor
sucesso. Só vi essa expressão mais uma vez na vida - por alguns segundos
fugazes no rosto do outro paciente, no final do período de avaliação. Contudo,
quando o demoníaco finalmente se revelou no exorcismo deste outro paciente, foi
com uma expressão ainda mais medonha. O paciente de repente parecia uma cobra
se contorcendo de grande força, tentando cruelmente morder os membros da
equipe.”. (People of the lie, pág. 197).
Mediante o exposto, a podridão demoníaca dentro das classes dominantes, das agências de inteligência, de certas megaigrejas, etc., está rapidamente se infiltrando em igrejas cristãs sem discernimento. O resultado de nossa era de apostasia é a rápida disseminação de ensinamentos demoníacos, ideologias anticristãs, relatos de origem evolutiva anticriação, tecnologias psicoespirituais satânicas, opressão e possessão. O fio condutor dessa escuridão espiritual, que se espalha, é a mente do mesmo anjo caído que tentou Adão e Eva no jardim do Éden com as palavras: "Sereis como Deuses" (Gn 3:5).

